
Buscando fugir do rigor e da austeridade que norteavam a Nouvelle Vague, o cineasta francês Louis Malle resolveu, em 1960, filmar uma comédia rasgada. Adaptou para a tela grande um romance publicado apenas um ano antes, o homônimo Zazie no metrô. Porém, mesmo tentando se distanciar do enfoque proposto pela "nova onda", realizou uma obra bastante caprichada, charmosa e repleta de ousadia estética.
O roteiro conta a história de Zazie (a ótima Catherine Demongeot), uma menina de 12 anos, desbocada e desinibida, que chega a Paris para passar dois dias com o tio (Philippe Noiret, fantástico). Impedida de conhecer o metrô da cidade, que está em greve, ela flana livremente pelas ruas, conhecendo tipos estranhos e arrumando encrenca. Mais do que uma simples comédia, o filme funciona como uma divertida observação dos costumes da sociedade francesa da época, evocando de forma descontraída discussões sobre a arte e a sexualidade.
O que realmente chama a atenção no filme de Malle é a montagem, absolutamente estonteante! Com o rigor técnico de sempre, o diretor cria sequências inesquecíveis. Os frames são manipulados em diferentes velocidades, o que remete à fotografia das antigas produções cômicas do cinema mudo. A música, orquestrada, acompanha cada ação com precisão jônica. Os atores obedecem a marcações quase teatrais, e é isso que proporciona jogos de cena bastante criativos, usando apenas a câmera e a edição para criar efeitos cômicos.
Duas sequências inesquecíveis demonstram o talento de Malle, anos-luz à frente de seus contemporâneos: uma perseguição cartunesca que começa num mercado de pulgas e uma visita nada convencional à Torre Eiffel. É de bater palmas em pé, sozinho, na sala da sua casa!
Maravilhoso!
8 comentários:
Dudu, fico até com vergonha de dizer que não conferi mais este filme postado aqui! Mas, como sempre, as dicas ficam sempre anotadas para serem conferidas em oportunidades futuras. Beijos!
opaa
nunca tinha ouvido falar desse filme
nao me atrai mto heheheh
post novo
http://publicandobr.blogspot.com/2010/04/propaganda-ibanez-portifolio.html
Sempre tive boas referência em relação a esse filma, só não sabia que se tratava de uma comédia rasgada! Deve ser no mínimo curioso, vindo do Malle. Boa dica!
Kamila, esse é um filme que realmente vale a pena conferir! Aliás, os filmes do Malle valem a pena! Vou ficar de olho no seu blog para ver quando você vai escrever sobre um filme dele, hein?
Airton, olha lá, hein? Vale a pena se interessar...
Suh, se você é "cinéfola" rs... vai gostar de conhecer não só esse, mas a filmografia do Louis Malle. O cara é um monstro, anos-luz à frente dos seus contemporâneos. Talvez ele e Alain Resnais estejam no mesmo degrau. São os dois franceses que admiro muito. Seja muito bem-vinda por aqui. Espero que volte sempre mesmo!
Rafael, e é impressionante como o Malle inova trabalhando com a comédia! Tô falando: a sequência do mercado das pulgas é de querer bater palmas sozinho em casa!
Bjs e abs!
Adoro qualquer coisa que tenha o francês no meio. Fiquei curioso!
Robson, Louis Malle é um dos meus diretores prediletos. Vale muito a pena conferir esse filme. O melhor dele, dos que eu vi até agora, foi "Ascensor para o cadafalso".
Abs!
quero ver :)
onde encontro?
Maria, não é um filme fácil de achar em locadoras. Eu o baixei. Se você não conseguir, eu copio o arquivo pra vc e te mando pelo correio, ok?
Bjs!
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