quarta-feira, agosto 11, 2010

#63 - Endless bummer, de Sam Pillsbury


As referências, pelo menos a mim, pareciam bastante claras: Endless bummer seria uma paródia do clássico filme de surfe dos anos 60, Endless summer. No caso, "bummer" é uma gíria que significa algo como "chapação", aquela sensação de entorpecimento causado por drogas um pouco mais pesadas. Tratando-se de uma comédia credenciada pela National Lapoon, produtora que tem no currículo filmes de sucesso como Férias frustradas e Clube dos cafajestes, era de se esperar algo no mínimo um pouquinho interessante, que não se levasse tão a sério. Porém, não se trata de uma paródia. E o filme é um fracasso do começo ao fim.

Poucas coisas são tão ruins quanto Endless bummer. O desastre começa com o roteiro quase mongoloide, sobre um jovem surfista que tem sua prancha roubada por um garoto rico. Para recuperar o tal objeto, ele junta seus amigos igualmente tresloucados e parte em busca de pistas. Nada de relevante acontece. O elenco é absurdamente incompetente, de nível iniciante no curso livre de teatro do colégio da esquina. Nem mesmo a presença de Matthew Lillard - que apesar de não ser um bom ator é figura fácil em filmes adolescentes - salva o dia. Interessante observar que há muito dinheiro jogado no lixo aqui. As cenas de surfe são bem filmadas e, por incrível que pareça, o filme é bem editado.

O mais incrível, no entanto, é a presença torta da veterana Joan Jett interpretando uma mendiga louca que vive na praia. Aliás, é a parte musical que quase salva Endless bummer do apedrejamento em praça pública. Tiro o chapéu para a trilha sonora, que desenterra bandas veteranas do punk rock da década de 80/90, como Fear e Wire Train - esta última ganha uma versão muito bacana para a clássica "Chamber of hellos", tocada pela desconhecida Action Design.

Ou seja, poupe seus olhos. O que vale a pena é baixar a trilha sonora.

terça-feira, agosto 10, 2010

#62 - I walked with a zombie, de Jacques Tourneur


Foi lá pela década de 40 que o cinema começou a explorar de forma intensa as figuras dos zumbis. Obviamente, ainda não eram criaturas reanimadas em estado de putrefação que devoravam cérebros. Naquela época, o que assustava a plateia eram os rituais de magia negra, as práticas religiosas de tribos da América Central, os bonecos de vudu e por aí vai. I walked with a zombie é uma produção de 1943, um clássico do cinema de horror, que ilustra bem a forma como a magia e os zumbis eram caracterizados.

No fundo, trata-se de um terror romântico. O filme mostra uma enfermeira canadense que aceita um trabalho em uma ilha do Pacífico. Ela deverá tomar conta da bela esposa de um rico empresário, que se encontra em estado catatônico, sem esperanças de recobrar a consciência. Ou seja, ela vive como uma zumbi. Chegando à mansão, a protagonista começa a se envolver com o tal empresário, praticamente viúvo. Aos poucos, vai descobrindo uma trama repleta de mistérios, que envolve paixão, ganância e magia negra.

De certa forma, o roteiro é meio confuso em relação às práticas religiosas dos habitantes da ilha. Porém, há um punhado de sequências muito bem filmadas, que utilizam artifícios dramáticos eficientes para criar o clima de suspense. O destaque fica por conta da figura realmente assustadora do ator Darby Jones, que deve ter deixado muita gente sem dormir à noite com seu semblante esquisitão. Ele interpreta Carrefour, uma espécie de entidade que protege o santuário do lugar.

Danças frenéticas ao ritmo de tambores, animais sacrificados dependurados em árvores, bonecos cheios de alfinetes espetados e sessões de possessão fazem parte de I walked with a zombie, um filme até que ousado para a época. Tão ousado que, nos créditos finais, avisa: qualquer semelhança com indivíduos vivos, mortos ou possuídos é mera coincidência.

quinta-feira, agosto 05, 2010

#61 - Sex Drive - Rumo ao sexo (Sex Drive), de Sean Anders


Vez em quando, uma comédia idiota faz bem. Nada de sadismo, vejam bem. Pelo título, Sex Drive já sugere um daqueles filmes para não ser levado a sério. Ainda mais pelo subtítulo em português: Rumo ao sexo. E é sobre isso mesmo que o roteiro fala: um jovem virgem, com os hormônios descontrolados, rouba o carro esportivo do irmão mais velho e atravessa os Estados Unidos para descabelar o palhaço com uma linda mulher que conheceu pela internet. Nenhuma novidade.

Entretanto, Sex Drive é uma comédia divertida. Em grande parte porque tem um elenco que dá conta da proposta. Destaque para Clark Duke, que interpreta o amigo do protagonista - um rapaz bastante excêntrico que faz sucesso com as mulheres. As melhores sequências, sem dúvida, são dele. Outra participação que vale destacar é a do veterano Seth Green, no papel de um tresloucado amish (aquele grupo de cristãos que vive como se estivesse no século XVIII).

Conferi a versão uncut do filme. E aí a besteirada rola solta. Talvez até tenham errado a mão na proposta de fazer algo diferente das outras versões uncut que existem por aí. A única diferença para o filme original é que mulheres completamente nuas são inseridas digitalmente, cruzando a tela constantemente. Não fosse o exagero do artifício, que até soa original, funcionaria como uma boa piada.

Sem grandes expectativas, até que vale a pena.

quarta-feira, agosto 04, 2010

#60 - La Nana, de Sebastián Silva


Ano passado, La Nana fez um certo sucesso durante o Festival Internacional do Rio. Trata-se de um digno exemplo do que a contemporaneidade pode fazer pelo cinema. Com uma câmera digital em punho e um argumento na cabeça, o diretor chileno Sebastián Silva conta uma simples e bonita história de amizade. Poucos atores, poucas locações, poucas frescuras e até mesmo, de vez em quando, pouca ação. Inclusive, isso pode incomodar alguns espectadores.

Catalina Saavedra (sobrenome nobre!) interpreta magistralmente a temperamental e esquisitona serviçal Raquel, uma empregada doméstica que serve a uma tradicional e abastada família chilena. Durante décadas, cegamente, ela abdica da própria família para cuidar dos patrões e seus filhos, anulando-se por completo. Em troca, tem o carinho de todos, mas continua sempre a ser uma empregada uniformizada. Já com problemas de saúde, ela não aceita que outra pessoa a ajude nas tarefas de casa. Toda a tentativa de cooperação é duramente rechaçada.

Há uma linguagem interessante em La Nana. A câmera é mais uma testemunha do que um ponto de referência narrativo. Ela espia tudo - inclusive os banhos da empregada, sublinhando um certo fetiche da classe média. Os diálogos são curtos e há bastante espaço para o improviso, pois o foco principal está no estudo do comportamento de quem cuida dos outros antes de cuidar de si mesmo.

sexta-feira, julho 30, 2010

#59 - O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos), de Juan José Campanella


A Argentina tem um cinema sólido. Há um bom tempo. Incontestáveis os talentos que eles têm em todas as áreas técnicas: bons diretores, bons atores, bons roteiristas, bons diretores de fotografia e por aí vai. O segredo dos seus olhos levou a estatueta daquela academia como o melhor filme estrangeiro - decisão que não deve ter sido nada fácil, dado o nível dos concorrentes. Porém, o prêmio coroa mais do que um filme - trata-se de uma honra ao mérito pela qualidade da arte cinematográfica produzida no país.

Juan José Campanella, um ótimo diretor, filma um roteiro bastante denso e instigante, interpretado pelo excelente Ricardo Darín. A película conta a história de um investigador que, ao se aposentar, decide escrever um livro no qual retoma as memórias sobre um grotesco assassinato, cujos meandros permanecem desconhecidos. Com uma cronologia muito bem sacada, os elementos que compõem a trama vão sendo apresentados, para culminar em um desfecho bastante pungente.

Campanella tem pulso firme e imprime estilo à direção. Seus atores rendem, suas marcações funcionam e o argumento flui com facilidade. O único porém fica com a cena imediatamente antes dos créditos finais, patética, desnecessária, que alivia o espectador de toda a carga dramática construída ao longo de mais de duas horas de projeção. Ainda assim, nada que prejudique a fruição daqueles que curtem uma boa trama de suspense.

Eu nem sabia, mas meu amigo Pascarella, publicitário e cinéfilo, me mostrou como os filmes argentinos também fazem sucesso no mundo da propaganda. De fato, os caras dominam a linguagem. Prova disso é a premiada série de anúncios de um festival de cinema independente (vejam só o tema) que acontece na cidade de Buenos Aires. Confira aqui.

sábado, julho 24, 2010

#58 - O fantástico Senhor Raposo (Fantastic Mr. Fox), de Wes Anderson


Roald Dahl, autor que se dedicou à produção literária infanto-juvenil, ganhou certa fama de cool depois que sua obra mais famosa, A fantástica fábrica de chocolate, foi adaptada para a tela grande. O filme, de 1971, tinha mesmo alguns traços pitoresco, uma certa dose de bizarrice típica dos contos infantis que trabalham a ideia de moral e punição. Tim Burton sacou que poderia tirar proveito disso e assinou uma refilmagem na qual esses traços foram trabalhados à exaustão.

Wes Anderson, assim como Tim Burton, tem uma linguagem própria, ainda que ambas sejam completamente distintas. O diretor trabalha como ninguém a questão da existência humana sob um olhar mais sensível, com personagens excêntricos que acabam criando empatia com a plateia porque funcionam como arquétipos da sociedade contemporânea. Quando optou por levar aos cinemas a história do Senhor Raposo, escrita por Dahl em 1970, Anderson conseguiu capturar com perfeição as ideias de moral e punição que estão nas páginas de O fantástico Senhor Raposo.

A história tem início quando o tal Raposo - que vive em uma sociedade moderna e urbanizada -, impulsionado pelo incontrolável instinto animal de "roubar" seus alimentos, empreita um grande plano para tirar proveito de três ricos fazendeiros da região. Porém, sua ação é descoberta. Logo, sua família se vê sob risco quando os empresários se unem para caçá-lo feito um animal. A partir daí, a luta entre o instinto e a razão, a mesma que permeia as relações entre os agentes sociais até os dias de hoje, é uma constante. Prato cheio para o diretor discorrer sobre um tema que lhe é instigante.

Um dos grandes baratos de O fantástico Senhor Raposo é a utilização da animação stop motion em plena época da quase imposição mercadológica do 3D. E, para tornar a ação ainda mais caricata, ao invés dos 24 quadros por segundo, Anderson utiliza somente 12, o que confere ainda mais charme ao filme. Como em suas obras anteriores, a trilha sonora é caprichada e os diálogos são um atrativo a mais.

Mais para adultos do que propriamente para crianças.

sexta-feira, julho 23, 2010

#57 - O pequeno Nicolau (Le petit Nicolas), de Laurent Tirard


Se uma simples e despretensiosa comédia é capaz de fazer os espectadores chorarem de rir, a ponto de se engasgarem e perderem o fôlego, acredito estarmos diante de uma pequena obra-prima. Acho muito difícil que até dezembro surja um filme tão bacana ou melhor do que O pequeno Nicolau. Ou seja, também acredito estarmos diante do filme do ano.

Baseado nos quadrinhos de um famoso cartunista francês, René Goscinny, também responsável pelas tirinhas de Asterix, acompanhamos as aventuras do pequeno Nicolau - um garoto que teme ser abandonado pelos pais por causa da suposta chegada de um irmão. Junto a seus colegas de colégio, ele planeja diferentes formas de contornar a situação, o que culmina em uma deliciosa comédia de erros, recheada de sequências inesquecíveis.

Tudo no filme é caprichado, e é justamente esse apuro técnico que enaltece a obra. Fotografia, figurino, cenários, é tudo tão bem montado, que os atores ficam livres para concentrar seus esforços na interpretação. E que elenco primoroso, das crianças aos adultos. As atuações merecem destaque especial no filme de Tirard, em especial a ala juvenil. Os personagens, que são muitos, são tão interessantes e heterogêneos, que é fácil identificá-los e não confundi-los já nos primeiros minutos de projeção. Clotaire, interpretado pelo ator-mirim Victor Carles, é impagável!

O roteiro mantém a pegada cômica do início até a última cena. Não há uma linha sequer fora do lugar, ou uma marcação qualquer sobrando. O desfecho ainda nos brinda com um bem sacado alerta à sisudez adulta, que muitas vezes torna a vida uma experiência sem qualquer graça.

Ri tanto, que fiquei mais leve.

segunda-feira, julho 19, 2010

#56 - Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), de Tim Burton


Tim Burton sempre foi ousado na linguagem estética. Não há um filme no seu currículo que não tenha cenários, figurinos e direção de arte meticulosos. O bacana do diretor era que ele sabia como ninguém dosar o visual com o roteiro e, mais importante ainda, com as interpretações. Sempre valeu a pena ver Tim Burton porque suas histórias são bem contadas. Porque além do deleite estético, ele proporcionava um deleite ficcional.

Aí, todo o mundo ficou esperando, ansiosamente, o lançamento de Alice no País das Maravilhas. E com razão: no tal plano ficcional, o que mais havia era pano para a manga. O plus de ser em três dimensões ainda contribuiu para aumentar a celeuma dias antes da estreia. Seria possível ver, então, o tal mundo particular de Tim Burton com mais profundidade.

A grande verdade é que Burton, dessa vez, fez que nem um monte de diretor por aí. Ficou tão preocupado com a estética, que se esqueceu do básico. Ao que parece, não deu tanta bola para o roteiro, e ainda deixou em segundo plano as atuações, mesmo contando com um elenco calejado e de respeito. Há tanto exagero estético em um dos pratos da balança, que não há ação cinematográfica que equilibre o filme. O mundo de Burton se tornou uma mera representação gráfica de efeitos texturizados.

A história (quase) todo mundo conhece. Escrita por Lewis Carroll, acabou virando um clássico. Ou seja, não há muito o que escrever sobre Alice - até porque, quando criança, nunca foi das minhas histórias prediletas. E nem dá vontade de entrar nos méritos sobre a construção do enredo, uma vez que as comparações livro-filme são uma perda incomensurável de tempo, dada a diferença entre as duas linguagens.

Desânimo. Esse é o resumo de Alice no País das Maravilhas. Desânimo até para escrever essa resenha.

PS: Tim Burton e Disney? Difícil, hein?

domingo, julho 11, 2010

#55 - Notícias de uma guerra particular, de Katia Lund e João Moreira Salles


No final da década de 90, o Rio de Janeiro já se via sufocado com uma espécie de guerra civil que tirava o sono da população. Todo mundo saía perdendo: o cidadão comum, os policiais envolvidos em batalhas campais e os jovens que perdiam suas vidas a favor do tráfico de drogas. Katia Lund e João Moreira Salles realizaram em 1998, uma das reflexões mais contundentes sobre a questão. O documentário Notícias de uma guerra particular é um pequeno tapa na cara de qualquer carioca que tenha o mínimo de consciência social.

Os documentaristas acompanham os principais personagens desta guerra particular - termo usado pelo então capitão do Batalhão de Operações Especiais (o BOPE), Rodrigo Pimentel, atual comentarista da TV Globo e autor do livro que deu origem ao filme Tropa de Elite. Além dele, um traficante e uma família que vive numa favela controlada pelo tráfico também têm suas vidas transformadas em objetos documentais.

O grande trunfo de Notícias de uma guerra particular é a entrevista com o então chefe da Polícia Civil, Hélio Luz. Seus comentários, bastante sóbrios e honestos, deixaram muita gente horrorizada. É ele quem expõe de maneira crua e realista a falência do sistema e a ineficiência das ações de segurança pública no estado. Pouco tempo depois do filme, o próprio Luz pediu dispensa do cargo.

Sequências impactantes e inéditas na época, como a de meninos de 10 anos de idade explicando o funcionamento de armamentos pesados, propõem uma reflexão que perdura até os dias atuais, em meio à tentativa de pacificação de comunidades carentes com a implantação das UPPs.

De quebra, nos extras do DVD, há um documentário imperdível de Eduardo Coutinho, o Santa Marta: duas semanas no morro, de 1987, no qual o cineasta dá voz aos moradores da favela Dona Marta. Um deles, por acaso, é Marcinho VP, ainda adolescente, que sonhava se tornar advogado para defender os amigos da opressão policial.

É um Rio de Janeiro inóspito, mas alguém precisava mostrá-lo.

quinta-feira, julho 08, 2010

#54 - 180º South, de Chris Malloy


Estou bem cercado de primos curiosos o bastante para compartilhar comigo o bom cinema. Desta vez, a dica veio do lado paterno, do Luiz - um talentoso fotógrafo que debruça sua lente sobre causas sociais e ambientais, além de exercitar uma forte crítica ao consumo desenfreado. Foi ele quem me chamou a atenção para o documentário 180º South. Meio filme de surfe, meio filme de alpinismo, meio filme ambiental, meio filme de autoconhecimento. Inteiramente incrível!

Acompanhamos o aventureiro Jeff Johnson em uma expedição à Patagonia para ganhar o cume de uma montanha gelada de nome Corcovado. A viagem, na verdade, é uma reedição do trajeto feito por dois homens na década de 60, que agora dedicam suas vidas a causas ambientais, Yvon Chouinard e Doug Tompkins, ícones para Johnson. Ao longo do trajeto, costeando o Pacífico, a câmera vai registrando as belas paisagens e as lições, nada convencionais e bastante reflexivas, que vão surgindo. Como o próprio Johnson cita no início da projeção: as melhores viagens são aquelas que respondem perguntas que você nunca pensou em fazer.

O capricho do filme é arrebatador, de uma sensibilidade pouco antes vista em documentários do gênero. A trilha sonora é extremamente bem pensada e caprichada, o texto da narração em off é brilhante e a fotografia é de deixar qualquer um arrepiado. Sem dar qualquer brecha ao pieguismo costumeiro das jornadas ao interior do ser humano, o documentário abre espaço para diversos tipos de questionamentos. O principal deles é sobre a fatídica caminhada do homem à bancarrota sustentável, esgotando com voracidade os recursos do planeta em prol do consumo desenfreado. Por isso, Johnson acaba se envolvendo com pequenos grupos que lutam para sobreviver sem a interferência das grandes corporações, principalmente na costa chilena, que sofre com um severo descaso ambiental iniciado na época da ditadura de Pinochet.

Durante o percurso, paradas estratégicas para surfar em picos exóticos, que rendem imagens estonteantes! Por exemplo, uma onda quilométrica em Rapa Nui, com as misteriosas cabeças de pedra ao fundo. O alpinismo também serve como ponto para mais uma reflexão, na medida em que a sociedade, em geral, julga a chegada a um cume como uma conquista vazia, inútil - pautando as ações como meios para chegar a um fim material.

Interessante foi o comentário que minha mulher fez, logo após uma das centenas de sequências fantásticas de 180º South. Concluiu ela, perspicazmente, que nos acostumamos a levar uma vida chata e monótona. De fato, a resignação faz parte do cotidiano cosmopolita contemporâneo. É preciso praticar o desapego para encontrar uma espécie de harmonia que aulas de yoga em salas de centros profissionais, ou sessões de terapia com psiquiatras abalizados, já não podem mais oferecer.

Algumas viagens são capazes de mudar o ser humano. Assim também é o cinema - e assim é 180º South.