A estreia é amanhã. A resenha é hoje mesmo. O novo filme de Danny Boyle tem deixado muita gente em frangalhos nas salas de exibição mundo afora. Na Austrália, os médicos recomendaram cautela a quem for conferir a película. Nos Estados Unidos e no Canadá, há relatos de desmaios. Um espectador chegou a ficar inconsciente por cinco horas. Dizem que houve até ataque epilético durante a projeção. O diretor se viu obrigado a pedir desculpas ao público.Quem conhece a história verídica de Aron Ralston já está advertido de como terminou a aventura do jovem que resolveu flanar pela paisagem rochosa de um canyon em Utah. Sem avisar à família ou amigos de seu passeio, ele acaba ficando com o braço direito preso em uma rocha. As tais 127 horas seguintes são de luta não somente para tentar ganhar a liberdade, mas também para não enlouquecer diante da falta de alimento e de esperança num possível resgate.
O roteiro de 127 horas segue a fórmula do inimigo natural, onipresente, invisível. É uma espécie de provação pela qual um sujeito egocêntrico precisa passar para perceber que homem algum é uma ilha. As horas que Ralston passa isolado são quase que como uma meditação zen-budista forçada, na qual o egoísmo vai perdendo consistência aos poucos, em visões premonitórias, revisitações às memórias do passado e alucinações.
A marca do diretor está lá: a edição é bacana, a trilha sonora é ótima e a atuação de James Franco é bastante convincente. Por incrível que pareça, O mais interessante é justamente o clímax que tanto tem gerado mal-estar. Diferentemente da maioria dos filmes de catástrofes pessoais, o tom dramático é completamente quebrado pela cena forte e perturbadora sequência de "libertação", digna de Jogos mortais. Ou seja, o que pode incomodar alguns é, na verdade, uma provocação que pode ser válida para outros



