Somos a sexta economia do mundo e continuamos galgando posições. Nada a comemorar. Na verdade, isso nada mais é do que o reflexo da crise do crédito, que começou nos Estados Unidos e foi se alastrando pela Europa, começando com os bancos islandeses. O colapso do capitalismo estava apenas começando. Em Inside job, Charles Ferguson faz uma espécie de cartilha "for dummies", explicando em linguagem simples os complexos desdobramentos da crise - da primeira fagulha, até o rescaldo do incêndio.
O material que o diretor recolheu é um valioso documento. Sua habilidade em conduzir entrevistas é espantosa. Ele consegue deixar sem graça banqueiros e diretores de grandes instituições financeiras do governo. Alguns, como um decano de uma das mais famosas (será que ainda é?) escolas de economia do mundo, chegam a gaguejar diante dos absurdos que cercam os fatos. Esse mesmo sujeito, em seu currículo, muda o nome de um artigo que, antes da crise, elogiava a solidez dos bancos islandeses. Vê-lo explicando por que o título mudou, agora criticando os pobres banqueiros da terra de Björk, chega a ser patético.
Mesmo a narração de Matt Damon e a premiação do filme no Oscar não atrapalham o tom do discurso. Por incrível que pareça, não sobra nem para o Obama. Ferguson joga a merda no ventilador. É uma aula de cine-documentário, que seria uma boa oportunidade para ensinar como criticar com contundência sem perder o foco no objeto.
quarta-feira, dezembro 28, 2011
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