quarta-feira, outubro 28, 2009
Luz, câmera... canção! - Arcade Fire
O Arcade Fire foi fundado em 2003, lá no Canadá - terra de excelentes artistas, como o coletivo Broken Social Scene e o dinossauro do rock Neil Young. Ok, eles também têm Celine Dion e Bryan Adams, mas vamos dar um desconto.
Não bastasse o apuro melódico dos integrantes do Arcade Fire, os videoclipes também impressionam pela sutileza e requinte. Uma das faixas de Funeral, "Rebellion (Lies)", ganhou um vídeo com uma fotografia estonteante. O roteiro é simples, bem simples. Lembra um pouco aquele conto do flautista de Hammerling, que enquanto toca vai esvaziando a cidade de ratos. No caso, enquanto o Arcade Fire toca, em uma cidade interiorana tipicamente canadense, as crianças vão os seguindo.
Perdi o show dos caras no Tim Festival de 2005, aqui no Rio. Estava de plantão no trabalho. Deu raiva.
segunda-feira, outubro 26, 2009
#122 - Anticristo (Antichrist), de Lars Von Trier

sexta-feira, outubro 23, 2009
#121 - Os vigaristas (The Brothers Bloom), de Rian Johnson

Produção do ano passado, Os vigaristas conta a história dos irmãos Bloom, que aplicam golpes milionários usando o charme e a elegância como isca. Quando o alvo é uma jovem ricaça orfã, que vive reclusa em uma mansão, um deles começa a questionar o modo de vida que leva, colocando em xeque os planos do outro.
Mesclando aventura e comédia, o roteiro também prega peças no espectador. Repleto de reviravoltas previsíveis, acaba soando cansativo. Figurinos e cenários retrô tentam dar um ar exótico à trama, mas causam estranhamento. O único item que se destaca é mesmo a deliciosa trilha sonora, repleta do dixie jazz de décadas passadas. Adrien Bodry e Mark Ruffalo têm atuações discretas. Quem salva o filme é Rachel Weisz, no papel da curiosa mocinha.
segunda-feira, outubro 12, 2009
#120 - Observe and report, de Jody Hill

#119 - Jesus Christ Vampire Hunter, de Lee Demarbre

#118 - Flight 666, de Sam Dunn e Scot McFadyen
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#117 - Black Dynamite, de Scott Sanders


A história segue a consagrada fórmula da década de 70: basicamente, é sobre vingança. Mais ainda, trata da luta solitária de um justiceiro contra traficantes e mafiosos. Black Dynamite é um anti-herói sinistro: ex-agente da CIA, temido por todos, praticamente invencível, mestre na arte do kung fu e irresistivelmente atraente. Quando recebe a notícia da morte do irmão, até a polícia teme o banho de sangue que está por vir.
Logo de cara, o diretor Scott Sanders deixa claro que a intenção é escrachar os clichês. Por isso, na sequência inicial, o microfone vaza escandalosamente. Ao longo da projeção, uma série de pequenas falhas, comuns em produções de baixo orçamento, são inseridas propositalmente. O roteiro é meticulosamente esburacado, os diálogos são inacreditavelmente manjados e os atores suam para forçar a barra nas interpretações. Um verdadeiro deleite para os fãs dos antigos blaxploitations.
sexta-feira, outubro 09, 2009
#116 - Tyson, de James Toback


Quando eu era moleque, Mike Tyson estava no auge da carreira. Aguardava as lutas na televisão, já de madrugada, ansioso. E a maioria delas costumava terminar em menos de dois minutos. No videogame, em Mike Tyson’s Punch-Out, do Nintendo, era preciso passar por todos os outros personagens para enfrentar Tyson. Tarefa quase impossível, não fosse uma sequência de comandos no controle que dava acesso direto à luta. Ainda assim, encaixar um golpe no sujeito era tarefa árdua. E se o jogador levasse apenas dois socos, era game over.
O documentário Tyson traz à tela um pugilista com uma capacidade de autocrítica impressionante. O ex-campeão dos pesos-pesados, outrora o homem mais temido do planeta, abre a guarda para falar abertamente sobre algumas das passagens mais duras e tempestuosas da sua carreira, como o conturbado casamento com a atriz Robin Givens, o uso de drogas, a derrota para James “Buster” Douglas, a condenação por estupro e até a mordida na orelha de Evander Holyfield.
Durante uma hora e meia, Tyson não para de falar! Chega até mesmo a chorar - em uma mecânica realmente bizarra - quando lembra de seu primeiro treinador, Cus D'Amato, morto antes que ele levantasse o cinturão de campeão. A montagem podia ajudar a narrativa a fluir melhor, mas também não compromete. Quem se acostumou a ver Tyson enfrentando os maiores pugilistas do mundo, vai achar interessante vê-lo lutar contra o seu maior oponente: ele mesmo.
Outra versão da resenha lá no site da M... Quer ler? Que bom! Então, clique aqui.
#115 - 9 - A Salvação (9), de Shane Acker

Produzida por Tim Burton, a animação 9 – A Salvação é melancólica e tem temática adulta. Em um mundo pós-apocalíptico, em que a população foi dizimada por máquinas inteligentes, um cientista projeta bonecos de pano numerados de 1 a 9, na esperança de construir um futuro melhor. A trama começa quando o número 9 ganha vida. Sem saber, ele carrega um segredo que pode mudar o destino do planeta.
O longa, dirigido por Shane Acker, é uma extensão do curta-metragem que foi indicado ao Oscar em 2004. Apesar do roteiro não ser dos melhores, o capricho estético é incontestável. Os cenários e as criaturas fantásticas que surgem na tela enchem os olhos do espectador. Cenas dramáticas e com uma pequena dose de violência podem, inclusive, assustar algumas crianças. Não fosse uma lição de moral que não fica tão clara nos minutos finais de projeção, o filme agradaria muito mais.
quinta-feira, outubro 08, 2009
#114 - Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds), de Quentin Tarantino

Se a II Guerra Mundial fosse como Tarantino a imaginou no roteiro de Bastardos Inglórios, sem dúvida alguma os livros de história encabeçariam a lista dos mais vendidos. Com menos violência e ação, mas com encenação eficiente e diálogos caprichados, o diretor conta uma aventura que envolve personagens reais e fictícios, mudando o rumo da maior batalha do planeta.
A história se concentra em três núcleos, que em certo ponto do filme se cruzam: uma jovem judia sobrevivente de uma chacina nazista, um coronel com fama de caçador de judeus e um grupo de militares estadunidenses sanguinários e desequilibrados liderados por Brad Pitt - os tais Bastardos Inglórios do título. Com a única missão de matar nazistas, usam métodos nada ortodoxos para espalhar a fama pelo território ocupado, fazendo até mesmo Hitler tremer.
Ao longo de quase duas horas e meia de projeção, há uma série de situações típicas dos filmes de Tarantino. O apuro técnico é inconstestável. As cenas de ação e violência, bem como a roupagem pop, continuam impressas no fotograma, ainda que de forma menos estilizada. A direção de arte é perfeita, recriando brilhantemente os tempos de guerra.
Um dos maiores méritos de Tarantino no ofício de diretor é a forma como explora os personagens, tornando-os irresistíveis. É o que acontece, por exemplo, com o núcleo dos Bastardos Inglórios, cada um com sua característica peculiar. O elenco ajuda. Brad Pitt mais uma vez dá conta do recado, com um irritante sotaque de caipira. Porém, o destaque é o ator austríaco Christoph Waltz, que dá um banho de interpretação na pele do sádico, porém educado, coronel Hans Landa.
O curioso é que há um exploitation italiano chamado Quel maledetto treno blindato, filmado em 1978 e também ambientado durante a II Guerra Mundial, que recebeu nos Estados Unidos o título de Inglorious Bastards (note que o bastardo aqui é escrito com a letra a, enquanto Tarantino usa a letra e). Fala sobre soldados que infringiram o código militar, mas que conseguem fugir e bolar um plano para aplicar um golpe nos nazistas. Como Tarantino adora referências cinematográficas, fica a curiosidade.
Bastardos Inglórios é diversão garantida! Um cinema intenso com a assinatura de Tarantino. Estreia amanhã no circuitão.
quarta-feira, outubro 07, 2009
#113 - Big River Man, de John Maringouin


Na minha opinião, o que define um bom documentário é o interesse que o personagem desperta. A imprevisibilidade do comportamento humano é algo que, quando capturado diante das telas, coloca o documental em uma posição muito além do argumento meramente proposto. Um sujeito que é ex-viciado em jogo, professor de violão flamenco, enólogo nas horas vagas, figurante em filmes de ação, garoto-propaganda e jurado de concurso de beleza já reúne predicados suficientes para ser objeto documental. Melhor ainda se for um nadador nato, recordista mundial de grandes travessias. O esloveno Martin Strel é tudo isso, além de já não ser tão jovem, estar acima do peso e não abrir mão de uma cerveja gelada.
O foco de Big River Man é a tentativa de nadar toda a extensão do Rio Amazonas. Porém, basta deixar a câmera ligada para se ter uma ideia de quem é Martin Strel: um esloveno humilde, porém famoso em sua cidade natal, e que goza de certo prestígio entre chefes de estado e políticos influentes. Quase sempre calado e com um largo sorriso no rosto, é saudado por onde quer que passe. Não é multado quando estaciona em local proibido e nem é importunado pela polícia quando dirige embriagado. Tem contratos vitalícios para frequentar um moderno parque aquático e dirigir um carro importado.
Com braçadas fortes, nadou os rios Danúbio, Mississippi e até o poluído Yangtzé, em jornadas que duravam cerca de dois meses. O motivo, alegava, era chamar a atenção das pessoas para as causas ambientais. Portanto, o Rio Amazonas, além de significar a quebra de seu recorde pessoal, também se encaixa perfeitamente na proposta ecológica.
O filme se torna mais denso e interessante quando o espectador percebe que nem ao mesmo a equipe que acompanha Strel sabe quem ele realmente é e quais são os verdadeiros motivos que o levam a arriscar a vida nadando. Muito mais do que uma aventura aquática, a travessia do Rio Amazonas se transforma em uma jornada de grandes proporções, guardando surpresas - nem sempre agradáveis - para todos que embarcaram nela.
Posso afirmar, sem dúvida, que se trata de um dos melhores e mais insólitos documentários dos últimos anos. Há uma versão maior da resenha lá no site da M... Para ler, clique aqui!
Ainda dá tempo...
QUI (8/10) 22 Estação Ipanema 1
segunda-feira, outubro 05, 2009
#112 - American Prince, de Tommy Pallotta


Uma nova geração de cineastas foi atrás de Prince para recolher as memórias não apenas de seu atribulado passado, mas também dos bastidores das filmagens de American Boy: o retrato de Steven Prince. Em American Prince, o diretor Tommy Pallotta usa a mesma estrutura do documentário de 1978, mantendo o personagem em foco novamente por 50 minutos. O ex-ator, atualmente um empreiteiro, fala com a mesma desenvoltura de outrora sobre a indústria cinematográfica da qual fez parte durante alguns anos.
American Prince e American Boy: o retrato de Steven Prince são mostrados em sequência para o público do Festival do Rio. Uma excelente oportunidade para conhecer uma figura ímpar, cuja atuação em Taxi Driver não chega a despertar tanta curiosidade – mas que tem um roteiro de vida tão interessante quanto o do filme. Se é tudo verdade ou mentira, não cabe ao espectador julgar. O próprio Prince diz que todos passam por situações insólitas na vida. O que o difere dos outros é a maneira como ele as encara.
Quer ver os dois?
QUA (7/10) 15:15 Instituto Moreira Salles
QUI (8/10) 16:30 e 23:30 Espaço de Cinema 2
#111 - American Boy: o retrato de Steven Prince (American Boy: a profile of Steven Prince), de Martin Scorsese


Quem diria que o sujeito que interpretou Easy Andy, o negociador de armas de Taxi Driver, era uma figura tão interessante? As histórias de Steven Prince eram tão incríveis, que o diretor Martin Scorsese resolveu filmar uma conversa informal e fazer um documentário. Durante muito tempo, American Boy: o retrato de Steven Prince permaneceu no limbo, sem uma distribuição adequada. Acabou virando uma raridade, apreciada por poucos.
Cerca de 12 horas de entrevista se transformaram em um filme de 50 minutos. O esquema é simples: na maior parte do tempo, a câmera focaliza Prince sentado em um sofá, contando eloquentemente suas histórias. Algumas pequenas inserções de imagens de arquivo são feitas. O espectador se transforma em ouvinte.
Prince era viciado em heroína e levava uma vida cheia de excessos. Porém, era também um exímio contador de histórias. Em American Boy: o retrato de Steven Prince, ele incorpora diversos personagens e torna as narrativas ainda mais interessantes. O que conta é tão louco e incrível, que algumas de suas aventuras inspiraram sequências cinematográficas inesquecíveis, como a célebre cena de Pulp Fiction em que John Travolta aplica uma injeção de adrenalina em Uma Thurman.
Mais de três décadas depois, um outro documentário com Prince foi feito - o que nos leva à próxima postagem.
domingo, outubro 04, 2009
#110 - O rei da fuga (Le roi de l'évasion), de Alain Guiraudie


sexta-feira, outubro 02, 2009
#109 - Bad lieutenant: port of call New Orleans, de Werner Herzog


#108 - Gamer, de Mark Neveldine e Brian Taylor

Sexta-feira chegou. Em meio ao Festival do Rio, estreia no circuitão uma verdadeira bomba. A sessão para a imprensa de Gamer foi quase exclusiva para mim. No começo do filme, havia na sala de projeção apenas eu e o gato de estimação do Estação. Com 15 minutos de filme, justamente os únicos que realmente valem a pena, outros colegas de profissão chegaram. A resenha foi publicada hoje na Revista Programa, do JB. Segue um resumo do que escrevi lá.
Os 15 minutos inciais de Gamer conseguem deixar qualquer fã de filmes de ação extasiado: explosões, tiros e mutilações enchem a tela. A premissa é até bastante interessante: em um futuro próximo, uma tecnologia revolucionária permite que jogadores de games multiplayer, como Counter Strike e Call of Duty, comandem remotamente seres humanos de carne e osso. Um famoso e violento jogo de batalhas chamado Slayers usa criminosos condenados à morte como personagens, prometendo a liberdade ao grande vencedor. Gerard Butler interpreta Kable, o favorito ao título, controlado por um adolescente de 17 anos.
Apesar da fotografia caprichada e da edição ligeira, basta pouco mais de 30 minutos de projeção para perceber que o filme não vai decolar tão alto como promete. O roteiro é enfadonho, os personagens são mal desenvolvidos e a trama é resolvida de forma preguiçosa.