sexta-feira, dezembro 03, 2010

#91 - A rede social (The social network), de David Fincher


Quem me segue no Twitter já ficou sabendo, então nem é tão novidade assim: agora eu tenho um blog sobre cultura no portal SRZD, do jornalista Sidney Rezende - um dos poucos profissionais da minha área que eu realmente admiro. Bacana, né? Sempre que eu publicar uma resenha por lá, vou redirecioná-la para cá.

A primeira delas foi uma das estreias de hoje no circuitão, o tão comentado filme de David Fincher sobre o Facebook, A rede social. Também escrevi a crítica para o Jornal do Brasil, mas como estou inclinado a divulgar o blog - e também porque em breve vou postar outra crítica de outro filme que fiz para o JB -, aí vai o link para vocês lerem e serem apresentados ao meu mais novo espaço na web para discultir cultura!

Mãos ao mouse: cliquem aqui!

domingo, novembro 28, 2010

#90 - Um homem misterioso (The american), de Anton Corbijn


Eu achava que não curtia filmes de perseguição, repletos de agentes duplos, espiões, armas incríveis, tramas internacionais e todo aquele repertório chupado de James Bond que - por incrível que pareça - ainda entope os cinemas. Quando Um homem misterioso estreou, no entanto, havia um alento: apesar de basear o argumento inteiro nos antigos filmes do gênero, quem dirige a produção é o talentoso holandês Anton Corbijn, responsável por uma pequena obra-prima chamada Control, filme que mostra de forma fidedigna a história de Ian Curtis e seu Joy Division. Finalmente, adorei um filme de perseguição!

George Clooney, em mais um ótimo trabalho, interpreta um assassino profissional estadunidense que precisa se esconder em uma pequena comunidade italiana. Em meio a um serviço e outro, ele tenta manter sua verdadeira identidade em sigilo. Porém, o inevitável envolvimento com os locais desperta uma série de acontecimentos. O desvelamento desses eventos é, justamente, o que faz do roteiro uma experiência bastante interessante.

Tudo em Um homem misterioso é diferente. Ao invés do barulho de explosões, o silêncio das estreitas escadarias de Pescara. Ao invés de cortes ligeiros, tomadas contemplativas (inclusive, com direito a uma referência ao mestre Sergio Leoni, que filmava contemplativamente como poucos). O clima de suspense, que permanece do início ao fim da projeção, é todo regido por pequenos detalhes. Corbijn trabalha com a imprevisibilidade de forma absolutamente brilhante.

Eu curto, e muito, os filmes de Anton Corbijn.

domingo, novembro 21, 2010

#89- Moscou, Bélgica (Moscow, Belgium), de Christophe Van Rompaey


Estreou na última sexta-feira, no circuitão caorioca, um filme bem bacana, vindo de um país que não tem uma produção audiovisial profícua e bem distribuída, a Bélgica. Pois Moscou, Bélgica é uma grata surpresa - em grande parte, por tratar com leveza um tema espinhoso. Rapidamente, o filme ganha a empatia do público, graças ao roteiro e, principalmente, ao elenco.

Nada de muito novo: mulher de 41 anos recém-abandonada pelo marido, que a trocou por uma jovem de 22, abre mão de sua vaidade para cuidar dos três filhos. Um dia, ao sair do supermercado, bate o carro no caminhão de um motorista dez anos mais novo. O que começa como uma áspera discussão de trânsito acaba se transformando numa delicada relação. O argumento de Moscou, Bélgica vai traçando o perfil dessa mulher contemporânea, pós-balzaquiana, que desaprendeu a se amar e perdeu, por conseguinte, a capacidade de amar alguém.

Palmas e mais palmas para o casal protagonista, Barbara Sarafian e Jurgen Delnaet, irretocáveis. Na verdade, o filme é vendido como uma comédia, mas a atuação dos dois é tão complexa e cheia de texturas, que o tom de dramaticidade se mantém elevado, ainda que nunca caia no melodrama.

Um filme peculiar sobre uma questão corriqueira.

terça-feira, novembro 09, 2010

#88 - Scott Pilgrim contra o mundo (Scott Pilgrim vc the world), de Edgar Wright


Não há dúvida que Scott Pilgrim contra o mundo vai ser considerado um filme segmentado, produzido para um determinado tipo de espectador, a saber: adolescentes recém-saídos da puberdade e adultos com um dos pés arraigados nas memórias da infância. Normal, né? A adaptação cinematográfica dos quadrinhos criados por Bryan Lee O'Malley tem uma linguagem completamente diferente do que está em cartaz por aí. Vou mais além e digo-lhes que se trata de uma experimentação cinematográfica levada ao extremo, tendo como base as HQs e o videogame.

Edição super veloz (veloz mesmo, camarada), cortes temporais secos e diálogos muito rápidos parecem ser o norte de Scott Pilgrim contra o mundo. Muita gente vai dizer por aí que isso é reflexo da instantaneidade da informação. E, de certa forma, estão certos. Num primeiro momento, nós, balzaquianos, temos a amarga impressão de que o filme não foi feito para a nossa geração. Se ficamos boquiabertos com a agilidade do novo cinema britânico, com a montagem impetuosa de Trainspotting, ou a edição sagaz de Snatch, o filme de Edgar Wright pode nos deixar essa sensação de senilidade latente.

Porém, nada disso atrapalha a fruição. O bacana é que Scott Pilgrim contra o mundo tem um roteiro bem amarrado e interessane. Conta a história deste jovem que dá nome ao título, baixista de uma banda de garagem chamada Sex Bob-OMB, que se apaixona por uma entregadora de pacotes da Amazon, a descolada moça de cabelos tingidos Ramona Flowers. Porém, para que a união se eternize, o pobre rapaz precisa enfrentar uma malvada liga de sete ex-namorados do mal.

O casal protagonista é formado pela ótima Mary Elizabeth Winstead e pelo - já há algum tempo - novo queridinho da tela grande, o carismático Michael Cera. O resto do elenco não deixa a peteca cair e dá conta do recado. Destaque para a participação especial de Jason Schwartzman, irretocável!

Vale um parágrafo para a trilha sonora, espetacular! Tanto as músicas do Sex Bob-OMB, quanto as canções de fundo, são todas extremamente bem selecionadas. Tem gente muito boa por ali, como Beck (que assina as músicas da banda fictícia), Frank Black, Metric e Broken Social Scene.

Lamentavelmente, o filme parece ter estreado somente no circuito paulista (é isso mesmo, amigos da Terra da Garoa?). O resto do país vai ter que aguardar sabe-se lá quanto tempo. E, depois, os estúdios têm medo do fantasma da pirataria...

sexta-feira, novembro 05, 2010

#87 - Ondine, de Neil Jordan


Tá parecendo mesmo que só há atualização por aqui na sexta-feira... Enfim, vamos ao que interessa. Mais uma estreia bacana no circuito. O novo filme de Neil Jordan, Ondine, tem um roteiro intrigante e bastante inteligente quando comparado à mesmice que assola a indústria cinematográfica hollywoodiana. Adianto aqui que vale o confere. O elenco dá um show à parte. Confira a resenha que escrevi para o Jornal do Brasil, logo abaixo.

O ponto de partida de Ondine, novo trabalho do diretor irlandês Neil Jordan, é bastante interessante: um solitário pescador se depara, inexplicavelmente, com uma misteriosa mulher embaraçada em sua rede de pesca, em pleno mar aberto. A partir daí, tem início uma espécie de fábula que mistura o mito das selkies (focas que, ao retirarem suas peles, se tornam mulheres) com os enredos comuns aos contos romanescos. Aos poucos, Syracuse (Colin Farrell, num de seus melhores papeis) começa a se envolver com Ondine (a bela e sensual Alicja Bachleda), acreditando que ela pode, de fato, ser uma sereia – teoria encampada por sua filha, Anny (a surpreendente Alison Barry).

O capricho estético do filme, com uma fotografia densa e escura, ajuda a contar a história, que tem seus traços melancólicos sublinhados. A trilha sonora ajuda. Ambientado na Irlanda, a direção de arte tira proveito das águas acinzentadas e do horizonte carregado de nuvens pesadas para contextualizar uma história de amor conflitante, que deixa a dúvida no espectador até os momentos finais. Por isso, Ondine é um filme que pode agradar a quem não aguenta mais a mesmice das histórias de amor que andam sendo escritas pelos roteiristas hollywoodianos.

terça-feira, novembro 02, 2010

#86 - Tropa de Elite 2, de José Padilha


Fui assistir ao mais comentado filme da temporada, Tropa de Elite 2, como há muito tempo não fazia: ao lado de minha esposa, em pleno feriado, num cinema de shopping center, pagando ingresso e enfrentando uma fila quilométrica. Cerca de meia hora de anúncios e trailers depois, eu era mais um na conta dos mais de 6 milhões, segundo anúncio de TV, a conferir o trabalho de José Padilha que não foi parar nos camelôs ou na internet antes mesmo de seu lançamento.

Muito me foi dito sobre o filme, e só ouvi comentários positivos. Para dizer a verdade, ouvi uma penca de testemunhos esfuziantes, entusiasmados, arrebatados. Eu aguardava, principalmente, mais um excelente trabalho de um dos melhores - se não o melhor – roteiristas do país, Bráulio Mantovani. Quase duas horas depois do início da sessão, saí meio confuso da sala de projeção. Tropa de Elite 2 é um bom filme, sem dúvida. Porém, a verdade é que eu não fiquei tão empolgado quanto eu imaginava que ficaria.

Na síntese, o segundo filme da franquia funciona como uma espécie de mea culpa do diretor, que viu, no primeiro longa, um personagem de discurso fascista ganhar os corações da massa brasileira. Capitão Nascimento foi endeusado por uma grande parcela da população, cegamente levada a ovacionar métodos nada respeitáveis de conduta por parte de uma instituição que deveria zelar pela integridade dessa própria sociedade. Era o tal do estrabismo social fascistoide se espalhando feito epidemia. Wagner Moura foi parar em capas de revistas sob legendas de herói. Um website especializado em roupas infantis vendeu fantasias de policial do Bope. Ainda que a todo momento o roteiro reiterasse as imperfeições de Nascimento, o que se viu foi o endeusamento cego daquilo que deveria, justamente, ser questionado.

O roteiro de Tropa de Elite 2 chega a tratar o assunto de forma literal, quase irritantemente didática, para que dessa vez não haja interpretações equivocadas: é o próprio Coronel Nascimento, o mesmo que punha saco de plástico na cabeça das pessoas e acharcava quem quer que fosse para conseguir o que queria, que assume, como narrador da história, que errou. Sim, o inimigo mudou: no lugar dos traficantes e seus arsenais de guerra, os milicianos e sua influência política. Só que, desta vez, parece que Padilha quis se precaver para que seu argumento não desse brecha a interpretações obtusas. Será que foi isso mesmo?

Há que se ter cuidado, Padilha. Pela fala do protagonista, narrada em off, a mesma esquerda que é chacoteada no início do filme, cujas piadas rendem boas risadas na plateia, é aquela que se torna aliada no final. Os direitos humanos que são duramente criticados lá no início do filme, são valorizados no final. Talvez daí venha a minha principal crítica ao trabalho de Mantovani. É num filme como esse, no qual a palavra tem muito mais força do que a ação filmada, que os diálogos devem ser bem trabalhados, que a narração deve ser protagonista, que o texto deve funcionar com muito mais pungência.

Cinematograficamente falando, o filme é impecável. Da montagem à edição, perfeito. A direção de atores é precisa, com o elenco rendendo o esperado: grandes atores em papeis bem desenvolvidos. O roteiro cria bons climas de suspense e ação, ainda que assuma uma postura mais reflexiva do que imediatista - apesar do momento Charles Bronson do Coronel Nascimento.

Ao final da sessão, os espectadores discutiam o tema. Isso é uma conquista valorosa a um filme cujo argumento flerta com a realidade. Por isso, ouso aqui dizer que assistir a Tropa de Elite 2, para quem sente a necessidade de debater o Rio de Janeiro, é quase que uma lição cívica. Quase. Eu saí daquela sala de projeção convencido de que minhas escolhas políticas sempre foram coerentes com a minha visão do que é o melhor para a Cidade Maravilhada.

sexta-feira, outubro 29, 2010

#85 - Sentimento de culpa (Please give), de Nicole Holofcener


Até parece que só há novidades aqui na sexta-feira, não é? Pois então, hoje é dia de estreia e crítica no Jornal do Brasil. O filme resenhado foi Sentimento de culpa, uma comédia dramática bem fraca, mas com um elenco que podia dar um caldo. Eu achei o filme regular, apesar da cotação no jornal ter saído errada: estão lá duas estrelas... Enfim, vamos ao texto.

Pelo título, Sentimento de culpa (Pelase give, no original) pode gerar interpretações prévias equivocadas quanto ao seu gênero. Não se trata de um dramalhão pesado, mas sim de um drama com contornos cômicos que dão à trama uma certa leveza. O roteiro conta a história de um casal novaiorquino que pretende comprar o apartamento da vizinha - uma senhora de idade ranzinza e rabugenta - para ampliar o seu imóvel. À espera do passamento da moradora ao lado, precisam lidar com questões pessoais, como os problemas com a filha adolescente, a monotonia do casamento e a ética nos negócios.

Se o argumento não é dos mais interessantes, e se a fórmula para emocionar o espectador, paulatinamente, não tem lá seus efeitos reverberados, o destaque de Sentimento de culpa fica, indubitavelmente, com o elenco. As interpretações conseguem manter o espectador imerso, em grande parte pelo carisma dos atores. Rebecca Hall, Amanda Peet, Catherine Keener e Oliver Platt fazem um excelente trabalho. Uma pena que o roteiro, bastante morno, não dê brecha para que possam ir um pouco além.

sexta-feira, outubro 22, 2010

#84 - Piranha 3D, de Alexandre Aja


Hoje estreou no circuitão mais um remake em três dimensões: Piranha! Trata-se de um filme onde, basicamente, vê-se um desfile de mulheres desnudas, mas com alguma parte do corpo faltando - em decorrência do apetite voraz dos peixes do mal. Valeu para fortalecer a minha crença de que o 3D só tem graça quando é possível extrapolar os limites físicos. Ou seja, não funciona com atores de carne e osso em cenários realistas. Escrevi uma resenha para o Jornal do Brasil, a qual compartilho com vocês, caríssimos leitores, logo abaixo.

Há mais de 30 anos, espectadores do mundo inteiro deixavam as salas de cinema com medo de tomar banho de mar. O Piranha original, de 1978, era uma produção de baixo orçamento, filmada em menos de um mês e que usava bonecos de borracha colados em palitos de madeira para dar movimento aos temidos peixes sedentos por carne humana. Agora, em 2010, nem mesmo toda a parafernália tecnológica disponível parece ser capaz de provocar arrepios na plateia. Seguindo a onda de remakes tridimensionais, o máximo que Piranha 3D consegue é um susto aqui e outro acolá. Só isso.

O roteiro é tão estapafúrdio, que chega a ser constrangedor. Tudo começa quando um terremoto no fundo do mar abre uma fenda nas rochas. Através dela, piranhas pré-históricas retornam à superfície, colocando os banhistas de uma estância litorânea em risco. A história se concentra na figura de um garoto, tímido e sem jeito com as mulheres, que acaba aceitando ser o cicerone de uma equipe que alugou uma lancha para fazer vídeos pornográficos nas praias da região.

Na verdade, o filme pouco ganha com os efeitos visuais em três dimensões. O que se vê na tela grande são jovens drogados, loucos e promíscuos sendo, de certa forma, punidos pela natureza: seus corpos são destroçados, tridimensionalmente, pelos dentes das piranhas. Nada escapa: seios fartos, pernas torneadas, bundas bronzeadas etc. Um saco.

quinta-feira, outubro 21, 2010

#83 - Alguém tem que ceder (Something's gotta give), de Nancy Meyers


Eu amo minha mãe. Escuto todos os conselhos dela e levo muito a sério as opiniões que ela tem a respeito de vários assuntos. Somos até parecidos: além da cor dos olhos, temos o mesmo temperamento. Porém, se tem uma coisa na qual a gente não combina, é no gosto cinematográfico - como toda a regra tem uma exceção, talvez Almodóvar seja a nossa. Fato é que, certo dia, minha querida mãe virou-se para minha esposa e perguntou:

"Você nunca viu Alguém tem que ceder?"

Após uma resposta negativa, veio uma espécie de interjeição impositiva:

"Ah, você tem que ver! Vai adorar!"

E lá fui eu atrás do filme. Mesmo sabendo, lá no fundo, que as chances de minha cônjuge não gostar do dito cujo eram enormes. E não deu outra...

Não adianta ter Jack Nicholson no elenco se ele faz par romântico com uma das atrizes mais chatas e insossas da história do cinema, a péssima Diane Keaton. Também não é possível levar a sério um roteiro no qual o velho Nic troca uma ninfeta jeitosa pela irritante, feia e desinteressante mãe dela.

O filme conta a história desse empresário cinquentão que tem um enfarte minutos antes de copular com sua jovem namorada. Internado às pressas, ele acaba passando uma temporada na casa de praia da amada, onde precisa viver debaixo do mesmo teto da mãe dela, que mais parece um cliché ambulante: uma dramaturga bem sucedida em processo de criação. Inicialmente, obviamente, o casal enfrenta atritos constantes. Mais tarde, acabam se aproximando. E, mais adiante um pouco, a velha fórmula dos romances cômicos é levada a cabo.

O pior de Alguém tem que ceder é ter que aguentar Diane Keaton e suas caras e bocas. A única coisa boa do filme é ver Frances McDormand atuando. Uma aula de interpretação, mesmo em um papel secundário e quase sem destaque. Fosse ela a protagonista, o argumento faria sentido.

Previsível, monótono e maçante.

domingo, outubro 17, 2010

#82 - King's road (Kóngavegur), de Valdís Óskarsdóttir






Ai ai ai... Blog completamente desatualizado. Culpa do dia que tem somente 24 horas. Muita coisa acontecendo, poucas novidades de fato. Resultado de tudo isso: vi somente quatro filmes durante as duas semanas de festival internacional - ok, na última semana eu passei quatro dias viajando. Fecho com "chave de ferro" as resenhas do evento. King's road é muito, mas muito ruim!

Dois fatores foram decisivos para a escolha de assistir ao filme. O primeiro, é que ele vem lá da Islândia, o que aguçou a minha curiosidade: como será que anda a produção cinematográfica na terra da Björk? Depois, o argumento parecia (e só ficou na aparência mesmo) nonsense o suficiente para construir um roteiro interessante. Conta a história de um jovem que, anos após sair de casa, volta da Alemanha para pedir dinheiro emprestado ao pai, pois precisa sanar uma dívida. No entanto, ele encontra seu progenitor morando em um trailer, cercado por seres esquisitos. Por exemplo, uma velha que tem como bicho de estimação uma foca morta.

Porém, King's road não sai do lugar. O roteiro não flui, os personagens não cativam o espectador e não há nenhum conflito, por mais que haja ensejo, a ser resolvido. Nem mesmo o bom ator Daniel Brühl, que fez o soldado e herói alemão que vira astro de cinema em Bastardos Inglórios, salva o dia.

O filme estava tão ruim, que um casal mais desinibido trocava carícias despudoradas na fileira da frente. E, à medida que a projeção avançava, o patolamento também ia adiante, a ponto das antiquadas poltronas vermelhas de couro do velho Estação Barra Point rangerem diante da pressão que o casal enamorado exercia sobre elas.

Um final de festival melancólico...