
Agora que a minha pequena está mais crescidinha, deu tempo para voltar a cultivar o hábito da leitura. E está aí um livro recomendado para jornalistas e indispensável para cinéfilos.
Durante dois anos (1950 a 1952), a jornalista Lillian Ross acompanhou de perto todos os detalhes da produção do filme A glória de um covarde (The red badge of courage), do diretor John Huston, baseado no clássico romance de Stephen Crane. Do roteiro até o lançamento, Ross consegue um relato minucioso e delicioso de ser lido. Convidada pelo próprio Huston, ela circula feito um fantasma, sem emitir opiniões ou fazer ajuizamentos, pelas salas de produtores, roteiristas e poderosos chefões - testemunhando de perto, inclusive, a antipatia de L.B. Mayer (o segundo M da MGM e criador do star system, no qual o ator era assessorado para se tornar um ídolo) com A glória de um covarde.
O que ela fez, de fato, foi um raio-x urgente de como a mente dos chefes de grandes estúdios hollywoodianos funcionava. E lá estava, já naquela época, o entretenimento cinematográfico reduzido ao mercantilismo vazio, insoso. As mesmas idéias, as fórmulas prontas, o estrabismo cultural, a prepotência estadunidense - está tudo registrado nas 307 páginas.
Filme elucida aos leitores atuais os caminhos que o cinema percorreu para chegar ao que é hoje em dia. Uma preciosidade. Imperdível!
Após um mês de ansiedade e expectativa extremas, alimentadas enquanto ia devorando a história, finalmente vou conferir A glória de um covarde! Aguardem a resenha...








