
Foi meio que de supetão: passei pelo cinema a caminho de casa, após um cheio dia de labuta, conferi que o último horário ainda era possível, liguei para minha cônjuge e disse "desce aí que a gente vai ao cinema ver aquele filme cujo roteiro estão dizendo que é excelente".
A expectativa era imensa para conferir a história de uma menina de 16 anos que engravida de um namoradinho de escola e procura por pais adotivos para o bebê ainda durante a gestação. O tal roteiro, indicado a vários prêmios, foi escrito pela outrora stripper e agora popstar e premiada Diablo Cody. O texto havia virado a estrela maior de Juno.
Pois bem, antes vou resenhar sobre o resto da produção. O filme tem edição marota, fotografia descolada e cenografia repleta de referências a ícones pop. Porém, algo me irritou na montagem. Apesar de caprichada, a trilha sonora está presente por quase todos os 96 minutos de projeção, em um excesso musical que talvez esconda algumas falhas na direção de Jason Reitman - na minha opinião, um diretor bem mediano que têm seu mérito condicionado a bons roteiros e ao bom rendimento dos atores da maioria de seus filmes, como Aaron Eckhart em Obrigado por fumar. Ellen Page, a protagonista homônima, é muito talentosa e tem lá seu carisma, mas a verborragia e as tiradas cômicas em quase todas as falas de sua personagem me afastaram de uma possível empatia com Juno. E aí a culpa já é do tal roteiro premiado...
Na boa, não achei nada demais. Nada demais mesmo! As falas são repletas de trocadilhos e jogos gramaticais que, mesmo para quem entende bem inglês, começam a soar cansativos nos momentos cruciais da trama. O resultado é uma tradução fraquíssima, cheia de buracos e que não dá conta do estilo debochado e sarcástico proposto por Diablo Cody. Talvez seja por falta de conhecimento sobre o comportamento dos estadunidenses, mas a maneira como pais e filhos lidam em Juno com a gravidez na adolescência é muito estranha, beirando o inverossímil. Uma hora é puritano, contra aborto. Em outra é cabeça-feita, a favor do desapego.
Ok, o roteiro tem lá seus bons momentos. É um filme com passagens divertidas: Juno e o futuro pai adotivo tocando Hole (Diablo lembra Courtney Love, ou estou viajando?), o pai da criança e seus Tic-Tac's e a canção bonitinha no desfecho. O público ri um pouquinho aqui, chora um pouquinho acolá e tudo termina bem. Porém, lá no fundo, me bateu um sentimento amargo que fala sobre abandono, solidão e descaso.
Talvez a proposta seja essa, ser um filme feliz e ponto. Eu que não entendi direito. Talvez eu esteja sendo intransigente. Talvez eu precisasse ser menina para achar o filme fofo. Sei lá...
Não gostei.











