sexta-feira, dezembro 24, 2010

#95 - Amor sob contrato (The Joneses), de Derrick Borte


Às vésperas da ceia de Natal, capaz das salas ficarem vazias. Porém, o circuito ganha hoje alguns filmes de presente. E uma das produções que entra em cartaz mais se parece com aquela cueca esquisita que a sua tia avó, pobrezinha, insiste em lhe dar todo o ano. A bomba, ou melhor, a cueca, é Amor sob contrato, que é mais uma tentativa de autocrítica estadunidense que fica na superficialidade. Chato demais. Abaixo, o que escrevi sobre o filme no Jornal do Brasil.

Amor sob contrato é mais uma daquelas produções estadunidenses cujo argumento tem como objetivo criticar a sociedade de consumo – mas nem tanto. O roteiro conta a história de uma família aparentemente perfeita, os Jones: o pai Steve (David Duchovny), sua esposa Kate (Demi Moore) e o casal de filhos, Jenn (Amber Heard) e Mick (Ben Hollingsworth). Eles são contratados por grandes marcas para usar produtos e convencer os vizinhos a comprar o estilo de vida que apregoam com afinco. No entanto, a farsa começa a ruir quando os Jones vão se envolvendo em pequenos e corriqueiros contratempos.

O quarteto de atores pode até enganar os incautos vizinhos ao longo da projeção, mas não convence o espectador em momento algum. Amor sob contrato é tão artificial, que não engrena. Os conflitos são rasos, a trilha sonora é cafona, os diálogos são pobres, o roteiro é previsível e os atores são péssimos. Pior do que isso, não há qualquer tipo de profundidade na crítica que o argumento propõe. Chega a ser constrangedor ver o personagem de Duchovny tentando dar lição de moral aos pobres e coitados estadunidenses que crêem no crédito e no consumo como uma espécie de escapismo.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

#94 - Tron - O legado (Tron legacy), de Joseph Kosinski


Hoje entra em cartaz no circuitão a continuação do clássico de sci-fi da década de 80, Tron - O legado. Como a maioria dos filmes em três dimensões, o visual é fantástico e o roteiro é um lixo. O ponto extra é a trilha sonora do Daft Punk, maravilhosa. Escrevi um artigo lá no meu blog no portal SRZD e hoje saiu na versão online do JB a minha crítica. É ela que eu compartilho com vocês, logo abaixo.

O impacto de Tron – Uma odisséia eletrônica em 1982 foi fenomenal. Em plena revolução dos games, o filme colocava em questão a existência humana perante a evolução inimaginável da subsequente era digital. O visual futurista contribuía para contar a história de Kevyn Flynn (Jeff Bridges), um sujeito que ficava preso no mundo dos jogos eletrônicos. Décadas depois, Tron – O legado busca acrescentar alta tecnologia em efeitos especiais e imagens tridimensionais para reforçar os conceitos cibernéticos que fizeram tanto sucesso na produção da década de 80. Agora, o herdeiro de Flynn (Garrett Hedlund) atravessa a fronteira entre o real e o virtual para reencontrar o pai (o bom e velho Bridges, rejuvenescido pela computação gráfica no papel do vilão Clu), desaparecido misteriosamente 20 anos atrás.

Visualmente, Tron – O legado é realmente incrível. Cenários, figurinos e direção de arte enchem os olhos. A profundidade das imagens em 3D ajuda na imersão. A trilha sonora, a cargo da dupla Daft Punk, é absolutamente certeira e imprescindível. Porém, assim como acontece com a maioria das produções em três dimensões, falta – e muito - roteiro. O argumento já não parece mais tão impactante, e perde ainda mais volume com um punhado de cenas demasiadamente romanescas e previsíveis, em total desarmonia com as bem elaboradas seqüências de ação. Visual: 10. Roteiro: 3. Média: 6,5. Passou!

sexta-feira, dezembro 03, 2010

#93 - O garoto de Liverpool (Nowhere boy), de Sam Taylor-Wood


O mais bacana em O garoto de Liverpool, filme sobre o final da adolescência de John Lennon, é justamente a trilha sonora. E, por incrível que pareça, não há nenhuma música dos Beatles durante a hora e meia de projeção. Aliás, o roteiro se debruça muito mais sobre as questões pessoais do jovem promissor. Inclusive, o filme para quando os três pilares principais do quarteto - John, Paul e George - começam a fazer as primeiras apresentações juntos.

Aaron Johnson, que interpreta o protagonista, dá uma pinta de galã a John, enquanto o mal ajambrado Thomas Brodie-Sangster, que até ontem era um moleque, faz o papel de Paul. A direção de arte é bastante caprichada, abientando perfeitamente o espectador para no que mais tarde seria uma pequena revolução no mundo da música. Por isso, todas as sequências ganham um gosto especial. A cena na qual John conhece Paul é impagável!

O único porém de O garoto de Liverpool é uma certa dose de melodrama que, vez em quando, toma de assalto a tela. Nada que comprometa o resultado final.

#92 - Abutre (Carancho), de Pablo Trapero


Enquanto o representante brasileiro a uma vaga para a disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é o fraco Lula, o filho do Brasil, os argentinos selecionaram uma produção que deixa a gente no chinelo, de novo. Abutre estreia hoje no circuitão e promete tirar os espectadores daquela zona de conforto. É cinema pesado, contundente, bem feito e bem acabado. Escrevi uma crítica para o Jornal do Brasil. Como de praxe, compartilho a mesma com vocês.

Assistir a Abutre, concorrente argentino à vaga na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é uma experiência que, para muitos, pode ser incômoda. O cartaz, que traz o título manchado por um vermelho desbotado e desvanecido, já prepara o cenário para um argumento perturbador. O roteiro conta a história de um advogado que aborda vítimas de acidentes automobilísticos para mover ações indenizatórias. Porém, o esquema sujo dos processos, que mantém uma indústria milionária, começa a ser questionado quando ele se envolve com uma jovem médica idealista, que dá plantão em um dos hospitais onde a máfia dos “carcarás”, como são conhecidos, espreita os pacientes e seus familiares.

O choque entre os personagens, que produz traumas profundos na maneira de lidar com a dura realidade a que são expostos, acaba se tornando uma espécie de justificativa para a argumentação do filme, que usa o sofrimento causado pelas violentas colisões de trânsito como fio condutor de uma crítica de ordem moral. Restam apenas escombros, humanos e automotivos. Por isso, o que se vê na tela são litros de sangue, muitos hematomas e inúmeros acidentes de trânsito – tudo muito bem cerzido e montado com precisão cirúrgica pelo realizador Pablo Trapero. No elenco, o badalado e competente Ricardo Darín faz par com Martina Gusman, mulher do diretor. O desfecho é particularmente surpreendente.

#91 - A rede social (The social network), de David Fincher


Quem me segue no Twitter já ficou sabendo, então nem é tão novidade assim: agora eu tenho um blog sobre cultura no portal SRZD, do jornalista Sidney Rezende - um dos poucos profissionais da minha área que eu realmente admiro. Bacana, né? Sempre que eu publicar uma resenha por lá, vou redirecioná-la para cá.

A primeira delas foi uma das estreias de hoje no circuitão, o tão comentado filme de David Fincher sobre o Facebook, A rede social. Também escrevi a crítica para o Jornal do Brasil, mas como estou inclinado a divulgar o blog - e também porque em breve vou postar outra crítica de outro filme que fiz para o JB -, aí vai o link para vocês lerem e serem apresentados ao meu mais novo espaço na web para discultir cultura!

Mãos ao mouse: cliquem aqui!

domingo, novembro 28, 2010

#90 - Um homem misterioso (The american), de Anton Corbijn


Eu achava que não curtia filmes de perseguição, repletos de agentes duplos, espiões, armas incríveis, tramas internacionais e todo aquele repertório chupado de James Bond que - por incrível que pareça - ainda entope os cinemas. Quando Um homem misterioso estreou, no entanto, havia um alento: apesar de basear o argumento inteiro nos antigos filmes do gênero, quem dirige a produção é o talentoso holandês Anton Corbijn, responsável por uma pequena obra-prima chamada Control, filme que mostra de forma fidedigna a história de Ian Curtis e seu Joy Division. Finalmente, adorei um filme de perseguição!

George Clooney, em mais um ótimo trabalho, interpreta um assassino profissional estadunidense que precisa se esconder em uma pequena comunidade italiana. Em meio a um serviço e outro, ele tenta manter sua verdadeira identidade em sigilo. Porém, o inevitável envolvimento com os locais desperta uma série de acontecimentos. O desvelamento desses eventos é, justamente, o que faz do roteiro uma experiência bastante interessante.

Tudo em Um homem misterioso é diferente. Ao invés do barulho de explosões, o silêncio das estreitas escadarias de Pescara. Ao invés de cortes ligeiros, tomadas contemplativas (inclusive, com direito a uma referência ao mestre Sergio Leoni, que filmava contemplativamente como poucos). O clima de suspense, que permanece do início ao fim da projeção, é todo regido por pequenos detalhes. Corbijn trabalha com a imprevisibilidade de forma absolutamente brilhante.

Eu curto, e muito, os filmes de Anton Corbijn.

domingo, novembro 21, 2010

#89- Moscou, Bélgica (Moscow, Belgium), de Christophe Van Rompaey


Estreou na última sexta-feira, no circuitão caorioca, um filme bem bacana, vindo de um país que não tem uma produção audiovisial profícua e bem distribuída, a Bélgica. Pois Moscou, Bélgica é uma grata surpresa - em grande parte, por tratar com leveza um tema espinhoso. Rapidamente, o filme ganha a empatia do público, graças ao roteiro e, principalmente, ao elenco.

Nada de muito novo: mulher de 41 anos recém-abandonada pelo marido, que a trocou por uma jovem de 22, abre mão de sua vaidade para cuidar dos três filhos. Um dia, ao sair do supermercado, bate o carro no caminhão de um motorista dez anos mais novo. O que começa como uma áspera discussão de trânsito acaba se transformando numa delicada relação. O argumento de Moscou, Bélgica vai traçando o perfil dessa mulher contemporânea, pós-balzaquiana, que desaprendeu a se amar e perdeu, por conseguinte, a capacidade de amar alguém.

Palmas e mais palmas para o casal protagonista, Barbara Sarafian e Jurgen Delnaet, irretocáveis. Na verdade, o filme é vendido como uma comédia, mas a atuação dos dois é tão complexa e cheia de texturas, que o tom de dramaticidade se mantém elevado, ainda que nunca caia no melodrama.

Um filme peculiar sobre uma questão corriqueira.

terça-feira, novembro 09, 2010

#88 - Scott Pilgrim contra o mundo (Scott Pilgrim vc the world), de Edgar Wright


Não há dúvida que Scott Pilgrim contra o mundo vai ser considerado um filme segmentado, produzido para um determinado tipo de espectador, a saber: adolescentes recém-saídos da puberdade e adultos com um dos pés arraigados nas memórias da infância. Normal, né? A adaptação cinematográfica dos quadrinhos criados por Bryan Lee O'Malley tem uma linguagem completamente diferente do que está em cartaz por aí. Vou mais além e digo-lhes que se trata de uma experimentação cinematográfica levada ao extremo, tendo como base as HQs e o videogame.

Edição super veloz (veloz mesmo, camarada), cortes temporais secos e diálogos muito rápidos parecem ser o norte de Scott Pilgrim contra o mundo. Muita gente vai dizer por aí que isso é reflexo da instantaneidade da informação. E, de certa forma, estão certos. Num primeiro momento, nós, balzaquianos, temos a amarga impressão de que o filme não foi feito para a nossa geração. Se ficamos boquiabertos com a agilidade do novo cinema britânico, com a montagem impetuosa de Trainspotting, ou a edição sagaz de Snatch, o filme de Edgar Wright pode nos deixar essa sensação de senilidade latente.

Porém, nada disso atrapalha a fruição. O bacana é que Scott Pilgrim contra o mundo tem um roteiro bem amarrado e interessane. Conta a história deste jovem que dá nome ao título, baixista de uma banda de garagem chamada Sex Bob-OMB, que se apaixona por uma entregadora de pacotes da Amazon, a descolada moça de cabelos tingidos Ramona Flowers. Porém, para que a união se eternize, o pobre rapaz precisa enfrentar uma malvada liga de sete ex-namorados do mal.

O casal protagonista é formado pela ótima Mary Elizabeth Winstead e pelo - já há algum tempo - novo queridinho da tela grande, o carismático Michael Cera. O resto do elenco não deixa a peteca cair e dá conta do recado. Destaque para a participação especial de Jason Schwartzman, irretocável!

Vale um parágrafo para a trilha sonora, espetacular! Tanto as músicas do Sex Bob-OMB, quanto as canções de fundo, são todas extremamente bem selecionadas. Tem gente muito boa por ali, como Beck (que assina as músicas da banda fictícia), Frank Black, Metric e Broken Social Scene.

Lamentavelmente, o filme parece ter estreado somente no circuito paulista (é isso mesmo, amigos da Terra da Garoa?). O resto do país vai ter que aguardar sabe-se lá quanto tempo. E, depois, os estúdios têm medo do fantasma da pirataria...

sexta-feira, novembro 05, 2010

#87 - Ondine, de Neil Jordan


Tá parecendo mesmo que só há atualização por aqui na sexta-feira... Enfim, vamos ao que interessa. Mais uma estreia bacana no circuito. O novo filme de Neil Jordan, Ondine, tem um roteiro intrigante e bastante inteligente quando comparado à mesmice que assola a indústria cinematográfica hollywoodiana. Adianto aqui que vale o confere. O elenco dá um show à parte. Confira a resenha que escrevi para o Jornal do Brasil, logo abaixo.

O ponto de partida de Ondine, novo trabalho do diretor irlandês Neil Jordan, é bastante interessante: um solitário pescador se depara, inexplicavelmente, com uma misteriosa mulher embaraçada em sua rede de pesca, em pleno mar aberto. A partir daí, tem início uma espécie de fábula que mistura o mito das selkies (focas que, ao retirarem suas peles, se tornam mulheres) com os enredos comuns aos contos romanescos. Aos poucos, Syracuse (Colin Farrell, num de seus melhores papeis) começa a se envolver com Ondine (a bela e sensual Alicja Bachleda), acreditando que ela pode, de fato, ser uma sereia – teoria encampada por sua filha, Anny (a surpreendente Alison Barry).

O capricho estético do filme, com uma fotografia densa e escura, ajuda a contar a história, que tem seus traços melancólicos sublinhados. A trilha sonora ajuda. Ambientado na Irlanda, a direção de arte tira proveito das águas acinzentadas e do horizonte carregado de nuvens pesadas para contextualizar uma história de amor conflitante, que deixa a dúvida no espectador até os momentos finais. Por isso, Ondine é um filme que pode agradar a quem não aguenta mais a mesmice das histórias de amor que andam sendo escritas pelos roteiristas hollywoodianos.

terça-feira, novembro 02, 2010

#86 - Tropa de Elite 2, de José Padilha


Fui assistir ao mais comentado filme da temporada, Tropa de Elite 2, como há muito tempo não fazia: ao lado de minha esposa, em pleno feriado, num cinema de shopping center, pagando ingresso e enfrentando uma fila quilométrica. Cerca de meia hora de anúncios e trailers depois, eu era mais um na conta dos mais de 6 milhões, segundo anúncio de TV, a conferir o trabalho de José Padilha que não foi parar nos camelôs ou na internet antes mesmo de seu lançamento.

Muito me foi dito sobre o filme, e só ouvi comentários positivos. Para dizer a verdade, ouvi uma penca de testemunhos esfuziantes, entusiasmados, arrebatados. Eu aguardava, principalmente, mais um excelente trabalho de um dos melhores - se não o melhor – roteiristas do país, Bráulio Mantovani. Quase duas horas depois do início da sessão, saí meio confuso da sala de projeção. Tropa de Elite 2 é um bom filme, sem dúvida. Porém, a verdade é que eu não fiquei tão empolgado quanto eu imaginava que ficaria.

Na síntese, o segundo filme da franquia funciona como uma espécie de mea culpa do diretor, que viu, no primeiro longa, um personagem de discurso fascista ganhar os corações da massa brasileira. Capitão Nascimento foi endeusado por uma grande parcela da população, cegamente levada a ovacionar métodos nada respeitáveis de conduta por parte de uma instituição que deveria zelar pela integridade dessa própria sociedade. Era o tal do estrabismo social fascistoide se espalhando feito epidemia. Wagner Moura foi parar em capas de revistas sob legendas de herói. Um website especializado em roupas infantis vendeu fantasias de policial do Bope. Ainda que a todo momento o roteiro reiterasse as imperfeições de Nascimento, o que se viu foi o endeusamento cego daquilo que deveria, justamente, ser questionado.

O roteiro de Tropa de Elite 2 chega a tratar o assunto de forma literal, quase irritantemente didática, para que dessa vez não haja interpretações equivocadas: é o próprio Coronel Nascimento, o mesmo que punha saco de plástico na cabeça das pessoas e acharcava quem quer que fosse para conseguir o que queria, que assume, como narrador da história, que errou. Sim, o inimigo mudou: no lugar dos traficantes e seus arsenais de guerra, os milicianos e sua influência política. Só que, desta vez, parece que Padilha quis se precaver para que seu argumento não desse brecha a interpretações obtusas. Será que foi isso mesmo?

Há que se ter cuidado, Padilha. Pela fala do protagonista, narrada em off, a mesma esquerda que é chacoteada no início do filme, cujas piadas rendem boas risadas na plateia, é aquela que se torna aliada no final. Os direitos humanos que são duramente criticados lá no início do filme, são valorizados no final. Talvez daí venha a minha principal crítica ao trabalho de Mantovani. É num filme como esse, no qual a palavra tem muito mais força do que a ação filmada, que os diálogos devem ser bem trabalhados, que a narração deve ser protagonista, que o texto deve funcionar com muito mais pungência.

Cinematograficamente falando, o filme é impecável. Da montagem à edição, perfeito. A direção de atores é precisa, com o elenco rendendo o esperado: grandes atores em papeis bem desenvolvidos. O roteiro cria bons climas de suspense e ação, ainda que assuma uma postura mais reflexiva do que imediatista - apesar do momento Charles Bronson do Coronel Nascimento.

Ao final da sessão, os espectadores discutiam o tema. Isso é uma conquista valorosa a um filme cujo argumento flerta com a realidade. Por isso, ouso aqui dizer que assistir a Tropa de Elite 2, para quem sente a necessidade de debater o Rio de Janeiro, é quase que uma lição cívica. Quase. Eu saí daquela sala de projeção convencido de que minhas escolhas políticas sempre foram coerentes com a minha visão do que é o melhor para a Cidade Maravilhada.