quinta-feira, dezembro 31, 2009
Balanço!
Deveria fazer uma lista dos melhores do ano? E dos piores? Bateu uma preguiça. Mas posso registrar aqui alguns filmes que me deixaram plenos ao término da projeção: Rumba, À deriva, Black Dynamite, Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, The Yes Men fix the world, Anticristo, Deixa ela entrar, Bastardos Inglórios, Abraços Partidos etc.
Ano novo, contagem nova. No mais, novas parcerias vêm aí. Aguardem!
Desejo a todos que passam por aqui um 2010 cinematográfico! Coisa de cinema mesmo, com direito à trilha sonora, câmera lenta nas melhores sequências (para que durem mais) e replay dos melhores momentos.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
#142 - Lula - o filho do Brasil, de Fabio Barreto

Meninos, eu vi! Sim, fui à cabine de imprensa de Lula - o filho do Brasil pelo Jornal do Brasil. E não era uma sessão ordinária. Além do próprio diretor (dias antes de sofrer o grave acidente), estavam presentes nomes como Ziraldo, Sérgio Cabral, Walter Salles e Eduardo Coutinho (perdi uma boa oportunidade de trocar uma ideia com ele). Sala cheia.
A crítica vai ser publicada no primeiro dia de 2010, quando acontece a estreia do filme. Adianto que nem gostei do que vi. Obviamente, a produção é caprichada - afinal, conseguiu orçamento de R$ 12 milhões, dinheiro da iniciativa privada. A fotografia é bonita, a trilha sonora é muito boa e os atores rendem. Mas o roteiro não acompanha. E sem roteiro não há filme que se sustente.
Vou deixar as polêmicas de lado: não vou discutir sobre oportunismo eleitoreiro por aqui. Não estou a fim. Particularmente, não gosto do trabalho do Fabio Barreto. Apesar do domínio técnico, o cineasta entrega filmes, na maioria das vezes, desinteressantes. Lula - o filho do Brasil não foge à regra. Teve gente que discordou de mim: no foyer, um sujeito dizia ao diretor que ficou arrepiado do começo ao fim da projeção.
Lula - o filho do Brasil vai dar muito o que falar!
Meus desejos de pronta recuperação ao Fabio Barreto. Dia primeiro eu publico a resenha por aqui, combinado?
Conforme combinado, eis o que escrevi na Revista Programa, do JB:
Ideologias políticas à parte, é inegável que a trajetória do presidente Lula é digna de merecer um filme. Fabio Barreto realiza, sem o apoio de leis de incentivo fiscal, uma produção que acompanha os primeiros 35 anos de vida do líder brasileiro. A narrativa, baseada no livro homônimo de Denise Paraná, tem início com o nascimento no pobre sertão pernambucano e vai até a morte da mãe, em 1980 – portanto, antes mesmo da fundação do PT.
Sendo assim, o filme tem argumentos que o defendem de ser uma produção com fins meramente políticos. O principal problema de Lula, o filho do Brasil está na falta de ritmo do roteiro, que cola uma série de fatos em ordem cronológica sem dar tempo à plateia de se aprofundar nas questões vividas pelo protagonista, ainda que o tom dramático seja bastante acentuado na maioria das sequências.
De positivo, o filme conta com uma belíssima trilha sonora, composta por Antonio Pinto e Jaques Morelenbaum. A caracterização de Rui Ricardo Diaz, na pele de um Lula desconhecido do grande público, também impressiona.
terça-feira, dezembro 29, 2009
#141 - Sempre ao seu lado (Hachiko: a dog's story), de Lasse Hallström

Parece que agora é moda. Todo dia 25 estreia um filme com cachorros. Estranho, né? E todos dão lição de vida através de vivências catárticas, que levam a plateia às lágrimas. Ano passado, o chororô ficou por conta de Marley e eu. Este ano, a vez é de Sempre ao seu lado. Apesar das diferenças no argumento, no fim das contas o que importa mesmo é colocar as glândulas lacrimais dos espectadores para trabalhar.
Richard Gere, em fim de carreira, encara mais um papel pífio. Interpreta um professor que encontra um filhote de akita abandonado na estação de trem perto de casa. Leva o bichano para casa, enfrenta a resistência da mulher, mas acaba estabelecendo uma relação profunda com ele.
O filme trata de um famoso episódio que aconteceu nos idos de 1910 no Japão e acabou virando uma espécie de ensinamento oriental. Um cão da raça akita, que tinha por costume aguardar o dono na estação de trem após o expediente, sempre no mesmo lugar, manteve a rotina, dia após dia, mesmo depois de um enfarte fulminante ter levado seu fiel amigo para o além.
Hachiko, o tal akita, é um cão fofinho feito Marley, mas muito menos brincalhão. O próprio roteiro deixa claro que ele não gosta de brincadeiras bobocas e nem de agradar o dono com demonstrações circenses. Ou seja, é quase uma antítese do que é conveniente, em termos caninos, a uma família estadunidense: um cão babão, boboca, destruidor de móveis, que faz xixi no tapete da sala e baba a casa inteira. Acontece que todo o miolo do filme, como atores, fotografia, montagem, trilha sonora e cenografia, funcionam de acordo com as intenções da indústria cinematográfica estadunidense. Obviamente, não tinha como dar certo.
No meu tempo havia filmes com Papai Noel nesta época do ano.
Em breve, uma resenha mais completa no site da M...
segunda-feira, dezembro 28, 2009
#140 - Cry Uncle, de John G. Avildsen

Notou o nome do diretor desta comédia erótica policial? John G. Advilsen, o cara que ganhou o Oscar pela direção de Rocky e esteve à frente da franquia Karate Kid, dirigiu essa bomba. Produzido em 1971 pela famosa Troma, a emblemática produtora de filmes B, Cry Uncle é bem chatinho.
O roteiro fala sobre um detetive particular baixinho, gordinho e mulherengo que é contratado por uma ricaça misteriosa e sensual (bom, o sensual é por conta da sinopse, já que a atriz é bem caída) para investigar um desaparecimento. Como era de se esperar, a trama envolve sexo, drogas e escatologia - mas nada que cause espanto. Ou entusiasmo. O filme foi banido de diversos países por causa de uma cena em particular, que mostra um ato de necrofilia. De resto, são mulheres de seios à mostra e um baseado aqui e outro acolá.
Os diálogos são ruins, as piadas não divertem e as atuações são péssimas. Não funciona como paródia dos filmes de espionagem e nem como pastiche original. Apesar disso, Allen Garfield, o protagonista, alega que Cry Uncle é a comédia preferida de Oliver Stone.
Sei não...
domingo, dezembro 27, 2009
#139 - Deixa ela entrar (Låt den rätte komma in), de Tomas Alfredson

quinta-feira, dezembro 24, 2009
#138 - Eu te amo, cara (I love you, man), de John Hamburg

“Ih, olha lá, o Bebeto é viado!”
Guardadas as devidas proporções - como o nível de sinceridade da frase -, é mais ou menos sobre isso que o roteiro de Eu te amo, cara fala. Não sobre o jogo da seleção brasileira, mas sobre a dificuldade masculina em expressar amizade e afinidade sem confundi-las com conotações ou intenções homossexuais. Por isso, o protagonista Peter Klaven (o ótimo Paul Rudd), que sempre se deu bem com mulheres, pena para encontrar um padrinho para o casamento – já que não tem grandes amigos do mesmo sexo.
Trata-se de uma comédia bem bacana sobre amizade, que sabe explorar o tema sem usar de melodrama fácil ou clichês baratos. Os personagens são bem desenvolvidos, os diálogos são bons e e a história é bem amarrada. De quebra, uma participação bem interessante de Lou Ferrigno, o eterno Hulk.
#137 - Coraline, de Henry Selick

Como meu intestino funciona muito bem, levei exatos 13 dias para dar cabo da história de uma menina que descobre uma porta que a leva para uma dimensão paralela, onde tudo é muito melhor – incluindo os pais. Aos poucos, ela vai descobrindo que a mãe do outro lado tem intenções não muito amistosas.
O filme tem algumas diferenças do livro, que até ajudam a tornar a história menos assustadora e mais comercial, apesar de já ter ouvido relatos de pais nada satisfeitos ao término da projeção. A animação é bacana e tem lá seu charme. A trama também é bem bolada, e traz uma mensagem, ainda que torta, sobre a importância de valorizar a família.
No entanto, recomendo Coraline apenas para as crianças que já têm algum contato com o realismo fantástico.
#136 - A vida íntima de Pippa Lee (The private lives of Pippa Lee), de Rebecca Miller

O roteiro nem chega a se aprofundar nos temas mais complexos, mantendo um certo tom de provincianismo justamente quando o argumento poderia ser tratado com mais consistência. Outro problema são os personagens, mal desenvolvidos. Nem mesmo aqueles tipos estranhos, socialmente desajustados, comuns a todos os filmes do gênero, são capazes de criar certa dose de empatia.
sexta-feira, dezembro 18, 2009
#135 - Quanto dura o amor?, de Roberto Moreira

O segundo filme do diretor Roberto Moreira é sensível como a canção do Radiohead que permeia toda a projeção, a tristonha “High and dry”. O roteiro fala sobre três histórias de amor que enfrentam os paradigmas da contemporaneidade. Funcionando também como uma personagem, a cidade de São Paulo serve de cenário para o desvelamento da questão que o título levanta: quanto dura o amor? Quem conduz a argumentação são três jovens protagonistas, de vidas completamente distintas, mas que habitam o mesmo prédio, em plena Avenida Paulista: Suzana, uma advogada reservada; Marina, uma atriz recém-chegada do interior; e Jay, um escritor que tem como musa uma prostituta.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
#134 - Foxy Brown, de Jack Hill
