segunda-feira, julho 09, 2007

#36 - The Quest, de Jason A. Carbone e Mike Fleiss

De madrugada, vale tudo para pegar no sono. Até mesmo assistir a filmes idiotas. É o caso de "The Quest", um documentário que prometia contar a história de um jovem virgem que parte em uma viagem com amigos, em busca do primeiro coito. Destino: México!

Eu esperava pegar no sono logo, tanto que programei a TV para desligar em trinta minutos. Porém, bastou o filme começar para desligar o timer... e assisti-lo até o fim. Porque era mais que idiota, era bizarro! Junte jovens estadunidenses estúpidos, cerveja, anões, peitinhos, simulações sexuais (nunca sexo de verdade) e todo o pudor e constrangimento que puder caber em oitenta minutos.

Uma cidade praiana, onde as meninas usam aquelas tangas de avó, mas mostram os peitos a todo instante, ainda que rapidinho. Onde há concursos que premiam as posições sexuais mais criativas, mas claro, sem tirar bermudas, sungas e sutiãs. Onde a polícia é permissiva com álcool, mas só álcool.

E aí você pergunta por que valeu a pena desligar o timer da TV? Foi por causa dos anões! O filme vale por causa dos anões metidos a garanhões! Os anões malandros e suas teorias pitorescas, como a que dá conta do tamanho de seus membros, a infame teoria do L invertido.

Constrangedor, mas, ora bolas, divertido!

sábado, junho 30, 2007

#35 - Uma escola de arte muito louca (Art School Confidential), de Terry Zwigoff


Eu gostaria realmente, como já foi manifestado em resenhas anteriores, pegar o desgraçado que faz estas traduções de títulos e examinar o que se passa dentro de seus miolos. Por favor, francamente, porra, assim não dá. Olha só, aí em cima, como este filme foi batizado. Em sã consciência, nas condições normais de temperatura e pressão, ninguém vai ter interesse em assisti-lo.

Pelo nome, parece mais uma daquelas comédias adolescentes sobre alunos doidões atrás de felação. Pois não é nada disso. Apesar de estar inserida no gênero comédia, esta realização de Terry Zwigoff vai muito além. O diretor é conhecido por dissecar impiedosamente o universo jovem, como foi feito no anterior e maravilhoso "Ghost World", que foi traduzido como... "Ghost World" mesmo. Aqui, há pitadas de bizarrices, um clima soturno e até um suspense que corre em paralelo à história de um rapaz que entra para a faculdade de Artes Plásticas, em busca de seu sonho de infância em ser um grande artista. Chegando lá, ele vê que a noção de arte é muito, mas muito subjetiva...

O ótimo Max Minghella interpreta o sonhador Jerome, e realiza um trabalho incrível de mudança no comportamento da personagem. Junto a ele, nomes tarimbados como John Malkovich e Angelica Houston.

O que eu pude concluir, ao final do filme, é que não tenho mais paciência para os blockbusters. Não gostei do vencedor do Oscar, nem do ogro e parei de assistir a vários similares ainda nos primeiros minutos ("16 Quadras" foi um deles). Um amigo meu acusou-me de ser ranziza, de não gostar de nada que vejo. Resposta: é porque cansei de fórmulas prontas, câmeras lentas, closes, perseguições, músicas emocionantes etc. Não tenho mais saco para isso. Eu gosto mesmo é de filme independente, assim, que não tem como rotular. É quando a idéia, inclusive, chega a ser melhor que os recursos para contá-la; mas não aquém da realização.

Sacou?

sexta-feira, junho 29, 2007

#34 - Shrek Terceiro (Shrek The Third), de Chris Miller


Os dois primeiros filmes do ogro e do burro são interessantes e divertidos pelo deboche. Estáo lá as piadas auto-referenciais, as tiradas nonsense e aquela avacalhação com os contos de fada e suas intermináveis lições de moral.

Mas este terceiro é chato. Muito chato. As piadas são raras e bem comportadas. O pior é que há um discurso horrível, do tipo "o bem contra o mal", e um montem, mas um monte daquelas intermináveis lições de moral. Trata-se de uma animação piegas, sem ritmo, sem graça.

Não sei se as outras cinco pessoas que estavam na sala de cinema acharam graça. Eu não as ouvi rindo. Ouvi, isso sim, uma velha que falava sozinha, eloqüente como ela só, ficar danada da vida com as atitudes do vilão.

segunda-feira, junho 25, 2007

#33 - Mais estranho que a ficção (Stranger than fiction), de Marc Forster


Chega um momento na vida de um ator em que ele é posto à prova. Precisa fugir do estereótipo, dos maneirismos, da rotina. A vez de Will Ferrell foi com este belo filme aí, "Mais estranho que a ficção". O mesmo que "Brilho eterno de uma mente sem lembrança" fez com Jim Carrey e "Embriagado de amor", com Adam Sandler.

O roteiro é daqueles sensacionais, nonsenses, apaixonantes. Um homem comum, que trabalha como fiscal de imposto de renda, começa a ouvir uma voz que narra a sua rotina. Não demora muito, ele descobre que é o personagem principal de um livro que está sendo escrito. O que parece ser mais uma comédia de Ferrell (e que comédias... o cara é bom) é, na verdade, um daqueles filmes que não tem como generalizar. O comediante dá um show à parte e mostra o quanto é um ator completo.

De quebra, um luxuoso elenco. Emma Thompson, magistral, empresta toda a sua técnica à autora do tal livro. Dustin Hoffman, que cada vez escolhe melhor seus personagens, faz um professor de literatura que tenta ajudar o protagonista a entender o que está acontecendo. Maggie Gyllenhaal faz uma mocinha nem um pouco convencional, com tatuagem no braço e tendências revolucionárias. A trilha sonora é fantástica, com direito a Spoon e The Jam.

E mais: roteiro que é bom tem sempre uns toques criativos. Nesse caso, o sobrenome de todas as personagens são homenagens a grandes matemáticos. Quer mais? Há várias, mas várias referências aos Beatles (fiscal do imposto de renda = Taxman).

Crsie existencial misturada com processo criativo, tudo isso misturado com teorias narrativas. Po, sensacional!

segunda-feira, junho 18, 2007

#32 - Crash, no limite (Crash), de Paul Haggis


Filmes grandes assim, superbadalados e, principalmente, com Sandra Bullock no elenco, eu deixo para ver em casa. Este aí de cima, o tal vencedor do Oscar de melhor filme, estava passando por acaso na TV a cabo. De fato, era um filme para ver em casa.

Haggis tem a manha. Diretor televisivo, se apóia em closes e trilhas sonoras irritantemente comoventes para traçar um perfil de uma sociedade que a gente já está careca de conhecer: os assustados estadunidenses. Partindo sempre dos mesmos pontos, colisões entre carros, diversas histórias e etnias se cruzam e precisam aprender a lidar com a intolerância. O próprio diretor foi vítima de um acidente de carro, daí a idéia de alinhavar a narrativa desta forma.

Algumas cenas são extremamente bem feitas e contundentes, mostrando o que um choque cultural, e não mais automobilístico, pode fazer com o ser humano. Nestas passagens, você até acha que o filme vai decolar. Porém, minutos depois, ele desce a ladeira e se arrasta... Novamente: closes, diálogos com lições de moral e música tristonha. E o filme é assim até o final, quando há o ápice de pieguice televisiva - o que provavelmente fez render a "Crash" o tal Oscar.

Mas eu vi, em uma cena passada dentro de um ônibus, o Danny Trejo sentado lá no fundo, fazendo ponta!

#31 - Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express), de Sidney Lumet


Transportar livros para a telona é tarefa difícil. Os escritores sempre acham que suas obras ficaram aquém do que poderiam render. De certa forma, pode parecer que trata-se de ciúme da obra, de invocação autoral, sei lá. Fato é que Stephen King já andou reclamando, Anne Rice também e talvez assim também fizessem Dumas ou Cervantes, vai saber. Porém, Agatha Christie gostou do trabalho de Sidney Lumet em "Assassinato no Expresso do Oriente".

Lumet foi malandro. Reuniu uma constelação de peso para contar a história sobre a morte de um empresário inescrupuloso a plenos trilhos. Ingrid Bergman, premiada com Oscar de melhor atriz coadjuvante, Lauren Bacall, Sean Connery, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave e grande elenco. De resto, situação típica e deliciosa dos romances de Chritie: todos os suspeitos, muitos deles, ficam presos no vagão onde houve o crime, impedidos de prosseguir viagem, e agora sob investigação comandada pelo simpático detetive Hercule Poirot, interpretado com maestria por Albert Finney.

A abertura do filme é sensacional e apresenta de forma clara as personagens. Porém, o roteiro é enxuto demais para uma história de suspense. Muita ação foi apertada em pouco mais de duas horas de projeção, o que já era de se esperar de uma adaptação literária deste porte.

O bacana, no final das contas, nem é descobrir quem é o assassino, e sim deliciar-se com a atuação de Finney, um Poirot exatamente como eu imaginava ao ler os livros de Agatha Christie.

segunda-feira, junho 04, 2007

#30 - Endless Summer 2, de Bruce Brown


Só faltou mesmo o sol. Surf trip para Búzios, ondas a manhã inteira, bom almoço à tardinha e, como parte da prgramação, um filme à noite, no salão principal da pousada. E, como não podia deixar de ser, afinal, era uma viagem para surfar, o filme escolhido foi "Endless Summer 2". Muito bem escolhido, aliás.

Bruce Brown, diretor, roteirista e surfista é o guru dos documentários de surfe. Pode-se dizer que foi ele quem sacramentou este gênero, com o célebre "Endless Summer" de 1964. Aqui, ele volta para um novo giro pelo mundo, com dois jovens surfistas - um deles, Wingnut, que faz misérias em uma longboard.

O roteiro é cheio de piadas, passagens divertidas e cenas fakes, o que o diferencia de produções em que as surf sessions são intermináveis e, muitas vezes, entediantes. Brown sabe dosar perfeitamente os ingredientes para fazer um filme que agrada não só os surfistas, mas a família toda.

No dia seguinte, mais surfe! E tenho certeza que ninguém mais vai ver o mar da mesma forma.

segunda-feira, maio 28, 2007

#29 - Obrigado por fumar (Thank you for smoking), de Jason Reitman


Um filme sobre a indústria de cigarros em que não há nenhuma cena de fumantes, nem fumaça, nada disso. Pode? E se pode. A falta de baforada em "Obrigado por fumar" é quase proposital. Não se trata de um filme somente sobre a ardilosa indústria do cigarro. É, também, uma ode à retórica a oralidade e ao discurso autorizado.

Aaron Eckhart, o galã de filmes independentes estadounidenses, interpreta com maestria o falastrão Nick Naylor, vice-presidente e porta-voz de uma compnahia que estuda os males que o cigarro provoca nos fumantes. Ele participa de programas de TV, debates políticos e faz lobby segundo os interesses das indústrias de tabaco. A sua vida começa a mudar quando um senador, o excelente William H. Macy, começa uma cruzada contra o fumo.

O filme é bom porque não faz você ficar com raiva de cigarro. Nada disso. A idéia aqui é vibrar com os truques oratórios, quase sofistas, com os quais o protagonista defende sua empresa, mesmo sabendo que está errado. Não podia deixar de ser assim: os diálogos são maravilhosos! Principalmente os que envolvem Naylor e seu filho.

De quebra, Rob Lowe interpretando um representante de atores hollywoodianos, em uma atuação que lhe tomou apenas um dia de trabalho.

sexta-feira, maio 25, 2007

#28 - Às vezes eles voltam (Sometimes they come back), de Tom McLoughlin


Tv a cabo também tem o seu revés. Manhã dessas, de folga, frio pra caramba, zapeio a programação ao acordar e me deparo com um filme que está começando. E de terror/suspense. E havia me esquecido daquela mania que a gente tem, quando o filme não é alugado ou não é no cinema, de vê-lo até o fim, mesmo que não esteja agradando.

E assim é o exemplar aí de cima. Eu já desconfiava nos primeiros cinco minutos de trama, e vim a confirmar logo depois: sim, o filme é baseado em um conto de Stephen King (sempre ele...). E na maioria das vezes, isso não dá certo. Aqui também não deu.

A história é a mesma de vários contos de terror do Stephen King. Um garotinho vê o seu irmão mais velho sendo assassinado pelos valentões da escola que, por sua vez, morrem atingidos por um trem. Logo, como era de se esperar, ele cresce atordoado com essa visão. Um dia, quando o tal garotinho já é adulto, adivinha o que acontece? Sim, eles voltam... Os valentões.

Há várias falhas no roteiro, que deixam buracos enormes no enredo. De repente, pessoas e objetos aparecem na trama, mudam os caminhos e interferem na explicação do sobrenatural. Vira uma mistureba incompreensível, que culmina, obviamente, em um desfecho irritantemente preguiçoso e desconexo.

As atuações são muito fracas. Nem parece que as pessoas estão realmente com medo dos valentões que voltaram.

E, tratando-se de um filme de terror, se elas não estão com medo, você ficaria ao assisti-lo?

#27 - Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa, de Roberto Farias


Tv a cabo tem dessas coisas. Tarde dessas, frio pra caramba, de folga, nada para fazer... e eis que zapeando a programação me deparo com este exemplar do antigo cinema brasileiro. Um clássico que mistura Jovem Guarda, fenícios, mitologia, formações rochosas e até samurais mágicos. Demais!

No roteiro, Roberto, Erasmo e Wanderléia vão atrás de um antigo tesouro guardado pelos fenícios. E aí, até chegarem lá, vão ter que provar que são bons de briga, de música, de volante e de malandragem. Tudo para dar errado. Mas é o Rei, ora bolas!

O filme conta com cenas produzidas em Israel, Portugal e Japão. Uma mega-produção que reunia os artistas que estavam no top das paradas naquela época. Tanto que foi um sucesso de bilheteria.

Imperdíveis são os números musicais, mesmo que você, assim como eu, deteste as músicas de Roberto Carlos. Mas vê-lo cantando "É preciso saber viver", do nada, mais pro final do filme, entre as sinuosas curvas da Avenida Niemeyer, pilotando um conversível, é muito bacana!

Falou, bicho!