
O nono capítulo da saga de Franz Biberkopf deixa um pouco de lado os conflitos pessoais do protagonista para situar o espectador no momento histórico que a Alemanha atravessava, durante a República de Weimar.
Logo após a Primeira Guerra Mundial, o desemprego assolava os alemães. A economia do país estava estagnada e crescimento algum era registrado. Tempos difíceis para Franz. Ele acaba ilustrando exatamente o que comumente ocorria nas classes inferiores da República de Weimar: a dificuldade em conseguir um trabalho digno que sustente seu modo de vida. Por isso mesmo, opta por voltar à labuta de cafetão, alegando ser vítima de um sistema excludente, o parlamentarismo. Mais precisamente, alegando ser vítima do capitalismo então vigente.
Franz começa uma reflexão política ao presenciar um comício sobre ideais socialistas. No discurso está a base do sentimento que, mais tarde, proporcionou a Hitler e seu partido ascenderem ao poder com apoio majoritário da população alemã. Desse movimento surgiu o Nacional Socialismo, ou seja, o nazismo.
O exame minucioso da sociedade alemã era tema recorrente na filmografia de Fassbinder. O diretor era notoriamente reconhecido por retratar a Alemanha e seus pormenores em diversas épocas diferentes.
Portanto, num épico como Berlin Alexanderplatz, um capítulo de cunho histórico não poderia faltar.
2 comentários:
Até entendo que um capítulo como esse não poderia faltar na série, mas eu gosto mais de ler aqui sobre aqueles capítulos que enfocam o Franz e a constante tentação em que ele vive entre a vida longe daquilo que ele conhecia e a vida como cafetão... :-)
Kamila, aqui nesse episódio ele já assume abertamente que é cafetão! E é esse ofócio, ao que tudo indica, que vai trazer muitos problemas no relacionamento com Mieze...
Bjs!
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