Durante o volume 1, acompanhamos os primeiros anos da vida de Joe, a tal ninfomaníaca do título. Após ser encontrada desacordada e machucada em um beco escuro por um senhor aparentemente bonzinho - será que é mesmo? -, ela conta sua história a ele em detalhes, usando sempre como ponto de partida objetos de estima do dono da casa - o que me causa um certo estranhamento e me sugere algo que pode estar por vir no próximo volume.
Não restam dúvidas de que estamos diante de uma obra diferenciada. Von Trier tem grife, assinatura, rubrica, estilo ou seja lá o que se pode chamar essa certeza de estarmos diante de um filme dele. O cara domina a montagem e tem plena consciência do que pode fazer com a linguagem cinematográfica.
Por exemplo (vou fazer que nem ele e enumerar)...
1 - A clássica estrutura narrativa. O filme é dividido em capítulos, contado em primeira pessoa, com inserções atemporais e pequenos desvios narrativos
2 - Predominantemente, ele filma o sexo como algo chulo. Foi assim em Os idiotas, por exemplo. Foi assim em Dogville também. É assim em Ninfomaníaca. Foda-se se vai estar enquadrado na tela um pinto com fimose. Que se dane se tem um boquetinho. Nem liga se a menina cospe esperma. Não é assim mesmo?
3 - Há sequências de rara beleza, como a abertura, na qual os pingos de chuva formam sons polifônicos. Ou então, cenas geniais, na qual essa mesma polifonia é dissecada em timbres e movimentos. Há até espaço para leveza, como na hora em que a protagonista perde a virgindade.
4 - Von Trier sabe dirigir atores como ninguém. As participações de Christian Slater e Uma Thurman, apesar de curtas, são impagáveis, irretocáveis, fabulosas!
5 - A cinematografia é redonda, com diferentes câmeras atuando como distintos marcos narrativos. Câmera na mão quando é o passado, câmera estática quando é o presente.
Bom, ninguém curte um coito interrompido. E é justamente isso que esse volume 1 propõe. Lars Von Trier é ou não é o cara? Respeita o moço. Patente alta, dá aula, é bigode grosso.
Aguardemos o volume 2.







