terça-feira, março 31, 2009

#35 - Pagando bem, que mal tem? (Zack and Miri make a porno), de Kevin Smith


Não tem jeito. Kevin Smith foi muito precoce e realizou sua obra-prima, o adorável e insubstituível O Balconista, logo na estreia como diretor de longas. Consequência: a cada lançamento que leva a sua assinatura, o público espera por outro filme arrebatador. Assim vem sendo desde 1994. E este sucessor, melhor que o primeiro, não vem. O que não quer dizer que os outros trabalhos não sejam bacanas.

É justamente o que acontece com Pagando bem, que mal tem?, mais uma produção muito aguardada que não alcança o nível de exigência dos fãs daquele Kevin Smith lá dos idos de 1994. Não é genial, de fato. Porém, há ingredientes que trazem a marca do realizador: temática polêmica, diálogos bem trabalhados, personagens incomuns, trilha sonora esperta e referências à cultura pop - exatamente o que fez de O Balconista um sucesso. A diferença está na imprevisibilidade dos velhos tempos de cineasta independente.

O filme conta a história de um casal de amigos desde o colégio que mora junto e precisa rebolar para pagar as contas. Para sanar as dívidas, decidem fazer um filme pornográfico. Apesar do roteiro previsível, ainda assim é fácil acompanhar o desenrolar da história. O casal protagonista, Seth Rogen e Elizabeth Banks, está em boa sintonia. O resto do elenco ajuda, com participações de velhos conhecidos como Jeff Anderson, o balconista malvado da videolocadora no filme de 94, e Jason Mewes, o eterno Jay. De quebra, Traci Lords, autoridade quando o assunto é pornografia.

Não é tão genial quanto O Balconista, mas rende uns bons minutos de diversão.

sábado, março 28, 2009

#34 - Atraiçoados (Betrayed), de Costa-Gavras


Depois de ver dois dos indicados ao Oscar, Frost/Nixon e Milk, bati na tecla de que ambos não eram filmes de cunho verdadeiramente político, pois não exploravam de forma contundente o excelente argumento que possuíam. Repeti diversas vezes: filme político tem que dar tapa na cara! Exatamente como Atraiçoados, do mestre Costa-Gavras, faz.

E olha que tinha tudo para cair num melodrama romântico e deixar o argumento longe de ser devidamente explorado. Fico imaginando um roteiro desses nas mãos de um Ron Howard. Seria uma catástrofe. O longa serve como uma espécie de denúncia sobre os movimentos racistas nos Estados Unidos, que têm seus núcleos principalmente em pequenas cidades interioranas. Baseado em fatos reais, Atraiçoados conta a história de uma agente secreta do FBI que se aproxima de um fazendeiro suspeito de matar um polêmico radialista judeu. Ela acaba se envolvendo em uma trama sinistra que envolve a Ku Klux Klan, políticos influentes e forças paramilitares.

Esse foi o segundo filme de Costa-Gavras em solo estadunidense (o primeiro foi o espetacular Desaparecido). Famoso pelo conteúdo pungente, aqui é perceptível uma maior preocupação do diretor também com a plasticidade das cenas. O filme ganha ritmo à cada sequência. O casal protagonista conta com Tom Berenger, canastrão habitué dos telefilmes exibidos no Supercine, e Debra Winger, pitéu à época. Ela não rende o que pode, mas também não compromete. Ele é péssimo! Porém, o filme é tão bom e o assunto é tão perturbador, que as atuações não comprometem.


Visto em excelente companhia, aqui em casa: minha mulher, que milagrosamente aguentou firme até as duas horas da manhã, Bocão, profundo conhecedor de história e novelas, e Bianca, a mais nova integrada ao grupo.

Um excelente, esse sim, filme político.

terça-feira, março 24, 2009

#33 - loudQUIETloud: A Film About the Pixies, de Steven Cantor e Matthew Glakin


Me lembro bem da primeira vez que escutei os Pixies. Eu tinha 14 anos e estava sintonizado na extinta Fluminense FM - a única rádio verdadeiramente rock que o Rio de Janeiro já teve. Fiquei completamente embasbacado com "Where is my mind". Era tudo o que eu estava procurando: melodias bem harmonizadas em meio à fúria de guitarras distorcidas. Aos 15, enquanto meus amigos que tocavam guitarra queriam ter a velocidade de Joe Satriani e Steve Vai, eu queria ter a classe e o bom gosto de Joey Santiago. Em pouco tempo, se tornaram a minha banda favorita. Comprei todos os álbuns, singles, EPs, raridades, camisetas etc. Até a minha prancha, uma longboard branca feita sob encomenda, tem adornos dos Pixies.

Posso dizer, sem falsa modéstia, que entendo do assunto Pixies. Portanto, quando fiquei sabendo que em 2006 foi lançado um documentário sobre a reunião da banda (que contou com uma extensa turnê de shows ao redor do mundo, todos com lotação esgotada em minutos), me senti um lixo. Tratei de catá-lo por aí e acabei achando uma versão em mp4, bem fraquinha, mas foi a única!

Com esse título bem sugestivo, loudQUIETloud se concentra em mostrar os bastidores do retorno triunfal da banda. Voltam à tona, obviamente, fatos que mexem nas feridas de todos os músicos: a dificuldade de relacionamento, a falta de comunicação e os desentendimentos pessoais, principalmente entre Black Francis e Kim Deal, que culminaram num hiato perturbador.

Além disso, as câmeras procuram tentar compreender como, ainda assim, os Pixies funcionam tão bem nos palcos, tendo gravado discos que influenciaram uma penca de gente ao redor do mundo, inclusive Kurt Cobain. O filme abre com uma frase do saudoso líder do Nirvana, explicando a origem da canção "Smells like teen spirit":

"Eu estava tentando copiar alguma coisa dos Pixies."

Durante quase uma hora e meia, com mais papo do que música, o que é algo extremamente positivo na montagem de um documentário, testemunhamos momentos íntimos de todos os quatro pixies. Black Francis (vocal e guitarra) escuta gravações de auto-ajuda para tentar relaxar, Joey Santiago (guitarra) conhece pela internet seu filho recém-nascido, Kim Deal (baixo) e sua irmã gêmea tentam se manter longe das drogas e David Lovering (bateria) corta um dobrado para superar a morte do pai. Tudo isso em meio a apresentações cheias de vigor e lirismo.

Se fosse subtrair o meu entusiasmo, por se tratar da minha banda favorita, sobra dizer que vale a pena porque é um documentário muito bem executado. Durante os créditos finais, há uma sequência muito interessante, um verdadeiro gran finale. Uma jovem, que ganhou após um show a palheta de Kim Deal, toca covers dos Pixies com sua banda de garagem, mostrando que o legado do quarteto ainda soa assustadoramente atual e impactante.

segunda-feira, março 23, 2009

#32 - RocknRolla, de Guy Ritchie


Parece que a fonte de Guy Ritchie está secando. Quando um diretor é bom, espera-se que ele consiga se recriar, ir um pouco além, de certa forma inovar, seja no tema ou na técnica. O que acontece com Ritchie é que suas produções estão cada vez mais previsíveis.

O pessoal que se reuniu na casa do meu grande camarada Daniboy para uma sessão de RocknRolla, acompanhada de cerveja e amendoim, já sabiam o que esperar do filme. O seguinte: um monte de personagens mafiosos que, movidos por uma sucessão de erros, acabam envolvidos em um ciclo interminável de confusão. Tudo isso embalado por trilha sonora bacana e edição ligeira.

E foi isso mesmo que vimos. Dessa vez, o tema escolhido foi a máfia russa. Sete milhões de euros de um empresário inescrupuloso, que serviriam para pagar suborno a um vereador, não chegam às mãos de um agiota poderoso por causa de um grupo de ladrões mancomunados com uma contadora sexy e ardilosa. Basicamente, é isso.

Gostamos do que vimos? Sim, gostamos. Guy Ritchie é um bom diretor. Mas presica, urgentemente, de uma reciclada nas ideias.

domingo, março 22, 2009

#31 - Os aloprados (Semi-pro), de Kent Alterman


I love this game! Talvez por isso eu tenha ficado muito empolgado quando soube da nova comédia de Will Ferrell no terreno dos esportes. O filme chega diretamente ao mercado de DVD, sem estreia nos cinemas. E, de fato, talvez não arrastasse uma multidão às salas de projeção.

O roteiro fala sobre uma equipe fictícia, a Flint Tropics, liderada pelo excêntrico dono e pivô Jackie Moon, que comprou a franquia com o dinheiro advindo do sucesso de sua canção "Love me sexy". O mais bacana é que a história se passa na década de 70, meses antes da ABA, American Basketball Association, deixar de existir em virtude da fusão com a então resplandecente e emergente NBA. Moon precisa que sua equipe fique entre as quatro primeiras da ABA para ganhar o direito de disputar a liga principal.

O visual do filme é realmente delicioso! Quem acompanha basquete vai adorar. É como se estivéssemos realmente assistindo a partidas daquele tempo. Os uniformes seguem o estilo da década de 70, com direito a meias listradas cobrindo a canela, shorts apertados e tênis de cano baixo. Porém, as piadas não são explosivas e Ferrell não rende o que pode.

Ainda assim vale o aluguel. Há bons momentos, como nas tentativas de Moon para promover seus jogos. Sua luta contra um urso é um dos ápices do filme, realmente hilária. A equipe tem jogadores bem engraçados, como um lituano que não entende os esquemas táticos em inglês. Os narradores também são outro destaque, sempre implicando um com o outro.

Agora eu quero um uniforme dos Tropics para jogar as minhas peladas...

sexta-feira, março 20, 2009

Luz, câmera... canção! - Interpol

Interpol é uma das minhas bandas preferidas. E os caras escolheram justamente o dia 13 de março do ano passado, o dia em que minha filha nasceu, para se apresentar aqui no Rio.

O segundo álbum, Antics, não é o melhor. Porém, é ele que tem a melhor música do quarteto novaiorquino, "Evil". Muito se especula a respeito do significado da letra. Já ouvi dizer que é sobre a libertação de uma serial killer chamada Rosemary West, que matava crianças em uma van - tipo a kombi que pega criança. Porém, no videoclipe, tudo começa com um acidente automobilístico. Então, vemos um boneco bizarro sendo atendido pelos bombeiros. O clima do vídeo é sombrio como a música e a banda. Vale o confere!

terça-feira, março 17, 2009

#30 - Surf Adventures 2 - A busca continua, de Roberto Moura


Em 2002, quando Surf Adventures - O filme foi lançado, os filmes de surfe conquistaram um novo tipo de espectador: o sujeito que, apesar de não se aventurar nas ondas, enxergava beleza e plasticidade no esporte. O sucesso de bilheteria motivou o lançamento de outras produções do gênero na tela grande. Muita gente compreendeu que ver filmes de surfe no cinema é uma experiência realmente bacana!

Portanto, era de se esperar uma continuação da jornada em busca da onda perfeita. O diretor Roberto Moura, que produziu o primeiro longa, assina a direção do segundo, Surf Adventures 2 - A busca continua. Os grandes nomes do surfe nacional e mais um penetra (Kelly Slater, o penetra mais bem-vindo do mundo do surfe) visitam novos picos ao redor do mundo, incluindo Austrália, México, Peru, Chile, Taiti e até o Brasil.

Há algumas mudanças no que diz respeito à montagem do filme. E são justamente essas mudanças que fazem com que o primeiro seja bem melhor do que este. Talvez a mais gritante de todas seja a narração em off do casseta Hélio de la Peña. Recitando um texto fraco demais, que nem foi escrito por ele, mas está cheio de piadas no estilo do programa televisivo, faz com que muitas sequências percam o ritmo. Ao invés de dar o discurso ao surfista, o que rendeu excelentes momentos no primeiro longa, explica-se o que está acontecendo. Soa cansativo, fora de propósito e impertinente.

Outro fator que pesa é a falta de coesão no argumento. Se no primeiro Surf Adventures fica clara a ligação entre o surfe e a liberdade, no segundo essa premissa quase não fica em evidência, dando lugar mais à farra das viagens do que ao contato com a natureza. A trilha sonora, que já teve papel de destaque anteriormente, aqui não funciona tão bem assim. Vai de Los Hermanos a Bob Marley, passando por Bonde do Rolê. Tenta ser diferente, mas acaba perdendo força.

Porém, há os pontos altos. A escolha dos surfistas é certeira. Além de Gryllo, que fez sucesso, segundo o próprio, com as crianças, há a participação de surfistas mirins, futuras promessas do esporte. E, de quebra, a presença de Phill Rajzman, um verdadeiro monstro no longboard, que rouba a cena e fornece as melhores imagens do filme. Interessante também é a sequência do surfe na pororoca, fenômeno tipicamente brasileiro que dá onda! O uso de uma câmera na borda da prancha também fornece bons momentos.

Enfim, é um bom filme! E, se visto no cinema, vai agradar bem mais. Estreia prevista para o dia 27 deste mês.

PS: pessoas que não estão familiarizadas com o esporte, atenção, vale a pena!

sexta-feira, março 13, 2009

#29 - Dia dos namorados macabro 3D (My bloody Valentine), de Patrick Lussier


A onda de remakes não para! Mais uma sexta-feira 13, mais um filme de terror. Só que desta vez é gore em 3D! Quem estreia hoje é uma refilmagem de Dia dos Namorados Macabro, filme B da década de 80, de baixo orçamento, que ficou famoso após uma entrevista na qual Tarantino o encheu de elogios.

Trata-se de uma produção bem mais violenta que Sexta-feira 13, mas menos assustadora. Não fosse a traquinagem tridimensional, não engrenaria. Tem tripas, corpos desfigurados, corações em caixas de bombom e picaretas voando em direção à plateia, mas a trama é fraca e cheia de buracos. Com direito, até mesmo, a um triângulo amoroso no melhor estilo novela mexicana.

Levei meu amigo, sósia de celebridade e comentarista de terror Beto Roma à cabine de imprensa. Após a sessão, sentamos em um bar e bolamos uma resenha para a M..., que pode ser lida aqui!

#28 - Bela noite para voar, de Zelito Viana


Fim de semana fedorento nas telas do circuitão! Hoje é dia de duas Críticas de M... A primeira delas é de Bela noite para voar, produção nacional iniciada em 2004 e que só agora chega aos cinemas.

O filme mostra 24 horas na vida de JK, ameaçado por um golpe de estado. No elenco, globais e mais globais - tanto os famosos, quanto os anônimos. O resultado é um filme fraco, que não decola! O roteiro parece não saber tirar proveito da tensão presente no argumento.

Para ler a resenha na M..., clique aqui!

Parabéns, gatona!


Hoje, 13 de março de 2009, minha filha, Maria Eduarda, completa um ano de vida. Nossa, como se aprende a ser gente grande! E como é divertido também. Dá trabalho, obviamente. Mas é tão recompensador ouvir, logo de manhã, às vezes 5:30 da manhã, aquele ser minúsculo chamando papai.

Deixo aqui o link para a crônica que publiquei dias depois do parto, na qual descrevo todo o processo, da descoberta da gravidez até o nascimento. Bem aqui! A foto que ilustra o texto fui eu que tirei, não sei como consegui, na hora, pensar em fotografar... rs... Mas fui eu.

Como costumo dizer a ela: te amo, coisinha!