
Quem disse que filmes de zumbis não podem ser divertidos? Seguindo o que convencionou-se chamar de terrir, um gênero que mistura terror com comédia, A volta dos mortos-vivos se tornou um verdadeiro clássico dos filmes B. Diálogos surreais, referências aos clichês do horror e muito punk rock fazem desta sátira uma das produções mais divertidas sobre os comedores de cérebros.
Mais de 15 anos depois do sucesso de George A. Romero, A noite dos mortos-vivos, Dan O'Bannon inaugurou uma franquia que renderia mais duas sequências - que, na minha opinião, não chegam aos pés do precursor. Aqui, dois sujeitos que trabalham em uma espécie de loja de materiais médicos, que vende de próteses à cadáveres, liberam sem querer o gás tóxico que reanima os mortos, o mesmo que foi recolhido pelo exército no clássico de 68. Na tentativa de se livrar de um morto-vivo e encobrir os fatos, acabam acordando todo o cemitério ao lado, que sugestivamente tem o nome de Ressurection Cemitery. Daí em diante, é só diversão. E alguma escatologia, obviamente!
O roteiro segue a linha catastrófica: um grupo de pessoas acaba ficando preso em um necrotério, cercado pelos mortos vivos. O interessante em A volta dos mortos-vivos são os personagens. Parte das vítimas faz parte de um grupo de jovens punks desajaustados. Portanto, a trilha sonora traz o melhor do punk rock e do hardcore da década de 80, como TSOL, Cramps e The Damned. James Karen e Thom Mathews, que interpretam os dois culpados, fazem um belíssimo trabalho de comédia e roubam a cena! São responsáveis pelas melhores sequências.
O'Bannon trabalha bem os seus zumbis. Diferentemente dos de Romero, os seus já se encontram em decomposição e gritam por cérebros. Braaaaaaaaaaains! Para incentivar a multidão de mortos-vivos a dar maior credibilidade à ação, reza a lenda que ele comeu cérebro de carneiro cru antes de convencer os figurantes a mastigar a iguaria em frente às câmeras. Verdade ou lenda, sua direção é precisa.
O desfecho, completamente preguiçoso, mas extremamente criativo, fecha a produção com chave de ouro. Um clássico! Revê-lo ao lado de amigos, petiscos e caipirinhas foi uma experiência bem agradável. Recomendo!








