segunda-feira, março 07, 2011

#10 - Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (You will meet a tall dark stranger), de Woody Allen


Já escrevi anteriormente, e sublinho aqui novamente, que Woody Allen é um barato quando não se leva tão a sério. Seus filmes mais despretensiosos têm um quê de sessão vespertina que me encanta. Assim é com Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, um roteiro que não chega nem aos pés dos roteiros mais complexos do diretor em termos de erudição. Por isso mesmo, é leve e divertido.

A história começa com uma senhora de idade que busca o auxílio de uma cartomante para apaziguar seus problemas pessoais. Recém-abandonada pelo marido, começa a se intrometer na vida da filha, casada com um escritor em dificuldade para lançar o segundo livro. Em pouco tempo, tem início uma sucessão de encontros e desencontros.

O roteiro conta com uma narração em off que dá o tom bem humorado de uma comédia de costumes. O elenco dá conta do recado, com medalhões em forma: Anthony Hopkins, Naomi Watts e Antonio Banderas. Gemma Jones dá um show à parte como uma entusiasta das ciências ocultas.

Tão leve, que a resenha para por aqui, para que a leitura não fique pesada.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

#9 - 127 horas (127 hours), de Danny Boyle

A estreia é amanhã. A resenha é hoje mesmo. O novo filme de Danny Boyle tem deixado muita gente em frangalhos nas salas de exibição mundo afora. Na Austrália, os médicos recomendaram cautela a quem for conferir a película. Nos Estados Unidos e no Canadá, há relatos de desmaios. Um espectador chegou a ficar inconsciente por cinco horas. Dizem que houve até ataque epilético durante a projeção. O diretor se viu obrigado a pedir desculpas ao público.

Quem conhece a história verídica de Aron Ralston já está advertido de como terminou a aventura do jovem que resolveu flanar pela paisagem rochosa de um canyon em Utah. Sem avisar à família ou amigos de seu passeio, ele acaba ficando com o braço direito preso em uma rocha. As tais 127 horas seguintes são de luta não somente para tentar ganhar a liberdade, mas também para não enlouquecer diante da falta de alimento e de esperança num possível resgate.

O roteiro de 127 horas segue a fórmula do inimigo natural, onipresente, invisível. É uma espécie de provação pela qual um sujeito egocêntrico precisa passar para perceber que homem algum é uma ilha. As horas que Ralston passa isolado são quase que como uma meditação zen-budista forçada, na qual o egoísmo vai perdendo consistência aos poucos, em visões premonitórias, revisitações às memórias do passado e alucinações.

A marca do diretor está lá: a edição é bacana, a trilha sonora é ótima e a atuação de James Franco é bastante convincente. Por incrível que pareça, O mais interessante é justamente o clímax que tanto tem gerado mal-estar. Diferentemente da maioria dos filmes de catástrofes pessoais, o tom dramático é completamente quebrado pela cena forte e perturbadora sequência de "libertação", digna de Jogos mortais. Ou seja, o que pode incomodar alguns é, na verdade, uma provocação que pode ser válida para outros

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

#8 - O discurso do rei (The king's speech), de Tom Hooper


Um dos grandes favoritos ao Oscar de Melhor Filme deste ano, O discurso do rei tem tudo o que um costumeiro vencedor do tal prêmio presica ter: um total de 12 indicações, argumento baseado em uma história real, trilha sonora emocionante e um roteiro repleto de lições de vida que fogem do convencional. Mais ainda, e talvez o grande trunfo, a trama se passa no tortuoso e negro período no qual a Inglaterra declara guerra à Alemanha nazista de Hitler.

Acompanhamos, no entanto, uma outra batalha. A saber, a tentativa do monarca e imperador George VI de dar cabo a uma gagueira que o impede de fazer discursos ao seu povo via ondas de rádio. Encorajado pela mulher, a rainha Elizabeth, ele busca os serviços de um ator australiano que tem o dom da locução. Sob métodos nada convencionais, os dois começam a desenvolver uma sólida amizade, que extrapola a relação secular entre rei e súdito.

O brilhante no filme de Tom Hooper é o elenco - a maior parte indicada ao prêmio em suas respectivas categorias. Colin Firth, como protagonista, constrói um angustiado rei de forma irrepreensível. A sempre ótima Helena Bonham Carter empresta seu talento à rainha. Porém, é Geoffrey Rush quem rouba a cena no papel do extravagente fonoaudiólogo Lionel Logue.

Tecnicamente, O discurso do rei é perfeito. Porém, na parte dramática, o argumento é mais interessante do que o roteiro em si. Em todo o caso, não haverá espanto caso os indicados precisem, assim como os personagens, discursar em público durante a noite de festa da academia.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

#7 - Bravura indômita (True grit), de Joel e Ethan Coen


Estreia amanhã o novo filme dos Irmãos Coen, o remake do western Bravura indômita. O longa concorre a um monte de estatuetas douradas, incluindo filme, direção e ator - este último para Jeff Bridges, no papel que deu um Oscar a John Wayne em 1970. O filme é bacana, mas falta aquele toque coeniano. Pelo menos, o final dessa nova versão é mais sombrio e improvável.

Confira aqui o que escrevi sobre Bravura indômita lá no meu blog no portal SRZD. Clique aqui!

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

#6 - Zé Colmeia - O Filme (Yogi Bear), de Eric Breving + Crônica "Nasce uma cinéfila"


Queria eu que o filme fosse melhor – e minha filha vai poder cobrar isso de mim quando for mais velha. Sábado passado levamos pela primeira vez, eu e minha mulher, a pequena, prestes a completar três anos, ao cinema. Fomos assistir a Zé Colmeia – O Filme, uma animação com personagens computadorizados misturados a atores de verdade.

Inadvertidamente, fomos ao cinema de um maldito shopping center onde uma tal casa de vidro de um certo reality show estava exposta ao público. Ou seja, foi difícil arrumar vaga e se locomover pelos abarrotados corredores, entupidos de cacatuas que, aos berros, batiam palmas e se emocionavam com sei lá o quê. Filhota perguntou:

“Papai, ali tem animais?”

Tive que responder:

“De certa forma, sim.”

Ingressos comprados, pipoca preparada, refrigerante em mãos – sim, porque tinha que ser programa completo -, entramos na sala de projeção. A cara dela era de entusiasmo. Sentou na poltrona e foi logo perguntando:

“Vai ter teatro ali?”

Expliquei que era diferente. Era cinema! E expliquei também que, se ela gostasse, seria o nosso programa especial de sempre. Eu tinha dúvidas se ela ficaria realmente quieta durante os quase 90 minutos de projeção. E, apesar do filme ser bem sem graça, com uma trama um pouco complicada para a idade dela, a pequena ficou o tempo inteiro sentadinha, comportada, vendo o Zé Colmeia e o Catatau, personagens do meu tempo.

Tem umas coisas bacanas no filme. O vilão, um prefeito maquiavélico que quer expropriar o parque para a exploração de madeiras, é bem divertido. Duas ou três boas piadas também divertem os adultos. E é só. Mas ela gostou. Prova disso foi um abraço apertado, no pai e na mãe, um com cada braço, bem no meio da sessão.

No fim, a caminho do carro, minha filha se vira para mim e diz:

“Papai, eu gostei, tá?”

“Ah, que bom! Vamos repetir muitas vezes esse programa.”

“Amanhã você me leva outra vez outro dia?”

Nascia, ali, uma pequena cinéfila. Ela.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

#5 - Cisne negro (Black swan), de Darren Aronofsky


Chega hoje às telas mais um dos candidatos ao Oscar. E este, meu amigo, é um forte concorrente em todas as cinco categorias em que foi indicado. Aronofsky caprichou em Cisne negro, que conta a história de uma bailarina perfeccionista que precisa ir ao seu limite para convencer o diretor da companhia de dança que pode interpretar o papel principal de O lago dos cisnes, Natalie Portman brilha na tela - irretocável!

Escrevi uma resenha lá no meu blog no portal SRZD. Para ler, basta clicar aqui!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

#4 - Inverno da alma (Winter's bone), de Debra Granik


Sexta-feira de estreias. Uma delas é Inverno da Alma, que andou fazendo bastante sucesso no circuito independente e ganhou duas indicações para aquele prêmio estadunidense, o tal do Oscar. Vai concorrer nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz. Trata-se de um suspense minimalista, com estética interessante e roteiro bem amarrado. Nada de mais, nada de menos. Eis abaixo o que escrevi para o Jornal do Brasil.

O filme que causou certo furor em festivais independentes ao redor do mundo chega ao Brasil com um título que não faz jus ao seu conteúdo. Inverno da alma é uma simples e melancólica história de mistério que não tem a menor pretensão em discutir questões existenciais ou dar uma repaginada nos enredos de suspense. O roteiro é curto, grosso e uniforme, sem rodeios ou reviravoltas mirabolantes. Conta a história de Ree, uma jovem que se vê em apuros quando a polícia bate a sua porta avisando que a casa onde mora será penhorada caso o pai ausente, sob prisão condicional, não compareça diante do juiz para uma audiência. Sem pistas do paradeiro de seu progenitor e obrigada a cuidar dos irmãos mais novos e da mãe doente, a moça parte em busca de pistas. E, ao invés de colaboração, encontra desconfiança.

Inverno da alma funciona porque tem um apuro estético invejável. Da direção de arte à fotografia, passando pelo figurino e pelo cenário, é tudo frio e acinzentado. O clima de desolamento está em todas as sequências. Além disso, os atores cumprem de forma correta e rigorosa seus papeis de interioranos definhados pelo descaso e negligenciados pela boa fortuna. O roteiro é interessante e bem cerzido, por mais que as revelações, feitas paulatinamente ao espectador, não causem muita surpresa. Não é do mistério em si que o filme trata, e sim da maneira como as pessoas se relacionam quando se veem diante do perigo.

domingo, janeiro 23, 2011

#3 - Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Loong Boonmee raleuk chat), de Apichatpong Weerasetakhul


Eu costumo dizer por aí, para quem quiser ouvir, que não gosto de filmes de fantasmas. Porém, depois de assistir ao vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado, preciso repensar meus conceitos. É que Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas mostra que é possível dramatizar espectros a ponto de poetizar a tênue linha entre a existência e a ausência. Não é um filme para muitos. Porém, os poucos que estiverem dispostos a embarcar na onda do diretor tailandês Apichatpong Weerasetakhul, conhecido por fazerem coabitar em seus filmes o ficcional e o documental, vai ter uma experiência cinematográfica realmente enriquecedora.

O tal Tio Boonmee está enfermo, praticamente aguardando a morte, quando recebe a visita de alguns familiares. Refugiado em uma chácara nos confins da floresta tailandesa, começa a repassar toda a sua vida, refletindo sobre erros e acertos. Numa noite densa e escura, durante o jantar, recebe a visita de dois espectros: sua esposa e seu filho - este, metamorfoseado como uma estranha criatura, conhecida na região como macaco fantasma. A espontaneidade com que os seres do outro mundo se juntam aos viventes, além da profundidade do que têm a fazer e dizer, tornam Tio Boonmee uma pequena pérola do cinema asiático.

Weerasetakhul conta uma fábula mostrando total domínio da técnica. A fraca luz que banha seus personagens é magistral. As aparições são intrigantes, delicadas, e acontecem em meio à penumbra da noite ou à volumosidade da mata. Os atores, com pouca experiência, tem tempo de sobra para exercitar o jogo cênico, apoiados na cronologia oriental que encara todo o detalhe do movimento como passo necessário para que se enxergue o todo. Por isso, é preciso dar tempo ao filme, esquecer a eloquência e a verborragia ocidental que ditam as produções contemporâneas. Nesse aspecto, Weerasetakhul é quase como Tarkovsky: se um personagem atravessa um rio, o espectador acompanha a travessia de uma margem à outra, sem sobressaltos, podendo absorver o que de mais simples há na ação.

Dono de uma cinebiografia bastante contestadora, Weerasetakhul não se esquece de inserir, em meio à fábula, questões relacionadas ao seu país. São recorrentes as passagens que fazem menção à guerrilha, aos dogmas religiosos, à situação política e à xenofobia. Tudo isso sem perder o padrão estético apurado, sem abrir mão do lirismo.

Bom saber que o cinema ainda serve para encantar os olhos.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

#2 - O turista (The tourist), de Florian Henckel von Donnersmarck


Estreia hoje no circuitão o filme com um casal realmente sexy: Depp e Jolie. Pois o tiro saiu pela culatra. Em o Turista, uma das piores coisas é, justamente, a atuação do casal, cuja química não produz nem uma pífia faísca. Além disso, o roteiro é péssimo e a montagem bastante inexpressiva - mesmo com a romântica Veneza servindo de cenário. O resultado é uma bomba.

Escrevi uma resenha lá no meu blog no portal SRZD. Tá na pilha de ler? Clique aqui! E podem deixar comentários por lá, ok?

sexta-feira, janeiro 07, 2011

#1 - Enrolados (Tangled), de Nathan Greno e Byron Howard


Ano novo, contagem nova! E logo numa sexta-feira, dia de estreias. Confesso que gostaria de iniciar os trabalhos com uma resenha sobre um filme melhor. Porém, não tive tempo. Assisti à nova animação em 3D da Disney, Enrolados, sobre a Rapunzel, e escrevi uma resenha para o Jornal do Brasil. Compartilho a dita cuja, como de costume, abaixo.

Rapunzel não faz parte do quarteto fantástico de princesas da Disney, cujo escrete conta com Bela, Ariel, Jasmine e Branca de Neve. No entanto, a jovem nobre de longas madeixas é a primeira a ganhar um longa de animação em três dimensões, Enrolados. A personagem é novidade para a criançada da nova década, mas o roteiro segue a velha cartilha dos contos de fada: personagens maniqueístas, lições de moral, provações, redenções e, obviamente, o final feliz.

Acompanhamos a lenda da pobre princesa que é roubada do castelo quando ainda era bebê. Uma vez que seus cabelos têm o poder de cura e de rejuvenescimento, Rapunzel é mantida em cativeiro no alto de uma torre por uma bruxa malvada que se faz passar por sua mãe. Prestes a completar 18 anos, a jovem procura uma maneira de fugir e conhecer uma festa no reino, que curiosamente coincide com seu aniversário. Para isso, vai ter a ajuda de um atrapalhado ladrão. Algumas piadas recheiam a trama, que chegou a ser planejada, num primeiro momento, como uma continuação de Encantada. Não é o suficiente para prender a atenção dos adultos, mas vai deixar as crianças entretidas por 90 minutos em plena época de férias escolares.