É muito reconfortante saber que há gente interessada em, além de fazer cinema, discutir o fazer cinematográfico, o papel dos filmes e, por conseguinte, discutir o seu futuro. Foi o que um dos meus cineastas favoritos, Wim Wenders, propôs em seu média-metragem "Quarto 666".Durante o festival de Cannes de 1982, o diretor reuniu um time de primeira categoria de realizadores para discutir o assunto. A concepção foi a mais simples possível. Em um quarto de hotel, com uma TV ligada, solitariamente, cada um dava seu depoimento sobre diversas reflexões levantadas por Wenders. Por exemplo: os filmes estão ficando cada vez mais televisivos? Os videocassetes vão acabar com as salas de cinema? Vivemos a era da morte da arte cinematográfica? Tópicos que mais tarde, em 1994, Wenders retomaria no fantástico “O céu de Lisboa”.
As opiniões são as mais diversas possíveis. Algumas rasas, outras extremamente contundentes. O mais interessante é perceber os contrastes que já existiam na época entre cinema de arte e cinema comercial - além da constatação de uma produção romanesca de todo o conteúdo da TV. Novas tecnologias (para a época, claro) também entram em atrito com os mais conservadores.
Só um Wim Wenders para reunir tanta gente boa. Ficou claro que as minhas escolhas como cinéfilo foram felizes, pois batem com as minhas convicções. Godard, Antonioni e Herzog dão um show à parte.
Spielberg só fala de cifras. Em dólares.








