sexta-feira, abril 24, 2026

Sirât, de Oliver Laxe

O primeiro filme que escolhi para ser resenhado nessa nova etapa do blog foi o concorrente ao Oscar desse ano pela Espanha, Sirât - apesar da antipatia brasileira com o diretor Oliver Laxe, por ter dito que brasileiros na Academia votariam até num sapato. Fato é que o espanhol se safou de um "vampetaço" porque é um daqueles sujeitos que não têm redes sociais.

Invejo-o por isso.

Contendas à parte, preciso dizer que Sirât é realmente um filmaço! Um filme feito para ser visto no cinema, inclusive. O título faz menção a uma crença islâmica sobre uma ponte cuja travessia vai dar no paraíso, mais fina que um fio de cabelo e mais cortante do que o fio de uma navalha. No dia do juízo final, os bem-aventurados conseguirão atravessar com facilidade. Já os ímpios, vão cair nas profundezas do inferno.

É essa travessia, mas ambientada no deserto, que o roteiro mostra. Acompanhamos um pai em busca de sua filha, desaparecida após sair de casa para curtir uma rave. Ao lado de seu filho caçula e do cachorro da família, ele se junta a uma caravana de jovens que organizam festas nas paisagens áridas de um território em conflito, mesmo que alertados por soldados para não seguir em frente.

Ao ignorar o perigo, pegam um atalho. E aqui é como se fracassassem na travessia da sirât. O inferno se mostra como um campo minado sobre o qual a trupe se estabelece e pluga seu potente equipamento sonoro. E aí, a música entra como um protagonista, num desenho de som absolutamente incrível! Em meio a woofers e subwoofers, as explosões e os sumiços das personagens vão acontecendo num clima de suspense e desolação desconcertantes. O efeito, tanto na tela quanto na plateia, é realmente singular.

Galera que usa JBL na praia podia aderir ao campo minado, né?

A direção de atores brilha uma vez que a maior parte do elenco é formada por artistas sem qualquer experiência prévia, adeptos de uma vida, digamos, festeira. E aí é muito bacana notar que o próprio Oliver Laxe (olha aí eu elogiando o cara) traça um paralelo com uma das películas mais perturbadoras da história do cinema, o espetacular (e resenhado aqui, chora influencer) Freaks, filmado com artistas circenses de um "show de aberrações" na década de 1930. Inclusive, uma das personagens usa uma camisa com a estampa do filme.

Tem outro paralelo, mas esse é da minha cabeça, com o livro do Mia Couto, o fantástico O último voo do flamingo. Mas eu vou deixar aqui como sugestão de leitura apenas, ok?

Agora não dá mais para ver Sirât nos cinemas porque provavelmente já saiu de cartaz. Por isso, se o seu amigo tem um daqueles sistemas de som potentes, se convida para uma sessão na casa dele - porque vale a pena.

quinta-feira, abril 23, 2026

Olha quem está de volta!

Vamos começar as sessões por aqui?

O tempo passa, o tempo voa, e depois de quase 10 anos de hiato e um monte de filmes - e fios de cabelo brancos -, estou de volta. Quer dizer, este blog está de volta! E faço questão de deixar o "blogspot" na URL.

Tava vendo aqui: eu resenhei 704 filmes.

Ainda tenho o banner que o Catraca Livre uma vez roubou de mim na cara dura!
E nem pediu desculpas.
E mudou muita coisa nessa quase década de afastamento, hein... Agora tem streaming pra caramba por aí, uma cacetada de maratonistas de série e influenciador dando dica de filme no Instagram em vídeos de 15 segundos. Ah, e faz é tempo que eu não sou mais crítico de cinema, mas os hábitos continuam os mesmos: ainda dou preferência à telona no escuro e permaneço sendo chato e implicante.

Então tá. Em breve eu posto o primeiro filme aqui.

Beijo beijo.