
Todas as histórias de amor passam por crises. Algumas são resolvidas no diálogo, outras terminam em separação. O capitalismo sempre foi a queridinha dos olhos dos estadunidenses. Porém, ao contrário do que fazemos com nossas amantes, eles fizeram questão de deixar o resto do mundo tirar uma casquinha. Mais do que isso, precisavam torná-la mais atraente do que a vizinha dita safada, representada pelo socialismo.
Capitalismo: uma história de amor pega carona na onda avassaladora de pessimismo que deixou investidores do mundo inteiro de cabelos em pé e muitos estadunidenses na lama. O mercado, personificado como entidade pensante, ficou mau humorado. Resultado: bancos quebrados, hipotecas executadas e a mesma ladainha que o capital especulativo sempre provocou em países periféricos, cobaias e clientes dos EUA: população arrasada e banqueiros salvos pelo governo.
Michael Moore é o típico malandro do cinedocumentário. Aparece mais do que o argumento, mais do que os personagens, mais do que os objetos documentados. Aqui, resolve diminuir o volume de seu egocentrismo, mas continua amplificando melodramas e forçando situações. Ainda assim, tem êxito ao mostrar como os estadunidenses foram educados para entender, desde a infância mais tenra, que o socialismo é uma ameaça, um monstro, um horror, o fim do mundo. E que o capitalismo é o herói, o mocinho, a liberdade, o júbilo. É o Rocky derrubando o Drago, o Bradock detonando os vietcongues e por aí vai.
Porém, cá pra nós, só os estadunidenses mesmo, acharcados pelo sistema que ajudaram a erguer, para achar que Obama significaria mudança. O documentário erra a mão justamente neste ponto, quando tenta traçar um paralelo meio torto entre os democratas e os ideais libertários de esquerda, levantando a possibilidade de mudança e derrocada da crise capitalista pelas mãos um Obama recém-empossado.
No fim das contas, é aquilo: o tema é interessante e o documentário é bem acabado. Vale a pena dar um confere. Mas aguentar Michael Moore e a Obamania é dose!







