
Ken Loach é o cara por trás de belíssimos filmes de cunho político e social, como Pão e rosas e Ventos da liberdade. Portanto, quando o circuito oferece uma nova realização do diretor, a expectativa é bastante alta. Ainda mais com a chuva de elogios rasgados que À procura de Eric recebeu.
A premissa é bastante divertida: Eric Bishop (o ótimo Steve Evets) é um carteiro em crise existencial e cheio de problemas familiares. Como grande parte dos ingleses (e, por que não, dos brasileiros?), ele tem no futebol o seu refúgio. Torcedor fanático do Manchester United e admirador do famoso jogador Eric Cantona, começa a receber a visita do craque francês depois de fumar um baseado. Cantona começa a dar lições de vida ao seu xará, usando todo a seu experiência como ídolo.
Apesar do tom cômico, o filme mantém um discurso social, utilizando a família de Eric como artifício para falar da falta de perspectiva da classe média britânica. Tudo vai muito bem. Até chegar o terço final, quando Loach resolve montar um desfecho farsesco, que destoa um pouco do resto do roteiro. Apesar de não ser desinteressante, a resolução da trama se dá por vias inverossímeis demais, abandonando uma perspectiva mais profunda nos conflitos pessoais do protagonista.
Vindo de Ken Loach, esperava muito mais. Ainda assim, é mais filme do que muita porcaria em cartaz por aí.
3 comentários:
Júnior Baiano os cacetes, Eric Cantona era verdadeiro rei da tesoura voadora. E agora no cinema! Que momento!
Dudu, acho que desde o início, a partir das aparições do Cantona, o filme adota um tom de farsa, de fábula, e o tom ingênuo da sequência final é mais um golpe do filme que traz um frescor pouco visto nos filmas mais politizados do cara. David Evets está ótimo.
Márcio, meu querido, Pode crê que ele era o cara! rs... Nos créditos finais tem uma cena dele, numa coletiva de imprensa, que é impagável! Aproveite para ver enquanto está nos cinemas!
Rafael, pois é... O tom farsesco se dá logo no começo, mas ele permanece entrelaçado com as questões sociais que o Loach aborda tão bem, em todos os seus filmes. Achei aquele final, pra dizer a verdade, bobo demais - apesar de bem bolado visualmente. Ele simplsmente elimina a questao social que estava abordando durante todo o resto do filme.
Abs!
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