
Tim Burton é um diretor que tem uma rubrica. Suas obras seguem um padrão dark, melancólico, obscuro, que favorece uma direção de arte sempre impecável. Tanto é que já foi premiado por isso algumas vezes. Porém, como escrevi na postagem anterior, não basta ter técnica, tem que ter conteúdo! E isso Burton tem de sobra...
Resultado: um filmaço! Por mais que os espectadores estejam carecas de saber que vão ver Johnny Depp de cara pálida interpretando um esquisitão e que o cenário será cinza chumbo, sem espaço para tons pastéis, Sweeney Todd: o barbeiro demoníaco da Rua Fleet é um deleite não só para olhos, mas para a alma. Belo no visual, contundente no argumento.
A história é baseada em um musical bem sucedido, que por sua vez é baseado na lenda de Sweeney Todd, nascido Benjamin Barker. Um barbeiro que, após voltar da clausura, separado da mulher e do filho por um juiz inescrupuloso, resolve se vingar usando seus instrumentos de trabalho: reluzentes e afiadas navalhas de prata. Para isso, conta com a ajuda de uma confeiteira falida, Mrs. Lovett. E dá-lhe sangue!
Johnny Depp e Helena Bonham Carter, devidamente maquiados no estilo neo-dark-realista, demonstram entrosamento perfeito. É o Casal 20 de Tim Burton. Desacostumados com a cantoria, ambos esticaram as cordas vocais em aulas intensivas e fizeram um excelente trabalho, concedendo ao diretor um primeiro musical brilhante para sua carreira. Um êxito que tem seus méritos não só pela estética, que preenche toda a tela, mas pelo roteiro ágil e bem enxugado.
Ao final da projeção, um dos meus desenhos preferidos não me saía da cabeça. Igualmente sádico, menos sanguinolento, porém genial. Aqui.







