Isto posto, me causou bastante estranheza, logo na abertura do filme, Wenders dizer que comprou por um punhado de dólares, aliás, muitos dólares, uma fotografia de seu objeto documentado para pendurar na parede de casa. Começar seu documentário assim foi um erro.
Continuo com o que pode parecer mero acinte, mas garanto que não é: a obra do fotógrafo brasileiro tem muito mais apelo referencial do que propriamente artístico. Óbvio que eu sei que foto não é estética na essência. Esta vem depois, com o apuro da sensibilidade. Mas esses registros instantâneos que Sebastião Salgado faz, ainda que singulares, têm sua força estética muito mais concentrada na documentação do real.
Por exemplo, quando a lente dele focaliza a dura situação dos trabalhadores brasileiros, ali há mais apresentação do que representação. Apresenta a ideia de uma forma como poucos conseguem, e aí é que está o talento desigual dele. Admito que é uma questão minha comigo mesmo: enxergo um Salgado mais fotojornalista do que artista. E esse é o Salgado que quase admiro, ou melhor, que admiro de vez em quando: o fotojornalista de olhar brutalmente referencial. Que se esmera em um tema e busca realizar projetos a longo prazo, que geram livros - ao invés de mostras ou exposições de curta duração, daquelas que geram filas em centros culturais. Não existe aí uma diferença enorme para o que se proporia uma dita fotografia de arte?
Por exemplo, quando a lente dele focaliza a dura situação dos trabalhadores brasileiros, ali há mais apresentação do que representação. Apresenta a ideia de uma forma como poucos conseguem, e aí é que está o talento desigual dele. Admito que é uma questão minha comigo mesmo: enxergo um Salgado mais fotojornalista do que artista. E esse é o Salgado que quase admiro, ou melhor, que admiro de vez em quando: o fotojornalista de olhar brutalmente referencial. Que se esmera em um tema e busca realizar projetos a longo prazo, que geram livros - ao invés de mostras ou exposições de curta duração, daquelas que geram filas em centros culturais. Não existe aí uma diferença enorme para o que se proporia uma dita fotografia de arte?
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| Taí um Salgado mais artístico que referencial. Bacana! |
Não comentarei aqui o trocadilho infame e meio ridículo que dá nome ao filme. Precisava mesmo disso que o Sebastião é salgado, é o sal da Terra? A expressão é retirada da bíblia, numa passagem que diz que os seres humanos são o sal da Terra. Então, podemos dizer que esse deus aí errou a mão e salgou a Terra demais. Mas isso é papo para outra mesa de bar...

