
Quando tinha 10 anos, ganhei de Natal dos meus pais um skate. Tava na moda. Eram quase encerrados os anos 80 e toda a molecada da rua tinha um. E não bastava uma tábua com rodinhas, era preciso ter um ídolo também. Ou o loiro topetudo e magricela Tony Hawk, que fazia manobras acrobáticas de tirar o fôlego, ou o japonês doido de cabelo comprido Christian Hosoi, que literalmente voava e fazia poses em pleno ar. Era uma competição quase maniqueísta, o bem contra o mal. Os dois disputavam praticamente todas as finais verticais. Porém, com o tempo, Hosoi foi sumindo. O documentário Rising son: the legend of skateboarder Christian Hosoi trata de elucidar o porquê.
Assim como em Dogtown and Z-Boys, documentário que tem narração de Sean Penn, Dennis Hopper é quem narra a carreira meteórica do skatista que mais parecia um rock star, tamanho o carisma e a presença. Hosoi não apenas desenvolveu uma linha mais plástica e vigorosa de andar de skate, mas também criou um estilo de vida. O problema foi justamente não saber equilibrar a fama com a alta performance que um esportista precisa manter. Ao contrário de Tony Hawk, que teve uma carreira bem mais sensata, Hosoi deu uma pirada e acabou viciado em crystal method, uma anfetamina que o levou, inclusive, para a cadeia.
O filme tem belíssimas imagens, já que o skate proporciona movimentos de extrema complexidade. O material de pesquisa e os personagens que prestam depoimentos foram escolhidos a dedo - e não têm medo de falar a verdade. Por isso, nada fica debaixo do tapete. Na sequência mais pesada, o pai de Hosoi admite que se drogava com o próprio filho.
O problema é o desfecho politicamente correto demais. Aliás, religiosamente correto demais. Hosoi ficou preso por alguns anos e foi solto recentemente, em 2004. Atrás das grandes, começou a ler a bíblia e se converteu. Atualmente, é pastor e viaja o mundo contando sua experiência - um roteiro um tanto previsível, mas perfeitamente compreensível para quem foi do topo do half ao fundo do poço. O problema é que o diretor Cesario Montaño, em sua estréia, dá muita ênfase ao papel da religião na vida de Hosoi. Os minutos finais funcionam quase como uma pregação, espécie de discurso sentimentalóide. É chato de ver.
Ainda assim, é uma vida que vale a biografia! Até hoje, Hosoi é referência de ousadia e irreverência para muitos skatistas.












