
Estreou hoje no circuitão Em teu nome, filme dirigido por Paulo Nascimento que traz a biografia de um guerrilheiro do Grupo dos 70, movimento que lutou contra o regime militar no Brasil. O filme é até bem produzido, mas falta profundidade - tanto no conteúdo, quanto na atuações, por mais que os atores tenham sido premiados no Festival de Gramado. Algumas sequências sofrem dessa superficialidade num tema que precisa, para funcionar na tela grande, de bastante ritmo. Escrevi uma resenha para a Revista Programa, do Jornal do Brail, mais ou menos como vai escrito abaixo.
O cenário de constantes tensões políticas que o regime militar instaurou no Brasil foi capaz de engendrar verdadeiros dramas particulares - todos repletos de elementos que, aos olhos das gerações que não conheceram o impudente cerceamento da liberdade, soam como histórias cinematográficas. Assim foi a trajetótia de João Carlos Bona Garcia, o Boni: um militante de origem humilde que aderiu à luta armada na década de 70 e se tornou, anos mais tarde, um articulador do processo de anistia. Em teu nome traz os percalços vividos por Boni, da opção pela guerrilha ao exílio forçado, adaptados à linguagem cinematográfica.
Dirigido por Paulo Nascimento e premiado com quatro Kikitos no 37º Festival de Cinema de Gramado, Em teu nome tem acertos e delizes. De positivo, o nítido esmero com o qual toda a equipe se entrega às filmagens. Na parte técnica, é um filme quase perfeito. Direção de arte, figurino e montagem são particularmente destacáveis, ajudando a contextualizar a turbulenta época em que se dão os fatos. Porém, mesmo com um roteiro enxuto e baseado em fatos verídicos, falta profundidade dramática em certas sequências. O elenco, apesar de esforçado, não rende a ponto de fortalecer o discurso que o argumento propõe. Ainda assim, Em teu nome é um exemplar correto de um cinema engajado, sem perder a ternura.





