terça-feira, maio 12, 2026

Zico, o samurai de Quintino, de João Wainer


O primeiro gol do Zico que eu tenho lembrança foi num Flamengo X Santa Cruz. Um daqueles golaços que o Jorge Ben cantou: é falta na entrada da área/ adivinha quem vai bater/ é o camisa 10 da Gávea. E assim eu me tornei um rubro-negro velho, mas orgulhoso.

Obviamente que eu fui assistir a Zico, o samurai de Quintino logo na semana de estreia, com a Yoko, nós dois devidamente vestidos com o manto sagrado. Sim, a sala de cinema perto do Morumbi, em São Paulo, estava vazia - éramos apenas seis pessoas no campo do adversário. Mas o espetáculo nem por isso foi menor.

Trata-se de uma biografia muito mais centrada na pessoa do que no atleta. Então, ao invés de ver aqueles dribles incríveis em câmera lenta, com aquelas imagens do saudoso Canal 100, pouco se grita gol na tela. E isso nem faz falta (na entrada da área). O roteiro é tão bem construído e a trajetória do Galinho é tão magnética, que a possibilidade de conhecer a vida íntima do ídolo faz com que o filme seja perfeito pra quem gosta de futebol. E ponto, ou apito, final.

Você preferiria ter ido ver o filme do Zico.

Tem de tudo: a infância em Quintino, os títulos  mais importantes, a passagem pela Udinese, a entrada criminosa do Márcio Nunes, o pênalti perdido na Copa e a insólita, mas explicável, incursão ao Japão, que o tornou um ícone por lá também.

Confesso, meu sonho é um dia encontrar o Zico e pedir um autógrafo. Nem precisa ser numa camisa, pode ser num post-it até. Só pra agradecer a ele por ser um ídolo de verdade. Saí do filme querendo cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro, mas acho melhor escrever, né?

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