
Esta não é uma sexta-feira qualquer. É simplesmente o dia em que estreia no circuitão um dos filmes mais aguardados do ano: Abraços partidos, do Almodóvar. Trata-se de uma produção sobre o ofício de se fazer filmes. É como o próprio protagonista diz, em uma frase emblemática: "é preciso terminar os filmes, ainda que no escuro". Eu fiz a resenha para a Revista Programa, do Jornal do Brasil. Para aqueles que não podem comprar uma cópia, ou seja, para quem não é carioca, segue abaixo o que eu escrevi por lá.
Os filmes de Pedro Almodóvar sempre causaram impacto pela sensibilidade com a qual a excentricidade e o melodrama foram tratados. Abraços Partidos, nova película do realizador espanhol, é uma produção diferenciada, que transforma o exagero estético que o consagrou em um artifício para falar sobre o próprio ofício de contar histórias. No caso, boas histórias.
Por isso, no decorrer da projeção, as tais “cores de Almodóvar” - a comédia rasgada e os diálogos exagerados - colocam-se a serviço de um metafilme dirigido pelo protagonista da história - um cineasta que fica cego após um trágico acidente. Aos poucos, a trama vai sendo desvendada. Com maturidade e segurança, Almodóvar conduz o olhar do espectador por um roteiro cheio de mistério. Quase um thriller, com boas doses de film noir.
Locações, fotografia e montagem permanecem impactantes, bem como a direção de atores. Aliás, ninguém filma Penélope Cruz como Almodóvar. As cenas de sexo também chamam a atenção pela plasticidade e sobriedade. O resultado é um filme enxuto, atraente e original, no qual o próprio diretor se recria sem perder o charme. Uma aula de como fazer cinema, literalmente.
12 comentários:
Fiquei curioso. Gosto dos poucos trabalhos de Almodóvar que vi. E o que me chamou a atenção foi a questão do cinema. De como é feito. Existem outrso filmes mas nunca me interessei, e Almodóvar é Almodóvar né? Com Penélope então. Fato que irei conferir!
O Vinícius achou este filme bem intrincado. Você achou o contrário. Continuo interessada em assistir ao filme! Almodóvar é Almodóvar.
Beijos!
Oi Eduardo, tudo bem?
Pois é, ainda não vi Abraços partidos. Desconfio porém, de que o apreciarei tanto quanto vc.
Seu blog já está linkado lá no meu claquete. Grande abraço!
Tô doida pra ver... ainda não estreou por aqui, vou ficar de olho na próxima sexta!
Realmente Dudu, filme esperadíssimo. Eu só devo assistir ao fim do mês. Almodóvar é sempre imperdível.
Robson, eu acho que o cara tem uma paixão por contar boas histórias. é isso que ele faz novamente. O filme é lindo.
Kamila, eu até entendo quem acha o filme "intrincado". Mas não concordo mesmo: é Almodóvar na veia! Talvez não da maneira como os fãs queriam. Mas adoro ser surpreendido como fui aqui.
Reinaldo, se você curte o trabalho do cara, acredito que vai gostar bastante. Até porque é um filme sobre cinema.
Maria, você tem um quê de Almodóvar no que escreve - minha opinião, tá? rs... Aliás, é um elogio! Então, fique de olhos bem abertos!
Rafael, depois volte por aqui para dizer o que achou, combinado?
Bjs e abs a todos!
Almodovar está cada vez mais maduro em seus filmes. É um dos poucos que ainda têm uma assinatura. Você vê o filme e saca logo: "é um legítimo Almodovar!"
Dougra, concordo plenamente com vc: decara, dá para perceber a alma do Almodóvar por ali. Muita gente diz o contrário. Eu fecho contigo.
Abs!
Ansioso pra ver, deixei passar este, pode?
Cristiano, não pode! hahahaha! Você, como apreciador do bom cinema, precisa conferi-lo o mais breve possível. Depois volta aqui pra dizer o que achou.
Abs!
Sou do Rio e li sua crítica na revista Programa. Gostei bastante do filme, como gosto de praticamente tudo que vem de Almodóvar. Só acho que ele ainda não superou o Fale com Ela, mas também, nem sei se tem como...
Thays, que bacana! Sabe que "Fale com ela" também é um dos meus filmes preferidos dele? Eu também gosto muito de "Maus hábitos". Também não achei "Abraços partidos" a obra-prima dele, mas é melhor do que 95% das produções contemporâneas.
Abs!
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