
O que mais me chamou a atenção em Trovão tropical não foi o argumento. Nada de novo: uma paródia sobre filmes de guerra, com piadas politicamente incorretas, conteúdo escatológico e exagero dos clichês comuns a esse gênero cinematográfico. É a história de um grupo de atores que acaba no meio de um fogo cruzado de verdade, inadvertidamente, para que suas interpretações tenham mais veracidade. Porém, nas entrelinhas, há um pouco mais que isso.
Ben Stiller escreveu e dirigiu uma obra para que a indústria cinematográfica ria de si mesma. Ou melhor, para que aprenda, quem sabe, a assim fazer. Ao apresentar um metafilme no qual executivos buscam por produções extremas e hiper-realistas, Stiller está mesmo é tirando um sarro da Academia. Fazendo piada com o que se estabeleceu como lucrativo para os estúdios e, por conseguinte, bom para o público.
Por incrível que pareça, é preciso prestar atenção nos diálogos. Em uma das melhores passagens, o personagem de Downey Jr explica o porquê da importância de não interpretar retardados completos para que o ator seja premiado com uma estatueta. Cita como exemplo dois filmes: Rain Man e Forrest Gump, em uma análise franca e verdadeira, muitas vezes velada, que bate com os motivos para que o segundo esteja na minha lista dos dez piores.
O trio principal, formado também por Jack Black e Robert Downey Jr, veste o uniforme para atacar o establishment do qual ele mesmo faz parte. De quebra, uma das melhores atuações da fraca carreira de Tom Cruise (vítima desse sistema?), perfeito como um inescrupuloso investidor da indústria cinematográfica.
Perdem o Oscar, mas não perdem a piada!







