
Fui convidado pelo pessoal do SESC a participar de um festival bastante interessante, chamado Festa, ou Festival Estudantil das Artes. Trata-se de uma grande mostra do que anda sendo produzido por gente jovem, de filmes a peças de teatro, passando por música e artes plásticas. O local que abrigou o evento, o SESC Nacional, é dotado de uma infra-estrutura impecável!
Pois bem, fui chamado para uma sessão do filme Apenas o fim, dirigido pelo Matheus Souza, então estudante de cinema da PUC-Rio. Após a projeção, estava marcado um bate-papo entre eu, o ator Gregório Duvivier (um dos protagonistas do filme) e a plateia. Foi uma noite bastante agradável, cheia de surpresas.
A primeira, e melhor delas, sem dúvida nenhuma é o filme em si. Apenas o fim é uma daquelas produções despretensiosas que, tamanho o afinco e a dedicação com que são feitas, conseguem um êxito maior do que o esperado. A ideia é simples: uma jovem revela ao namorado que vai embora dentro de uma hora. O casal passa então a repensar o passado para buscar entender o presente e projetar o futuro.
Simples assim: os pilotis da PUC servem como cenário principal, os atores improvisam muitas das falas e a câmera apenas testemunha os diálogos - estes o grande trunfo do roteiro de Matheus Souza. As falas são inteligentes, divertidas e muito bem sacadas. A dupla de protagonistas, Erika Mader e Gregório Duvivier, estão em plena sintonia, agindo com a naturalidade que o argumento exige.
Apenas o fim é repleto de referências pop. O bacana é que eu nunca (nunca mesmo) tinha visto um filme nacional que trouxesse toda essa bagagem referencial de forma enxuta, sem exageros, sem pedantismo e na medida certa. Impossível não lembrar de grandes diretores que começaram suas carreiras com pequenos e despretensiosos êxitos no gênero: Kevin Smith e O balconista; Richard Linklater e Slacker.
Poderia se tratar de uma produção de interesse restrito, talvez à jovem classe média da Zona Sul que frequenta universidades privadas. Porém, cinema, quando é realmente bem-feito, tem o poder arrebatador de continuar impregnado na retina de qualquer espectador, independentemente do poder aquisitivo ou do grau de escolaridade. Sai do local para o global. Prova disso foi o que ouvi de uma aluna da rede municipal, um pouco mais velha, ao deixar o cinema:
"Amanhã, na aula, vamos todos ficar falando sobre o filme!"
O bate-papo foi a segunda grata surpresa da noite. Uma plateia bastante heterogenea, composta majoritariamente de adolescentes, todos completamente imersos na trama de Apenas o fim. Ao lado de Gregório Duvivier, falamos não somente sobre o filme, mas também refletimos sobre a indústria do cinema.A mim, foi um prazer imenso participar do evento, conhecer pessoalmente o Gregório e partilhar um pouco da minha modesta vivência cinematográfica com todos os presentes. É justamente esta possibilidade de troca de conhecimento que faz com que eu mantenha este espaço sempre atualizado - ainda que o tempo vez em quando seja curto.
Agradeço ao pessoal da Assessoria de Cultura do SESC pelo convite. Nota 10 para eles! Que venham os próximos eventos!




