
Assistir a um filme de Hitchcock é sempre garantia de entretenimento com aquele algo mais que o cinema pode proporcionar. O cara era mestre. Recentemente, Vertigo foi escolhido pela American Film Institute como o melhor filme de suspense de todos os tempos.
O roteiro conta a história de um policial que, após testemunhar a morte de um colega, desenvolve acrofobia. Na linguagem corriqueira: medo de altura. Afastado das atividades investigativas, ele é contratado por um amigo para perseguir sua esposa, que anda tendo surtos psicóticos. Porém, acaba se aproximando demais da moça... E aí... Bom, e aí... Se eu contar mais acaba a diversão de vocês. Sim, porque uma das graças dos filmes de Hitchcock é justamente ir montando o quebra-cabeças aos poucos.
O uso da cor, que lá nos idos de 1958 ainda era uma novidade, aqui é completamente bem empregado. Diferentes tons são usados para compor o clima da trama. A fotografia não fica para trás: o diretor consegue enquadramentos inesquecíveis da bela São Francisco, com sua imponente e soturna ponte Golden Gate. A trilha sonora, sempre precisa nos suspenses de Hitchcock, cumpre o seu papel com brilhantismo.
Porém, o grande trunfo é mesmo a maneira como a vertigem do protagonista é retratada. Usando simples técnicas de filmagem, sem efeitos mirabolantes, tem-se a exata noção de atordoamento e angústia do pobre protagonista - pontos cruciais para o entendimento da obra.
Vertigo (prefiro chamar assim, ao invés de Um corpo que cai...) é uma obra densa, com certo tom de morbidez. Porém, ainda assim, é entretenimento garantido! Um tipo de cinema que deixa saudades.







