
Se a II Guerra Mundial fosse como Tarantino a imaginou no roteiro de Bastardos Inglórios, sem dúvida alguma os livros de história encabeçariam a lista dos mais vendidos. Com menos violência e ação, mas com encenação eficiente e diálogos caprichados, o diretor conta uma aventura que envolve personagens reais e fictícios, mudando o rumo da maior batalha do planeta.
A história se concentra em três núcleos, que em certo ponto do filme se cruzam: uma jovem judia sobrevivente de uma chacina nazista, um coronel com fama de caçador de judeus e um grupo de militares estadunidenses sanguinários e desequilibrados liderados por Brad Pitt - os tais Bastardos Inglórios do título. Com a única missão de matar nazistas, usam métodos nada ortodoxos para espalhar a fama pelo território ocupado, fazendo até mesmo Hitler tremer.
Ao longo de quase duas horas e meia de projeção, há uma série de situações típicas dos filmes de Tarantino. O apuro técnico é inconstestável. As cenas de ação e violência, bem como a roupagem pop, continuam impressas no fotograma, ainda que de forma menos estilizada. A direção de arte é perfeita, recriando brilhantemente os tempos de guerra.
Um dos maiores méritos de Tarantino no ofício de diretor é a forma como explora os personagens, tornando-os irresistíveis. É o que acontece, por exemplo, com o núcleo dos Bastardos Inglórios, cada um com sua característica peculiar. O elenco ajuda. Brad Pitt mais uma vez dá conta do recado, com um irritante sotaque de caipira. Porém, o destaque é o ator austríaco Christoph Waltz, que dá um banho de interpretação na pele do sádico, porém educado, coronel Hans Landa.
O curioso é que há um exploitation italiano chamado Quel maledetto treno blindato, filmado em 1978 e também ambientado durante a II Guerra Mundial, que recebeu nos Estados Unidos o título de Inglorious Bastards (note que o bastardo aqui é escrito com a letra a, enquanto Tarantino usa a letra e). Fala sobre soldados que infringiram o código militar, mas que conseguem fugir e bolar um plano para aplicar um golpe nos nazistas. Como Tarantino adora referências cinematográficas, fica a curiosidade.
Bastardos Inglórios é diversão garantida! Um cinema intenso com a assinatura de Tarantino. Estreia amanhã no circuitão.
9 comentários:
Estou contanto as horas para amanhã. Como ia estrear já, não deixei para ver no Festival. Só ouvi o pessoal dizer bem do filme. Como qualquer coisa do Taranta, acho que será do cacete.
E acho que tu teve mais sorte que eu no Festival. hehe Ótima cobertura. Não comentei, mas não deixei de ler.
[]s!
Estou esperando o ano inteirinho por esse filme!
Com certeza é dobaralho!
Esse é sem duvida um dos mais aguardados do ano, tarantino invade a segunda guerra acho q depois disso não será mais a mesma história rsss.
abraço!
Vamos ver o que Tarantino aprontou dessa vez! Esse eu não perco nem que chova canivete no caminho pro cinema!
Vou assistir amanhã, aí, te digo melhor o que achei do filme, mas estou com boas expectativas em relação à obra.
Beijos!
Perfecto!
Jeff, na verdade eu vi esse na cabine de imprensa. Nem me movi para ver antes porque sabia que ia entrar em cartaz logo que terminasse o festival. Eu gostei muito. Veja e escreva sobre, que quero saber a sua opinião!
Bruno, é um Tarantino requintado. Bastante divertido.
Ygor, como eu escrevi aí: se a história fosse como Tarantino imaginou, livros de história seriam best sellers...
T1460, não perca MESMO! Acredito que você vá gostar bastante.
Kamila, estou esperando sua resenha!
Waldyr, bem-vindo por aqui e obrigado pelo comentário. Perfecto!
Bjs e abs!
Tarantino é um dos últimos diretores com assinatura, com estilo em seus filmes: violência, diálogos velozes, referências da cultura pop, humor negro e reviravoltas realmente interessantes. Se "Kill Bill" é o seu filme mais divertido, acho que "Bastardos" é a sua cartada mais ambiciosa. De certa forma, ele quer mostrar que está chegando à maturidade artística sem perder o punch.
Ah, quase esqueci. A fugitiva judia (curiosamente dona de um cinema em Paris) e a atriz alemã (agente dupla) também são personagens maravilhosos. É filme que rende pauta para várias rodadas de cerveja.
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