
Cinéfilos, uma novidade: a M... vai cobrir uma das mostras mais interessantes do Festival do Rio, a Midnight Movies. Mais do que resenhar os filmes, vamos salientar e discutir sobre o lado bizarro das produções deste ano. Por isso, convido todos vocês, queridos e seletos leitores, logo de cara, a dar uma olhada na resenha que eu escrevi por lá - que tem um tom diferente da que vem logo a seguir. Vão lá!
O clone volta para casa, ficção-científica japonesa cuja produção executiva é assinada pelo cineasta alemão Wim Wenders, é um dos bons exemplos do porquê acompanhar de perto a programação do Festival Internacional de Cinema do Rio – e, mais ainda, as produções que fazem parte da mostra Midnight Movies, conhecida por apresentar pérolas cheias de estranheza e bizarrices.
Aparentemente, a olhos menos atentos, O clone volta para casa pode passar a impressão de não ser um típico “filme da meia-noite”, pois é uma realização extremamente artística – a não ser pelo título, um tanto insólito. Sua qualidade técnica é tão surpreendente, que em alguns momentos é impossível não compará-lo a obras-primas do gênero, como 2001: uma odisseia no espaço, de Kubrick, e Solaris, de Tarkovsky. O motivo da obra figurar entre o seleto grupo que compõe a Midnight Movies são dois: o argumento bastante inquietante e o roteiro bem diferente do comum. Trata-se de um filme de ficção-científica na velocidade contemplativa do melhor cinema nipônico.
É preciso atenção para não se perder no enredo da trama: Kohei Takahara é um astronauta que aceita participar de um programa revolucionário de clonagem humana, no qual um duplo é ativado em caso de morte, dando prosseguimento a vida exatamente do ponto em que foi interrompida. Após um acidente fatal no espaço, um erro de memória faz com que o projeto não tenha êxito. O clone passa a vagar traumatizado pelas memórias da infância de Kohei, quando ele perdeu tragicamente o irmão gêmeo. A partir daí, uma série de questionamentos éticos e existenciais começam a assombrar não só o clone, mas também todos aqueles envolvidos no projeto.
Nas mãos de um diretor hollywoodiano, com bastante dinheiro para gastar em efeitos especiais, O clone volta para casa poderia se tornar mais uma produção com exageros, pronta para ser comercializada como um verdadeiro blockbuster. No entanto, o diretor Kanji Nakajima preferiu contar com o talento de sua equipe. A fotografia é fantástica, utilizando recursos de iluminação que ajudam a dar um tom futurista bastante sóbrio. Nada de excessos: aqui, menos é mais. A edição acerta em cheio ao poupar o espectador de melodramas fáceis, como na espantosa e belíssima cena em que o irmão gêmeo de Kohei morre. Destaque também para a atuação de Mitsuhiro Oikawa no papel do protagonista.
Wim Wenders não entra em roubada. Não é à toa que a maioria de seus grandes filmes aborda questões pertinentes às angústias do ser humano contemporâneo. O clone volta para casa vai um pouco mais longe na linha do tempo, e traz à tona um questionamento existencial plausível em um futuro não muito distante.
O clone volta para casa, ficção-científica japonesa cuja produção executiva é assinada pelo cineasta alemão Wim Wenders, é um dos bons exemplos do porquê acompanhar de perto a programação do Festival Internacional de Cinema do Rio – e, mais ainda, as produções que fazem parte da mostra Midnight Movies, conhecida por apresentar pérolas cheias de estranheza e bizarrices.
Aparentemente, a olhos menos atentos, O clone volta para casa pode passar a impressão de não ser um típico “filme da meia-noite”, pois é uma realização extremamente artística – a não ser pelo título, um tanto insólito. Sua qualidade técnica é tão surpreendente, que em alguns momentos é impossível não compará-lo a obras-primas do gênero, como 2001: uma odisseia no espaço, de Kubrick, e Solaris, de Tarkovsky. O motivo da obra figurar entre o seleto grupo que compõe a Midnight Movies são dois: o argumento bastante inquietante e o roteiro bem diferente do comum. Trata-se de um filme de ficção-científica na velocidade contemplativa do melhor cinema nipônico.
É preciso atenção para não se perder no enredo da trama: Kohei Takahara é um astronauta que aceita participar de um programa revolucionário de clonagem humana, no qual um duplo é ativado em caso de morte, dando prosseguimento a vida exatamente do ponto em que foi interrompida. Após um acidente fatal no espaço, um erro de memória faz com que o projeto não tenha êxito. O clone passa a vagar traumatizado pelas memórias da infância de Kohei, quando ele perdeu tragicamente o irmão gêmeo. A partir daí, uma série de questionamentos éticos e existenciais começam a assombrar não só o clone, mas também todos aqueles envolvidos no projeto.
Nas mãos de um diretor hollywoodiano, com bastante dinheiro para gastar em efeitos especiais, O clone volta para casa poderia se tornar mais uma produção com exageros, pronta para ser comercializada como um verdadeiro blockbuster. No entanto, o diretor Kanji Nakajima preferiu contar com o talento de sua equipe. A fotografia é fantástica, utilizando recursos de iluminação que ajudam a dar um tom futurista bastante sóbrio. Nada de excessos: aqui, menos é mais. A edição acerta em cheio ao poupar o espectador de melodramas fáceis, como na espantosa e belíssima cena em que o irmão gêmeo de Kohei morre. Destaque também para a atuação de Mitsuhiro Oikawa no papel do protagonista.
Wim Wenders não entra em roubada. Não é à toa que a maioria de seus grandes filmes aborda questões pertinentes às angústias do ser humano contemporâneo. O clone volta para casa vai um pouco mais longe na linha do tempo, e traz à tona um questionamento existencial plausível em um futuro não muito distante.
Corra:
SAB (26/9) 23:45 Espaço de Cinema 1
DOM (27/9) 22:00 Estação Ipanema 1
TER (29/9) 20:00 Est Barra Point 1











