sexta-feira, maio 15, 2026

O jogo do predador (Apex), de Baltasar Kormákur


Se você gosta de assistir aos canais de esportes radicais, é bem provável que curta o novo filme da Charlize Theron. Ela faz de tudo um pouco: escala, rema, mergulha, nada, corre. E tudo para fugir de um predador, como diz o título em português.

O roteiro conta a história dessa mulher que desafia os limites em escaladas perigosas com o marido. Os dois, alpinistas muito experientes. Só que aos cinco minutos de projeção, por conta de sua teimosia em ignorar os sinais de perigo e do vício em adrenalina, eles sofrem um acidente.

Tá, vou contar: o marido, que estava com um mau pressentimento, despenca e morre.

Então, ela tem a brilhante ideia de curar o trauma viajando para a Austrália. Para curtir a natureza? Não, para continuar se desafiando em atividades radicais. E lá vai ela, sozinha, fazer alpinismo, rapel, canoagem em corredeiras etc. Só que aí, no meio do caminho, ela encontra um psicopata. Armado com uma besta e sofrendo de um transtorno psiquiátrico, ele a persegue como se fosse uma caça.

 "Jogo do predador"... Acho que me confundi!

O problema aqui é que o argumento é muito estranho. O tal jogo, em determinado ponto, fica distante do que foi proposto lá no começo. As motivações das personagens são confusas (tanto da caça quanto do caçador) e a explicação para o tal jogo, que não é jogo, é bem esquisita. A atuação de Taron Egerton, o psicopata, lembra muito a de James McAvoy na trilogia Estrail 177, de M. Night Shyamalan - e eu ainda não sei se acho isso bom ou ruim.

Vai ter gente esperando o Predador seguindo a Charlize, certeza! Tanto que, quando fui jogar no Google o título para buscar a imagem do poster, apareceu de cara um jogo do alienígena para PS4.

quinta-feira, maio 14, 2026

A vida de Chuck (The life of Chuck), de Mike Flanagan


Difícil, muito difícil acreditar que o Stephen King, que detestou a brilhante adaptação de Stanley Kubrick para o seu O iluminado, tenha elogiado calorosamente A vida de Chuck. Mas pior que é verdade, bicho. Inclusive, disse publicamente o escritor - um reconhecido chato de galochas -, que o filme teria elevado o nível do seu texto. Inacreditável, porque estamos diante de uma das obras cinematográficas mais chatas e enfadonhas dos últimos anos, senhoras e senhores.

A história, contada em três atos (e começando estapafurdiamente pelo terceiro na esperança malograda de fomentar algum suspense), fala sobre a vida desse cara, o Chuck. 

E é isso.

Vão dizer que é um filme diferente, mais contemplativo, onírico, lírico - já empilharam todos esses predicados por aí, na tentativa de defesa de que vale a pena ver um conto do Stephen King que não segue o gênero que o consagrou. Mas nem vale, é ruim demais mesmo. Se quer ver um interessante, que não tenha hotel sinistro, sangue no corredor, cemitério indígena, espantalhos do mal, carros possuídos etc., veja Conte comigo.

Podia ser pior: e se fosse um musical?

Que fique claro: eu nem esperava que fosse mais uma história de terror. No entanto, era de se esperar um mínimo de originalidade. O que se segue na tela é uma sucessão de diálogos horríveis, atuações cheias de maneirismos e um clichê atrás do outro. E a trilha sonora incidental? Pelamor! Exageradamente melodramática, presente o tempo inteiro, atropelando os atores sem trégua, de forma inconveniente e dispensável.

Ah, tem uma cena bem filmada, na qual o Chuck dança no meio da rua ao som de uma artista que toca bateria. Mas é só isso mesmo.

Ba dum tss!

terça-feira, maio 12, 2026

Zico, o samurai de Quintino, de João Wainer


O primeiro gol do Zico que eu tenho lembrança foi num Flamengo X Santa Cruz. Um daqueles golaços que o Jorge Ben cantou: é falta na entrada da área/ adivinha quem vai bater/ é o camisa 10 da Gávea. E assim eu me tornei um rubro-negro velho, mas orgulhoso.

Obviamente que eu fui assistir a Zico, o samurai de Quintino logo na semana de estreia, com a Yoko, nós dois devidamente vestidos com o manto sagrado. Sim, a sala de cinema perto do Morumbi, em São Paulo, estava vazia - éramos apenas seis pessoas no campo do adversário. Mas o espetáculo nem por isso foi menor.

Trata-se de uma biografia muito mais centrada na pessoa do que no atleta. Então, ao invés de ver aqueles dribles incríveis em câmera lenta, com aquelas imagens do saudoso Canal 100, pouco se grita gol na tela. E isso nem faz falta (na entrada da área). O roteiro é tão bem construído e a trajetória do Galinho é tão magnética, que a possibilidade de conhecer a vida íntima do ídolo faz com que o filme seja perfeito pra quem gosta de futebol. E ponto, ou apito, final.

Você preferiria ter ido ver o filme do Zico.

Tem de tudo: a infância em Quintino, os títulos  mais importantes, a passagem pela Udinese, a entrada criminosa do Márcio Nunes, o pênalti perdido na Copa e a insólita, mas explicável, incursão ao Japão, que o tornou um ícone por lá também.

Confesso, meu sonho é um dia encontrar o Zico e pedir um autógrafo. Nem precisa ser numa camisa, pode ser num post-it até. Só pra agradecer a ele por ser um ídolo de verdade. Saí do filme querendo cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro, mas acho melhor escrever, né?