
Tenho uma queda por filmes que remontam fatos históricos e políticos importantes. Há um bom tempo O grupo Baader Meinhof estava engatilhado aqui em casa, esperando para ser conferido no conforto do lar, já que perdi a cabine de imprensa e o período no circuitão - que, convenhamos, nem foi tão ão assim. O filme de Uli Edel é bastante forte e contundente, se aproximando do cinema engajado de mestres como Costa-Gavras e Ken Loach.
Também conhecido como Rote Armee Fraktion (RAF, ou Facção Exército Vermelho em bom português), o grupo Baader Meinhof teve sua origem no movimento estudantil alemão, em meados da década de 60. Porém, foi na década de 70 que a facção investiu pesado na guerrilha urbana, organizando ações que ganharam destaque em jornais de todo o mundo. A luta da RAF ia contra as políticas hegemônicas dos Estados Unidos, que mantinham ocupados territórios estratégicos para a exploração de petróleo e fomentavam guerras civis e movimentos golpistas ao redor do mundo, o que continua acontecendo até a atualidade.
O filme de Uli Edel mostra o encontro entre as cabeças da RAF: Ulrike Meinhof, jornalista e mentora intelectual do grupo, Andreas Baader, o líder das ações de guerrilha e Gudrun Esslin, sua namorada. O roteiro caprichado, a trilha sonora certeira, a montagem eficiente e as excelentes atuações do elenco dão respaldo à história. Nenhuma concessão é feita. A violência e o rigor das ações do grupo são tratados com seriedade e verossimilhança. No fim das contas, é um belo documento, ainda que ficcional, sobre a atuação dos grupos paramilitares de esquerda no final do século passado.
Apesar de ter encerrado as atividades depois de uma série de suicídios - alguns contestáveis - dos líderes do movimento em suas próprias celas, os ideais do grupo Baader Meinhof permanecem vivos. Seja na letra da canção da Legião Urbana, seja no filme de Edel, havia uma espécie de ideologia que precisava ser perpetuada, agora sem armas ou extremismo.





