
Não tem jeito. Kevin Smith foi muito precoce e realizou sua obra-prima, o adorável e insubstituível O Balconista, logo na estreia como diretor de longas. Consequência: a cada lançamento que leva a sua assinatura, o público espera por outro filme arrebatador. Assim vem sendo desde 1994. E este sucessor, melhor que o primeiro, não vem. O que não quer dizer que os outros trabalhos não sejam bacanas.
É justamente o que acontece com Pagando bem, que mal tem?, mais uma produção muito aguardada que não alcança o nível de exigência dos fãs daquele Kevin Smith lá dos idos de 1994. Não é genial, de fato. Porém, há ingredientes que trazem a marca do realizador: temática polêmica, diálogos bem trabalhados, personagens incomuns, trilha sonora esperta e referências à cultura pop - exatamente o que fez de O Balconista um sucesso. A diferença está na imprevisibilidade dos velhos tempos de cineasta independente.
O filme conta a história de um casal de amigos desde o colégio que mora junto e precisa rebolar para pagar as contas. Para sanar as dívidas, decidem fazer um filme pornográfico. Apesar do roteiro previsível, ainda assim é fácil acompanhar o desenrolar da história. O casal protagonista, Seth Rogen e Elizabeth Banks, está em boa sintonia. O resto do elenco ajuda, com participações de velhos conhecidos como Jeff Anderson, o balconista malvado da videolocadora no filme de 94, e Jason Mewes, o eterno Jay. De quebra, Traci Lords, autoridade quando o assunto é pornografia.
Não é tão genial quanto O Balconista, mas rende uns bons minutos de diversão.










