
E lá fomos nós, domingão, levar a pequena para mais uma sessão de cinema. A promessa era a de assistir a uma animação que tivesse o mesmo apelo dos trabalhos anteriores do diretor brasileiro Carlos Saldanha, responsável pelo sucesso da franquia A Era do Gelo (foi co-diretor do primeiro e dirigiu os dois seguintes). Dessa vez, ele criou uma história na qual duas raras araras azuis se perdem no Rio de Janeiro, em pleno Carnaval. Uma propaganda que foi bem recebida pelo governo do Estado, prestes a sediar duas importantes competições esportivas que alavancam o turismo: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Mas será que o filme dá mesmo esse empurrãozinho?
O roteiro mostra Blu, último macho da espécie, que vive em Minessota, Estados Unidos, viajando com sua dona para o Rio, ao encontro de Jade, última fêmea criada por um biólogo carioca. O cativeiro, guardado por um segurança mequetrefe, é arrombado. Os pássaros são capturados e levados para a favela. Agora, precisam da ajuda de outros pássaros para escapar do comércio ilegal de aves silvestres.
Minha filha adorou o filme! Tanto que tivemos que comprar dois mac lanches felizes para levar para a casa dois bonecos de plástico do filme - a saber, o casal protagonista. Porém, que os governantes pensem bem antes de indicar o filme a investidores ou aos membros dos respectivos comitês organizadores das supracitadas competições esportivas. Há macacos que roubam estrangeiros em pontos turísticos, um menor de idade que integra uma quadrilha e pilota motocicleta, estereotipagem da favela como um lugar assustador e até mesmo chacota com a polícia militar, que é incapaz de solucionar o furto das aves ou de tomar qualquer atitude que indique uma pista.
Outro ponto que pode ser um problema para os pequenos espectadores é o tempo de projeção, que tem mais de uma hora e meia. Pelos menos, Rio é dirigido por um brasileiro. Melhor ainda, um carioca. Por isso, nada de rumba, salsa, conga, maracas, mariachis etc.







