
A Argentina tem um cinema sólido. Há um bom tempo. Incontestáveis os talentos que eles têm em todas as áreas técnicas: bons diretores, bons atores, bons roteiristas, bons diretores de fotografia e por aí vai. O segredo dos seus olhos levou a estatueta daquela academia como o melhor filme estrangeiro - decisão que não deve ter sido nada fácil, dado o nível dos concorrentes. Porém, o prêmio coroa mais do que um filme - trata-se de uma honra ao mérito pela qualidade da arte cinematográfica produzida no país.
Juan José Campanella, um ótimo diretor, filma um roteiro bastante denso e instigante, interpretado pelo excelente Ricardo Darín. A película conta a história de um investigador que, ao se aposentar, decide escrever um livro no qual retoma as memórias sobre um grotesco assassinato, cujos meandros permanecem desconhecidos. Com uma cronologia muito bem sacada, os elementos que compõem a trama vão sendo apresentados, para culminar em um desfecho bastante pungente.
Campanella tem pulso firme e imprime estilo à direção. Seus atores rendem, suas marcações funcionam e o argumento flui com facilidade. O único porém fica com a cena imediatamente antes dos créditos finais, patética, desnecessária, que alivia o espectador de toda a carga dramática construída ao longo de mais de duas horas de projeção. Ainda assim, nada que prejudique a fruição daqueles que curtem uma boa trama de suspense.
Eu nem sabia, mas meu amigo Pascarella, publicitário e cinéfilo, me mostrou como os filmes argentinos também fazem sucesso no mundo da propaganda. De fato, os caras dominam a linguagem. Prova disso é a premiada série de anúncios de um festival de cinema independente (vejam só o tema) que acontece na cidade de Buenos Aires. Confira aqui.






