Recebi um meme, termo até então desconhecido por mim, dos camaradas Ramon e Rogério, do
Cinema em Casa, leitura diária e recomendada. Através deste, veio a incumbência de listar cinco filmes que, ao meu entender, são excelentes, mas que foram subestimados pelo grande público e pela crítica especializada.
Bacana esse negócio de meme! Fui, inclusive, atrás da definição da palavra. E olha que interessante: meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.
Portanto, aproveito e passo o bastão para os seguintes companheiros, os quais admiro muito: meu amigo Dougra, do divertido
Surfista Platinado; Debora, do extravagante
Cinematologia Humana; Mendes e seu contundente
Notícias do Front; Leela e seu ferino
Cera Quente.
Andei fuçando a lista dos outros e vi que o pessoal caprichou nas seleções. Por isso, passei a noite vasculhando as gavetas da cabeça e arrumei cinco grandes filmes que, quando digo que os adoro, as pessoas reagem com incredulidade. Segue o escrete:
#1 - Mamãe é de morte (Serial mom), de John Waters

John Waters, por si só, já é um cineasta subestimado. Ou melhor, incompreendido - mais conhecido por polemizar o
american way of life usando como pano de fundo a sua querida Baltimore. Em
Mamãe é de morte, uma Kathleen Turner em idade de pantera interpreta genialmente uma
serial killer acima de qualquer suspeita. Boa dona-de-casa, boa matriarca, consciente ecologicamente... e uma assassina fria e malvada. Waters faz aqui um belíssimo trabalho de humor ácido e sarcástico, sua especialidade. Cenas clássicas, como a que uma idosa é morta com um pedaço de peru enquanto assiste ao musical
Anne.
#2 - As cores da violência (Colors), de Dennis Hopper

No final da década de 80, Dennis Hopper provava ser muito mais do que um excelente ator. Dirigiu o que para mim é um dos melhores filmes policiais de todos os tempos. Sean Penn, em atuação soberba, interpreta um policial rebelde que, ao lado de Robert Duvall, um oficial prestes a se aposentar, luta contra o crime em uma Los Angeles tomada pelas gangues. Os Bloods, vermelhos, e os Crisps, azuis, dão muito trabalho à dupla. O filme tem uma das piadas mais sem-graça da história do cinema, sobre um touro e um bezerro. Só conferindo...
#3 - Hotel de um milhão de dólares (The million dollar hotel), de Wim Wenders

Taí um dos meus cineastas favoritos, que realizou verdadeiras pérolas - um dos responsáveis pela minha paixão pelo cinema. Quando
Hotel de um milhão de dólares foi lançado, a crítica pegou no pé do diretor, dizendo que ele já não era mais o mesmo, que havia perdido o
mojo... Tolinhos. O filme, apesar da presença de Mel Gibson, é uma aula de direção, com uma fotografia belíssima, trilha sonora e produção executiva competentes de Bono Vox e The Edge e um argumento sinistro, inquietante, instigante, como Wenders sabe muito bem fazer.
#4 - Abril despedaçado, de Walter Salles

Walter Salles já merecia ter ganhado o mundo com
Terra estrangeira ou com
Socorro Nobre. Ganhou com
Central do Brasil. Porém antes desse divisor de águas na retomada do cinema brasileiro, o diretor executou o que, na minha opinião, é sua obra-prima.
Abril despedaçado é um filme diferente, superior a muita coisa filmada no mundo naquela época. O melhor filme de Walter Salles.
#5 - Jovens, loucos e rebeldes (Dazed and confused), de Richard Linklater

Quando um diretor realiza grandes obras, como no caso de Linklater, alguns de seus primeiros filmes tornam-se obscuros, esquecidos... Ficam lá nas prateleiras do canto das locadoras ou nas gôndolas promocionais das Lojas Americanas. É o caso com o excelente
Jovens, loucos e rebeldes, apesar do título estapafúrdio em português. O filme narra uma noite de bebedeira, festa e selvageria de jovens calouros. O diferencial: na década de 70. Linklater mostra porque é um dos diretores mais criativos e inventivos da atualidade.