Talvez o mais bacana de Tá chovendo hamburguer seja o título em inglês, que traduzido literalmente faz uma brincadeira com a previsão do tempo. Mais ou menos um "nublado com possibilidade de almôndegas". A animação é baseada num livro homônimo, que faz muito sucesso entre a garotada estadunidense. Também, imagine só, chover hambúrguer é um negócio bem bacana de se imaginar.
O roteiro conta a história de Flint, um inventor desacredito por todos, inclusive a própria família. No entanto, consegue inventar uma máquina que faz cair do céu várias guloseimas - na verdade, o invento era para transformar água em comida. Só que a invenção acaba fugindo de seu controle. O que parecia ser a salvação econômica para a cidade, que vive um momento de crise por conta do fechamento de uma fábrica de sardinha em lata, acaba se tornando um fardo. E o único capaz de consertar tudo é Flint, ajudado por uma repórter... do tempo!
A animação foi concebida para ser uma experiência visual arrebatadora em IMAX 3D. Vi na tela do netbook e foi legal... Há situações divertidas, bons diálogos e algumas referências interessantes a outros filmes. A criançada com certeza vai gostar.
terça-feira, dezembro 27, 2011
#79 - As canções, de Eduardo Coutinho
Eu perdi a oportunidade de falar com Eduardo Coutinho quando da cabine de imprensa de Lula, o filho do Brasil - aquela coisa tosca. Pensei: será que é o Eduardo Coutinho sentado ali no foyer? Não pode ser... Porra, o que o cara vai estar fazendo a essa hora da manhã (eram 10h30) numa sessão para jornalistas? Era ele mesmo. Quando me dei conta, já estava cercado por um punhado de gente "famosa". O preâmbulo acima foi para ilustrar a minha admiração pelo trabalho dele.
Fui ver As canções cheio de expectativas. Ao final da sessão, todas elas foram correspondidas. Coutinho é fera em extrair contundência da simplicidade. Partindo de um tema ordinário, a música como memória afetiva - bem além da auditiva -, o diretor consegue um mosaico de personagens, cada um mais interessante do que o outro, todos com histórias incríveis que vão sendo contadas aos poucos, paulatinamente, conforme a câmera vai ganhando a confiança dos interlocutores. A lente aberta dá tempo suficiente para que a música seja cantada à capela.
O cenário é bastante simples: uma poltrona escura em primeiro plano. Ao fundo, uma cortina preta, por onde entram e saem os personagens, numa espécie de espetáculo íntimo. Simplesmente genial! Um dos documentários mais interessantes dos últimos tempos.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
#78 - Em casa para o Natal (Hjem til jul), de Bent Hamer
Dezembro é o mês dos filmes de Natal, a grande maioria voltada para a família, enaltecendo valores e dando lições de vida. Talvez pela primeira vez em anos, chega ao circuito uma produção natalina que não é estadunidense e nem se trata de uma comédia de costumes. Alguns desavisados podem escolher o norueguês Em casa para o Natal como programa vespertino às vésperas das festas de fim de ano. No entanto, estejam avisados: trata-se de um drama sobre quem, justamente, não gosta de Natal.
O argumento é mais do mesmo: na fatídica noite comemorativa, vários personagens perambulam pela cidade em busca de conforto e redenção espiritual. Suas histórias são contadas de forma paralela. Devido ao curto espaço de projeção, além do tempo dramático mais lento do que o habitual, nenhuma delas é bem desenvolvida. Apenas uma - a de um pai que é proibido pela ex-mulher de voltar para casa para festejar o Natal com os filhos - merecia um filme à parte. De resto, um amontoado de clichês faz de Em casa para o Natal uma produção como outra qualquer. Tem neve, tem Papai Noel, tem ceia, tem musiquinha tristonha, tem gente aprendendo com os erros, tem gente fazendo autoanálise e tem até – pasmem - um parto que evoca o nascimento de Jesus. A diferença é que todos falam norueguês. Ou quase todos: há um médico que fala inglês.
O desfecho é particularmente constrangedor, com a contemplação de uma aurora boreal esverdeada banhando um céu estrelado. A conexão narrativa com a boa sequência inicial só é desvelada ao final, e é capaz de frustrar ainda mais a experiência do espectador. Ou seja, o Natal ainda será, este ano, uma época de safra irregular para o circuito cinematográfico. Nem os países nórdicos foram capaz de salvar a data.
O argumento é mais do mesmo: na fatídica noite comemorativa, vários personagens perambulam pela cidade em busca de conforto e redenção espiritual. Suas histórias são contadas de forma paralela. Devido ao curto espaço de projeção, além do tempo dramático mais lento do que o habitual, nenhuma delas é bem desenvolvida. Apenas uma - a de um pai que é proibido pela ex-mulher de voltar para casa para festejar o Natal com os filhos - merecia um filme à parte. De resto, um amontoado de clichês faz de Em casa para o Natal uma produção como outra qualquer. Tem neve, tem Papai Noel, tem ceia, tem musiquinha tristonha, tem gente aprendendo com os erros, tem gente fazendo autoanálise e tem até – pasmem - um parto que evoca o nascimento de Jesus. A diferença é que todos falam norueguês. Ou quase todos: há um médico que fala inglês.
O desfecho é particularmente constrangedor, com a contemplação de uma aurora boreal esverdeada banhando um céu estrelado. A conexão narrativa com a boa sequência inicial só é desvelada ao final, e é capaz de frustrar ainda mais a experiência do espectador. Ou seja, o Natal ainda será, este ano, uma época de safra irregular para o circuito cinematográfico. Nem os países nórdicos foram capaz de salvar a data.
sábado, dezembro 17, 2011
#77 - Ganhar Ganhar (Win Win), de Thomas McCarthy
Normalmente, Paul Giamatti se envolve em projetos bastante interessantes. Ganhar Ganhar confirma isso. Um filme independente que investe muito mais nos personagens do que na direção de arte, no figurino ou na fotografia. Foi exibido no festival internacional, aqui no Rio, e chamou a atenção do público e da crítica como uma grata surpresa.O roteiro conta a história de Mike Flaherty, um advogado que enfrenta sérios problemas financeiros. Nas horas vagas, treina a equipe de luta-livre da escola da cidade. Certo dia, ele passa a ser o tutor de um de seus clientes, que se torna incapaz pela senilidade. A surpresa é um garoto misterioso, calado e introspectivo, que aparece na porta de sua casa. Diz ele ser o neto do tal cliente senil. Mike passa, então, a cuidar do garoto - e descobre que ele é uma fera da luta-livre.
O argumento toca, com delicadeza, nos tênues limites entre o egoísmo e o altruísmo. Como em qualquer outro filme independente, os diálogos são bem trabalhados. Porém, o destaque, mesmo, fica com o elenco, brilhante, irretocável. Os personagens, bem heterogêneos, ganham ainda mais força com a entrega dos atores.
Veja, que você só tem a ganhar - nossa, péssima essa, hein?
#76 - Hesher, de Spencer Susser
Vai ter gente achando que estou exagerando, mas Hesher é uma espécie de Teorema - sem, obviamente, a intensidade erótica e provocante que consagrou Pasolini. Porém, o argumento é bem parecido. Seguinte: um sujeito estranho, que dá nome ao filme, se instala na casa de uma família à beira de um colapso. No entanto, é ele que, usando de métodos nada tradicionais, vai conseguir transformar a vida de cada uma das pessoas com quem vai ter dois minutos de contato. Principalmente a vida de TJ, um menino que sofre bullying na escola e que tem dificuldades em se relacionar com o pai.
Hesher, interpretado magistralmente por Joseph Gordon-Levitt, é um sujeito que vive dirigindo um furgão velho, ouvindo Metallica (que é a trilha sonora do filme) no último volume (aliás, notem a tipografia do título) e se envolvendo em episódios de pirofagia. Num belo dia, TJ cruza o seu caminho. A partir daí, Hesher não sai mais da cola do garoto, para o bem e para o mal.
O roteiro é excelente, com reviravoltas surpreendentes e nem um pingo de moralismo. Há a lição pela qual a família tem que passar para se reestruturar, mas em nenhum momento o filme apela para a pieguice. Pelo contrário, todas as ações de Hesher são condenáveis e irresponsáveis.
Um ótimo filme, que nem deve ganhar exibição por aqui tão cedo - lamentavelmente.
Hesher, interpretado magistralmente por Joseph Gordon-Levitt, é um sujeito que vive dirigindo um furgão velho, ouvindo Metallica (que é a trilha sonora do filme) no último volume (aliás, notem a tipografia do título) e se envolvendo em episódios de pirofagia. Num belo dia, TJ cruza o seu caminho. A partir daí, Hesher não sai mais da cola do garoto, para o bem e para o mal.
O roteiro é excelente, com reviravoltas surpreendentes e nem um pingo de moralismo. Há a lição pela qual a família tem que passar para se reestruturar, mas em nenhum momento o filme apela para a pieguice. Pelo contrário, todas as ações de Hesher são condenáveis e irresponsáveis.
Um ótimo filme, que nem deve ganhar exibição por aqui tão cedo - lamentavelmente.
#75 - Submarine, de Richard Ayoade
Negativo, não estou me confundindo. Nem querendo confundir você, donairoso leitor. Quer dizer, mais ou menos: coloquei a resenha de Submarine logo após a de Submarino meio de propósito mesmo. No entanto, são dois filmes completamente diferentes. Este aqui me chamou a atenção por causa do diretor, ninguém menos que o fantástico e talentoso Richard Ayoade - a saber, o infame Moss do seriado britânico The IT Crowd (ao lado de Flight of the Conchords, os únicos dois seriados de TV que eu acompanhei com entusiasmo e afinco). E não é que o cara mandou bem na direção?
O filme conta a história de Oliver (o ótimo Craig Roberts), um jovem que traça um objetivo de vida: perder a virgindade antes do próximo aniversário. Desajeitado com o sexo oposto, acaba se envolvendo com uma excêntrica colega de turma, Jordana (a também ótima Yasmin Paige). Ao contrário da maioria dos filmes do gênero, nos quais adolescentes com hormônios descompensados buscam desesperadamente o coito, Submarine é um retrato tragicômico da descoberta do amor e do sexo. Envolve não somente os jovens, mas também suas respectivas famílias.
Além do excelente roteiro, a edição é caprichada e a trilha sonora é descolada. O elenco ainda conta com Sally Hawkins, ótima. Trata-se de um filme muito fácil de se gostar. Tão fácil quanto dar risadas intermináveis com as esquisitices de Moss.
O filme conta a história de Oliver (o ótimo Craig Roberts), um jovem que traça um objetivo de vida: perder a virgindade antes do próximo aniversário. Desajeitado com o sexo oposto, acaba se envolvendo com uma excêntrica colega de turma, Jordana (a também ótima Yasmin Paige). Ao contrário da maioria dos filmes do gênero, nos quais adolescentes com hormônios descompensados buscam desesperadamente o coito, Submarine é um retrato tragicômico da descoberta do amor e do sexo. Envolve não somente os jovens, mas também suas respectivas famílias.
Além do excelente roteiro, a edição é caprichada e a trilha sonora é descolada. O elenco ainda conta com Sally Hawkins, ótima. Trata-se de um filme muito fácil de se gostar. Tão fácil quanto dar risadas intermináveis com as esquisitices de Moss.
domingo, dezembro 11, 2011
#74 - Submarino, de Thomas Vinterberg
Thomas Vinterberg foi um dos participantes do movimento Dogma, encabeçado por Lars Von Trier como um exercício cinematográfico que se opunha à ideia de cinema como mero produto. Sem dúvida, Vinterberg aproveitou ao máximo a experiência. Tornou-se conhecido internacionalmente com o tenso Festa de família. Agora, com Submarino, o diretor demonstra uma capacidade espantosa de retratar dramas humanos.
O roteiro conta a história de dois irmãos cuja mãe é uma alcoólatra desgostosa da vida. Por isso, são eles que cuidam de um bebê. No entanto, uma tragédia marca para sempre a vida de ambos. Separados pelas circunstâncias, acabam se reencontrando. O espectador acompanha, com requintes narrativos, a trajetória de cada personagem.
Gustav Fischer Kjærulff e Jakob Cedergren, os dois irmãos protagonistas, impressionam pela entrega a seus personagens. A fotografia, cheia de claridade na infância, e escurecida na idade adulta, contribui para o clima de desolação. Trata-se de uma experiência bastante intensa. E válida.
O trocadilho pode soar infame, mas Submarino é sobre isso mesmo: até onde o ser humano aguenta a submersão.
O roteiro conta a história de dois irmãos cuja mãe é uma alcoólatra desgostosa da vida. Por isso, são eles que cuidam de um bebê. No entanto, uma tragédia marca para sempre a vida de ambos. Separados pelas circunstâncias, acabam se reencontrando. O espectador acompanha, com requintes narrativos, a trajetória de cada personagem.
Gustav Fischer Kjærulff e Jakob Cedergren, os dois irmãos protagonistas, impressionam pela entrega a seus personagens. A fotografia, cheia de claridade na infância, e escurecida na idade adulta, contribui para o clima de desolação. Trata-se de uma experiência bastante intensa. E válida.
O trocadilho pode soar infame, mas Submarino é sobre isso mesmo: até onde o ser humano aguenta a submersão.
sábado, dezembro 10, 2011
#73 - A vida durante a guerra (Life during wartime)
A vida durante a guerra é a continuação de um dos filmes mais perturbadores do cinema estadunidense: Felicidade. Em 1998, Todd Solondz dava início a uma contundente e voraz crítica à sociedade americana. Fruto de um esforço vindo do underground cinematográfico, pouco tempo depois copiado pelo mainstream - que tem em Beleza americana, um filme cujo argumento é bem meia-boca e chapa branca, o seu apogeu.
Mais um vez, após empreitada hercúlea, Solondz conta uma história densa, sinistra, com um humor que faz o espectador sorrir amarelado, de canto de boca. Joy, a protagonista de Felicidade, está de volta. Ela é o centro da narrativa, que costura a vida de pessoas comuns. A cena de abertura é dolorosamente bela, e dá uma boa prévia do que virá pela frente.
A vida durante a guerra é magistralmente bem filmado. Sua fotografia desbotada e bolorenta dá tons mais intensos aos perturbadores diálogos. Todo o elenco se doa irretocavelmente, com méritos à direção de atores, um dos pontos fortes de Solondz. Nada parece artificial no filme.
Critica melhor quem não tem o rabo preso.
Mais um vez, após empreitada hercúlea, Solondz conta uma história densa, sinistra, com um humor que faz o espectador sorrir amarelado, de canto de boca. Joy, a protagonista de Felicidade, está de volta. Ela é o centro da narrativa, que costura a vida de pessoas comuns. A cena de abertura é dolorosamente bela, e dá uma boa prévia do que virá pela frente.
A vida durante a guerra é magistralmente bem filmado. Sua fotografia desbotada e bolorenta dá tons mais intensos aos perturbadores diálogos. Todo o elenco se doa irretocavelmente, com méritos à direção de atores, um dos pontos fortes de Solondz. Nada parece artificial no filme.
Critica melhor quem não tem o rabo preso.
#72 - Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), de Woody Allen
Quando realiza filmes despretensiosos, Woody Allen pode ser encantador. Porém, há, sim, uma aura de prepotência em outras produções dele, que acabam afastando uma boa parte do público. Independentemente disso, Allen é um diretor de mão cheia, profícuo e competente - goste você, ou não, de seus filmes. Meia-noite em Paris é um meio termo: trata-se de um filme despretensioso demais, mas com uma enxurrada de referências que só aqueles mais chegados à vida cultural vão reconhecer. E aqui, permitam-me dizer, sem pedantismo, de coração: azar de quem não é chegado...
O roteiro de Meia-noite em Paris é delicioso! Conta a história de um aspirante a escritor que, numa viagem a Paris com a noiva, acaba passando por situações que envolvem seus ídolos - tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na música e no cinema. Meia-noite, em uma rua deserta da cidade, um carro antigo lhe dá uma carona diretamente à década de 1920, na efervescente cena cultural parisiense. Lá, encontra Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Cole Porter, Buñuel e uma série de outros mestres. Além disso, acaba se envolvendo com uma jovem que frequenta a casa de Gertrude Stein.
A caracterização dos atores é fenomenal. Owen Wilson, o protagonista, convence o espectador pela primeira vez em sua carreira. A direção de arte é caprichosa e mostra uma Paris ainda mais encantadora do que já é. Impossível não ficar pensando o que eu faria se encontrasse todos aqueles autores, cineastas, pintores, músicos. Gente que eu julgo conheçar tamanha a identificação com suas obras.
No fim das contas, Meia-noite em Paris é cinema despretensiosamente pedante - o que é um baita elogio! Um dos filmes mais deliciosos do ano.
O roteiro de Meia-noite em Paris é delicioso! Conta a história de um aspirante a escritor que, numa viagem a Paris com a noiva, acaba passando por situações que envolvem seus ídolos - tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na música e no cinema. Meia-noite, em uma rua deserta da cidade, um carro antigo lhe dá uma carona diretamente à década de 1920, na efervescente cena cultural parisiense. Lá, encontra Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Cole Porter, Buñuel e uma série de outros mestres. Além disso, acaba se envolvendo com uma jovem que frequenta a casa de Gertrude Stein.
A caracterização dos atores é fenomenal. Owen Wilson, o protagonista, convence o espectador pela primeira vez em sua carreira. A direção de arte é caprichosa e mostra uma Paris ainda mais encantadora do que já é. Impossível não ficar pensando o que eu faria se encontrasse todos aqueles autores, cineastas, pintores, músicos. Gente que eu julgo conheçar tamanha a identificação com suas obras.
No fim das contas, Meia-noite em Paris é cinema despretensiosamente pedante - o que é um baita elogio! Um dos filmes mais deliciosos do ano.
sexta-feira, dezembro 09, 2011
#71 - O Gato de Botas (Puss in boots), de Chris Miller
Olha aí o Antonoi Banderas de novo no blog... Hoje estreou O Gato de Botas, nova animação do pessoal da Dreamworks. Fiz a crítica para o Jornal do Brasil, e compartilho com vocês logo abaixo.
A Dreamworks teve uma excelente ideia quando resolveu que um dos personagens mais interessantes da turma de Shrek ganharia um filme só para ele. O Gato de Botas, de certa forma, dá um refresco à franquia do ogro verde, que vinha em desabalada decrescência.
Desta vez, o personagem criado por Charles Perrault no século XVII se envolve numa trama que mistura o pé-de-feijão, seres oriundos de parlendas e até o mito de Zorro, o espadachim justiceiro. Anos após ter sido traído por Humpty Dumpty, seu amigo de infância que tem formato oval, os dois se reencontram e se veem novamente diante de um projeto ousado: plantar os feijões mágicos, subir no castelo do gigante e capturar a galinha dos ovos de ouro - que, no caso, ainda é um pintinho. Quem os acompanha é Kitty, uma gata com habilidades para furtos mirabolantes. Os três também precisam fugir da concorrência de um casal de experientes e temidos bandidos.
A personalidade do Gato de Botas, arisco e egocêntrico, é bem explorada. As piadas funcionam e a edição ousa de vez em quando, criando sequências de ação e perseguição interessantes. As referências aos contos infantis estão lá - assim como em Shrek -, mas de forma bem mais sutil.
No fim das contas, O Gato de Botas é tão interessante quanto o primeiro Shrek. Quem sai ganhando é a criançada, que vai ter mais uma opção de ídolo para virar tema decorativo de suas festas.
A Dreamworks teve uma excelente ideia quando resolveu que um dos personagens mais interessantes da turma de Shrek ganharia um filme só para ele. O Gato de Botas, de certa forma, dá um refresco à franquia do ogro verde, que vinha em desabalada decrescência.
Desta vez, o personagem criado por Charles Perrault no século XVII se envolve numa trama que mistura o pé-de-feijão, seres oriundos de parlendas e até o mito de Zorro, o espadachim justiceiro. Anos após ter sido traído por Humpty Dumpty, seu amigo de infância que tem formato oval, os dois se reencontram e se veem novamente diante de um projeto ousado: plantar os feijões mágicos, subir no castelo do gigante e capturar a galinha dos ovos de ouro - que, no caso, ainda é um pintinho. Quem os acompanha é Kitty, uma gata com habilidades para furtos mirabolantes. Os três também precisam fugir da concorrência de um casal de experientes e temidos bandidos.
A personalidade do Gato de Botas, arisco e egocêntrico, é bem explorada. As piadas funcionam e a edição ousa de vez em quando, criando sequências de ação e perseguição interessantes. As referências aos contos infantis estão lá - assim como em Shrek -, mas de forma bem mais sutil.
No fim das contas, O Gato de Botas é tão interessante quanto o primeiro Shrek. Quem sai ganhando é a criançada, que vai ter mais uma opção de ídolo para virar tema decorativo de suas festas.
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