
Eu fujo de dramalhões que têm intrigas familiares, doentes terminais, revelações bombásticas, gritarias e escândalos. A não ser que o diretor seja Ingmar Bergman, um de meus favoritos, mestre em filmar a psiquê humana em todos os seus detalhes, com tons de crueldade ou simplicidade.
É preciso transitar com facilidade pelo cinema dito erudito para encarar um Sonata de outono. Apesar de ser um dos filmes menos simbolistas do mestre sueco, ainda assim traz uma carga emocional bastante pesada, que não poupa o espectador de testemunhar o estrago que uma relação mal resolvida entre mãe e filha pode proporcionar.
Após a morte de seu companheiro, uma famosa pianista viaja até a casa de sua filha, no interior. Lá, uma complexa teia de acontecimentos vai gerando pequenos conflitos, que culminam em uma delicada e explosiva reflexão sobre os valores familiares. Nos papéis de mãe e filha estão, respectivamente, Ingrid Bergman (em seu primeiro trabalho com o diretor de mesmo sobrenome) e Liv Ullmann - duas atrizes espetaculares em atuações realmente impressionantes.
O capricho de Bergman com roteiro, fotografia, direção de arte, montagem e tudo o mais está lá. Porém, o que impressiona mesmo em Sonata de outono é a simplicidade com a qual o diretor transforma um drama de contornos exagerados em um verdadeiro estudo reflexivo. Um roteiro sem exageros, sem furos, sem clichês. Perfeito.
Filme de verdade!








