
Como é bom perceber que o cinema brasileiro tem identidade e linguagem próprias. Um tempo diferente, com diálogos que mais parecem conversas e uma câmera tranqüila, que fica perambulando pelo meio de personagens cheias de vida e conflitos.
Karim Aïnouz é tido como um diretor que extrai até a última gota de suor dos seus dirigidos. Elenco é um dos pontos fortes deste filme. Para começar, foi feita uma preparação corporal extenuante com todos os atores, que foram imersos na pequena e pacata cidade do agreste onde a história é ambientada. Usavam roupas como os locais, comiam com os locais, falavam como os locais e, não demorou muito, eram confundidos com locais. Prova disso era a incessante pergunta sobre quando os atores do "tal filme" iam chegar na cidade.
Para dar ainda mais veracidade ao roteiro, Hermila Guedes interpreta Hermila, Maria Menezes interpreta Maria, João Miguel interpreta João e assim todos passam a ter seus nomes confundidos com seus papéis. É como se observássemos uma história real, quase como um documentário. E olha que a história nem é tão nova assim: uma jovem volta ao nordeste após tentar a vida em São Paulo, com filho no colo e sonhos de uma vida melhor. Na falta de dinheiro e perspectivas, acaba escolhendo caminhos tortuosos. O que difere essa história das tantas outras é a maneira como a liguagem cinematográfica é utilizada.
Um belíssimo filme, digno da boa prata da casa.












