segunda-feira, outubro 29, 2007

#80 - O grande ditador (The great dictator), de Charles Chaplin


Em "Crepúsculo dos deuses", Billy Wilder junta em uma mesa de poker estrelas do cinema mudo que caíram no ostracismo após o advento do som. Buster Keaton, um dos meus comediantes prediletos, ocupa uma das cadeiras. De fato, foi esse o destino de muita gente boa que ficava quieta, mas dominava a pantomima.

Com Charles Chaplin, ainda bem, foi diferente. Seu primeiro filme falado, rodado cerca de treze anos após a revolução sonora na indústria cinematográfica, é uma obra-prima. Interpretando dois personagens antagônicos, um ditador totalitarista e um barbeiro judeu, Chaplin fez da guerra e suas atrocidades uma comédia que consegue mostrar o quão estúpida e ignorante é a indiferença que move a guerra.

As analogias que ligam o roteiro ao nazismo e ao fascismo são evidentes de cara. Mais precisamente, estão na cara de Chaplin. Ele mesmo confessou um dia ter ficado assustado com as coincidências que o remetiam a imagem de Adolf Hitler: os dois tinham quase a mesma altura, quase o mesmo peso e nasceram entre um espaço de tempo de apenas uma semana. Fora o bigode que ele usava em cena. Logo, a caracterização de Adenoid Hynkel, ditador de um país fictício chamado Tomania, é perfeita.

As melhores cenas, não há como negar, estão nos momentos silenciosos, nos quais o ator e diretor usa e abusa de sua expressão corporal. São célebres as seqüências onde ele brinca com um globo terrestre, como ditador, ou quando faz a barba com movimentos coreografados de uma sinfonia, como judeu. Porém, o som é muito bem usado: seja nos discursos de Hynkel, em uma língua que soa raivosa e que foi inventada pelo próprio Chaplin; ou no discurso emocionante que permeia o filme.

"O grande ditador" foi banido de todos os territórios nazistas e fascistas. Reza a lenda que Hitler viu o filme. Infelizmente, não há registros sobre o que ele achou da película. Sabe-se que, em uma ocasião nos Balcãs ocupados, soldados alemães tiveram acesso a uma cópia clandestina sem saber do que se tratava. Alguns saíram no meio da projeção e outros atiraram contra a tela.

É por isso que pode-se afirmar sem dúvida alguma que Chaplin foi um gênio. O cinema nunca mais foi o mesmo após sua existência.

#79 - Kinky boots, de Julian Jarrold


Comédias britânicas, por mais insossas que possam parecer, costumam ser simpáticas. Na maioria das vezes, é um humor mais refinado, que não leva o espectador às gargalhadas, mas o mantém com um sorriso durante toda a projeção.

Em "Kinky boots", é mais ou menos assim. Filme água-com-açúcar, dramaticamente cômico, completamente previsível, mas que não chega a ser um fracasso total. O roteiro é baseado em fatos reais e conta a história de um jovem que toma a frente de uma fábrica de sapatos após a morte de seu pai. O que ele não sabia é que acabaria assumindo, também, uma série de dívidas que poderiam culminar no fechamento de suas atividades. A única saída, então, ao invés de fabricar sapatos comportados, passa a ser um tanto incomum: fabricar botas. Botas de couro. Longas e sexy. E para transformistas.

O elenco é de total desconhecidos, mas o destaque fica, obviamente, para o transformista e designer de botas ousadas, Lola, interpretado de corpo e alma por Chiwetel Ejiofor. A direção de Julian Jarrold não comete erros, mas também não gera trunfos. A trilha sonora, entretanto, foi extremamente acertada. Os números musicais são engraçados e as canções ao longo do filme, a maioria bem nostálgica, combinam com o tema.

Os diálogos são previsíveis, o clímax é previsível, as reviravoltas são previsíveis e o final, então, é muito previsível. Também há um monte de lições de vida sobre preconceito, ganância etc. Ah, mas é simpático.

Um filme para ser visto em casa. Daqueles que você nem precisa pausar para ir ao banheiro fazer xixi.

domingo, outubro 28, 2007

#78 - A enfermeira Betty (Nurse Betty), de Neil LaBute


À primeira vista parece ser uma comédia sessão-da-tarde: cartaz bonitinho, Renée Zellweger como protagonista e roteiro contando uma história de amor. Se eu não soubesse que o diretor dessa produção era Neil LaBute, um dos sujeitos de mente criativa mais perverso que eutenho notícia, "A enfermeira Betty" teria passado despercebida.

Para quem não o conhece, LaBute é um dramaturgo estadunidense que ganhou bastante notoriedade com textos que exploravam a mediocridade e a perversidade do ser humano. Principalmente dos homens, talvez por sua homossexualidade, como é testemunhado em um filme que está no meu top 10 e acabou de ser lançado em DVD, "Na companhia de homens" (que consta lá na lista dos 25 mais perigosos).

Por isso, nos primeiros dez minutos de, digamos, comédia, um assassinato brutal acontece na casa da garçonete Betty (Zellweger). Seu marido é morto com requintes de crueldade, como não poderia deixar de ser, por dois bandidos. Em estado de choque, a garçonete bloqueia a lembrança do horrível incidente e resolve trocar as bandejas por ataduras. Ela cisma que é uma enfermeira e pega a estrada em busca de seu grande amor, um médico, personagem principal de uma novela televisiva. Torna-se procurada não só da polícia, mas dos bandidos também.

A tal cena inicial é tão brutal, mas tão brutal, que LaBute teve que editá-la de várias formas diferentes até que ela ficasse leve o suficiente para receber uma indicação etária menos restritiva. Deu certo, apesar do clima ser extremamente pesado. O resto do filme não foge da marca que consagrou o diretor: recheado de situações inusitadas e bons diálogos.

No elenco também estão Morgan Freemam, ótimo, Chris Rock e Aaron Eckhart - perfeito como o rapaz assassinado e figurinha fácil nos filmes de LaBute.

Um filme simpático. E o melhor: diferentemente simpático.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Bat For Lashes - "What a girl to do"

Eu sempre tive uma queda por planos-seqüência. E por um motivo muito óbvio: a ousadia e o capricho que envolvem a sua realização. Bons exemplos são "Festim diabólico", do Hitchcock, e o início de "A marca da maldade", de Orson Welles. Eis, então, que me deparo com o vídeo clipe desta banda inglesa, Bat For Lashes.

Resolvi colocar esse video clipe aqui justamente pela ousadia do diretor, um tal de Dougal Wilson. Não bastasse a música sensacional, "What a girl to do", ele conseguiu um dos melhores planos-seqüência que eu já tive a oportunidade de ver, com soluções perfeitas para os enquadramentos. A direção é realmente impecável. Tudo funciona direitinho: a luz, os efeitos e até a estranha coreografia - da qual não falarei demais para não estragar o impacto que o video clipe tem. Só uma nota, que vale a pena: o figurino lembra aquele velho filme, que passava nas tardes do SBT, em que crianças eram seqüestradas por bandidos mascarados... lembra?

Dougal Wilson é muito talentoso, assim como Michel Gondry e Spike Jonze, que ambos iniciaram suas belas carreiras dirigindo video clipes.

Putz, tomara que esse cara resolva fazer um longa em breve!

quarta-feira, outubro 24, 2007

#77 - O tigre e a neve (La tigre e la neve), de Roberto Benigni


Eu queria perder a implicância com um ator que respeitava demais por antigas atuações. Roberto Benigni foi um dos protagonistas do meu filme preferido, "Down by law", de Jim Jarmusch. Do mesmo diretor, brilhou no maravilhoso "Uma noite sobre a Terra". E ainda realizou "O monstro", um filme muito divertido. Porém, desde "A vida é bela", que não é lá tão ruim assim, comecei a implicar com aquele jeito italo-verborrágico de atuar e com aquele certo traquejo emotivo demais em conduzir suas tramas. Na minha opinião, Benigni não deveria ter assumido o posto de diretor.

Porém, quando vi o anúncio de "O tigre e a neve", que tem título de filme oriental, resolvi dar uma segunda chance ao moço. Afinal, está destacada no cartaz a presença de Tom Waits - que também protagonizou o meu filme preferido, fez a trilha de várias produções de Jarmusch e gravou discos brilhantes com seu timbre rouco e inconfundível.

É, Roberto. Os tempos, de fato, mudaram...

Porém, a temática permanece a mesma que foi abordada em "A vida é bela". Aqui, um professor de poesia vai atrás de sua amada, ferida em um bombardeio em meio à guerra do Iraque, para tentar salvar sua vida. Ao longo do filme, metáforas, metáforas, metáforas e tanto lirismo que a tela chega a ficar melada. A guerra é novamente mostrada de um ponto de vista poético, com os conflitos da trama amenizados por números cômicos. E nessas passagens, engraçada mesmo é apenas uma na qual Benigni anda por um campo minado.

De resto, é aquilo de sempre. Desfecho mal resolvido, situações constrangedoramente emotivas e mais metáforas. Muitas metáforas. Inclusive, a implicação visual do título é lamentável.

E o Tom Waits só aparece no começo! E tocando uma só música.

segunda-feira, outubro 22, 2007

#76 - Desaparecido (Missing), de Costa-Gavras


Os filmes de Costa-Gavras são como uma aula de história. Uma vez que o diretor domina todas as técnicas de montagem e edição, suas obras ganham força e permanecem como verdadeiros instrumentos documentacionais. Com "Desaparecido", de 1982, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, não é diferente.

O roteiro é baseado na história de um jornalista estadunidense que é dado como desaparecido após um golpe militar em um país da América Latina. Seu pai, conservador cristão, e sua esposa, envolvida com as questões sociais, partem em busca da verdade por trás do desaparecimento. Passando por cima de burocracias, interesses políticos e cadáveres espalhados pelas ruas, a busca vai se tornando cada vez mais complicada.

Não há referência ao local, mas é sabido que o fato aconteceu no Chile, durante o regime ditatorial de Pinochet. Talvez, a opção do diretor em não deixar nomes explícitos tenha sido pela universalidade do tema. O enredo se repetiu em quase toda a América Latina, e poderia ser a história de qualquer regime ditatorial apoiado pelos Estados Unidos. Apesar disso, o filme foi filmado no México, na encolha, porque o conteúdo dito subversivo iria desagradar os produtores hollywoodianos que apostavam e aguardavam ansiosos o primeiro filme "americano" de Costa-Gavras.

Eu ficaria ansioso. A trilha sonora do Vangelis, que assina também a de "Blade Runner", dá o tom de suspense necessário para manter o espectador grudado na tela, com tons graves e longos. Jack Lemmon ganhou a Palma de Ouro de Melhor Ator e Sissy Spacek já era, naquela época, uma excelente atriz. O resultado foi tão arrebatador que, durante muito tempo, em muitos países, "Desaparecido" foi proibido. Inclusive no Brasil, citado por ter mandado ao Chile soldados especialistas em tortura.

Os produtores de Hollywood, provavelmente muitos deles, não devem ter ficado nada contentes. Azar o deles!

quarta-feira, outubro 17, 2007

#75 - O doce amanhã (The sweet hereafter), de Atom Egoyan


Este filme veio parar em minhas mãos emprestado de uma grande amiga cinéfila que tem o gosto muito similar ao meu, a Mônica. Ela me disse: "Dudu, veja esse filme e me diz o que você acha. Eu não achei nada de mais, mas todo mundo adora, não sei por quê."

Moniquinha, eu também não sei por quê. Inclusive, eu também não gostei.

O DVD estava na minha estante há uns bons meses e quase se perdeu na pilha bagunçada de títulos aqui de casa. Depois de ler a tal lista dos 25 mais perigosos, lembrei não só que ele estava comigo, mas que também precisava devolvê-lo. Perfeitos ensejos para enfrentar as quase duas horas de drama, drama mesmo, dramalhão até, do diretor Atom Egoyan, que faturou o Grande Prêmio em Cannes no ano de 1997.

Os atores, apesar de tarimbados, têm rendimentos discretos. Os diálogos não são tão bem trabalhados. A trilha sonora em nada contribui para a ambientação do roteiro, que tem lá seus buracos. Aliás, quem leu o livro que motivou essa adaptação cinematográfica diz que há cenas que só podem ser compreendidas em sua totalidade após folhear alguns capítulos da obra homônima. O envolvimento com a trama é empacado por todos esses detalhes.

O que sobra são dois pontos fortes, inegáveis: a fotografia, uma vez que a história se passa em uma linda estância montanhesa do Canadá; e o argumento, sinistro. Um acidente de ônibus mata a maioria das crianças da cidade. Ainda sob o impacto da tragédia, um advogado surge propondo mover ações de indenização, um procedimento muito comum nos Estados Unidos e no Canadá, e que rende milhões de dólares às custas do sofrimento alheio. Porém, é tanto sofrimento que o filme fica chato, às vezes até clichê.

Não o achei perigoso. O que significa escrever que não gostei.

segunda-feira, outubro 15, 2007

#74 - O vampiro de Düsseldorf (M), de Fritz Lang


Um dos filmes indicados na lista dos 25 mais perigosos, "O vampiro de Düsseldorf" não é uma obra sobrenatural. Inclusive, não há criaturas dentuças sugando o sangue de incautas jovens desacordadas. Trata-se de uma história baseada em fatos reais sobre um infanticida que "assombrou" Düsseldorf e pôs toda a população da cidade (policiais, bandidos, mendigos, crianças e suas mães, é claro) em estado de alerta.

Fritz Lang já era um cineasta conhecido pelo memorável "Metropolis", um marco do cinema expressionista que influencia até hoje uma penca de filmes de ficção científica. Porém, "O vampiro de Düsseldorf" o coroou como o grande realizador do cinema alemão, o que lhe rendeu um convite para dirigir os filmes de propaganda nazista - convite esse que ele recusou.

Um dos grandes trunfos dessa obra de suspense psicológico é o uso do som. Lang mostrou-se muito à frente de seus contemporâneos ao estabelecer uma perfeita simbiose entre imagem e ruído. A trilha sonora funciona como contraponto, contribuindo para aumentar o clima soturno e escuro da grife expressionista. E, aproveitando ao máximo a nova técnica, é justamente o som que costura e resolve a trama. O infanticida, interpretado magistralmente por Peter Lorre, ganha reforço em seus traços esquizofrênicos ao assobiar uma música do compositor Edvard Grieg.

Aliás, Lorre merece destaque. Apesar de seu personagem só crescer mesmo no terço final do filme, sua caracterização é realmente assombrosa. De olhos esbugalhados, o perturbado assassino de crianças é assustador como um vampiro. E, de fato, o ator era perturbado também por trás das câmeras. Lorre sofreu uma séria crise psíquica, passando por diversos tratamentos. Viciado em heroína, morreu de overdose.

Definitivamente, vampiros são menos assustadores do que infanticidas.

#73 - Free zone, de Amos Gitai


De cara, logo na abertura, uma cena para odiar ou amar o filme. A bela e competente Natalie Portman chora até borrar a maquiagem, ao som de uma cantiga popular israelense. A cena dura longos minutos. Belíssimos longos minutos.

Amos Gitai é um diretor judeu que conseguiu a proeza de rodar pela primeira vez um filme israelense, esse em questão, na Jordânia. Ele conta a história de três mulheres de etnias e religiões diferentes que se encontram em uma área de livre comércio, a tal free zone. Lá, há uma espécie de acordo tácito que mantém a paz. Porém, os problemas que cada uma vive colocam em xeque suas crenças.

Enquanto o filme se desenrola, flash backs contam a história de cada um dos personagens envolvidos. A forma como são inseridos, em justaposição de imagens, transforma a narrativa em um mosaico que aos poucos vai ganhando significado. Como se, em doses homeopáticas, os motivos que levam os personagens à tal free zone fossem ficando mais claros. Paisagens insólitas vão se combinando a um roteiro cuja ação foge do convencional.

"Free zone" é um filme lento, contemplativo, cujo fim não justifica o início, nem o meio. Por isso, quem vai esperando por respostas ou entretenimento fácil costuma odiá-lo. Porém, quem estiver disposto a embarcar na viagem de Gitai pode ter uma experiência cinematográfica realmente diferente.

quarta-feira, outubro 10, 2007

#72 - Tropa de elite, de José Padilha


A caminho do cinema, passei por uma banca de jornal e lá estava, na capa de uma revista de grande circulação, a foto de Wagner Moura vestindo uniforme preto e empunhando um rifle, com dizeres garrafais em destaque: Capitão Nascimento, o novo herói nacional. Segunda-feira, no Roda Viva, da TVE, José Padilha concedeu uma excelente entrevista para um time de jornalistas afiados. Há dias que recebo e-mails com frases, fotos e vídeos baseados em "Tropa de Elite" - alguns de gosto duvidoso, diga-se de passagem. Pronto, já era hora de tirar minhas próprias conclusões, na tela grande e com som estéreo.

Vou tentar me ater a uma análise artística do que vi - será que consigo? Tecnicamente, "Tropa de Elite" é um êxito, um belo trabalho. A edição e a montagem são perfeitas, e o roteirista Bráulio Mantovani (o mesmo de "Cidade de Deus") conseguiu uma narrativa em tom crescente, sem excessos, bem enxugada e com as doses certas. O filme não perde ritmo em momento algum. As cenas de ação são extremamente bem filmadas. Durante as quase duas horas de projeção, que passam voando, não há tempo nem para suspirar. A estrutura do roteiro chega, de vez em quando, a lembrar vagamente "Nascido para matar", de Stanley Kubrick, que esmiuça lá dentro do psicológico dos personagens os motivos e as razões para suas atitudes. Isso faz com que qualquer ação, seja ela boa ou má, seja acompanhada de certa catarse. A história gira em torno da vida de três policiais que pensam, agem e enxergam o dia-a-dia de forma diferente, mas que se confrontam em um determinado momento.

Quanto ao elenco, dizer que Wagner Moura está espetacular é cair em lugar comum. Não há dúvidas: é dos melhores atores da nova safra, que poderia muito bem se dar ao luxo de esnobar papéis onde a mediocridade interpretativa da atual teledramaturgia brasileira é requerida. Com aquela cara de bom moço, ele encarna com voracidade o tal Capitão Nascimento. Para que isso aconteça, tem que ter muito talento. Porém, discordo de muita gente que acha que ele rouba a cena. Na minha opinião, Caio Junqueira e André Ramiro, os outros dois personagens centrais, também policiais, estão soberbos!

A narração trabalha para dar um tom de suspense à trama. Como em "Ônibus 174", Padilha adianta os fatos, mas a iminência da execução torna tudo ainda mais angustiante. Ao longo do filme, as falhas de caráter de toda a sociedade, civil ou militar, é ditada pela voz do Capitão Nascimento, personagem extremamente ambíguo e à beira de um colapso nervoso.

O grande mérito de "Tropa de Elite" é que o filme não aponta soluções, e sim fomenta discussões. Na minha leitura, em momento algum há a adoção de um discurso que seja tido como o correto. É como um daqueles incontáveis tapas na cara projetados na tela. Como se fosse um alarme, alertando que há algo de errado em achar Capitão Nascimento um herói. Há algo de errado em rir das cenas de tortura. Há algo de errado nas universidades.

No final das contas (e do filme) fica aquele sentimento de que todo mundo sai perdendo.