
Antes de ser um western completamente diferente de tudo que já foi filmado até hoje, El Topo é também um divisor de águas na história do cinema contemporâneo. É, em sua essência, todo um manifesto estético e cultural em forma de filme. Mais precisamente, é a contra-cultura em seu melhor estado, agressiva e subversiva, buscando um lugar ao sol. Não obstante, o título faz menção à topeira, que cava buracos debaixo da terra, no subsolo, com o objetivo de vir à luz - ainda que mal consiga enxergar. O chileno Alejandro Jodorowsky, misto de cineasta e mago, estava interessado em cavar túneis que levassem à tona uma produção cinematográfica até então limitada ao underground.
O próprio Jodorowsky interpreta o protagonista, um cavaleiro chamado El Topo que vaga por paisagens desertificadas. Encontra vilarejos dizimados, cenários grotescos e figuras misteriosas. O roteiro tem pouco texto, mas capricha nas toneladas de símbolos e significantes. Com uma montagem seca e precisa, que lembra bastante o estilo do diretor brasileiro Glauber Rocha, Jodorowsky vai contando uma história que toca em temas profundos, relacionados não só à arte, mas também de cunho político e religioso.
Por isso, El Topo é cheio de imagens bastante fortes. Um povoado repleto de deficientes físicos rejeitados pela sociedade, uma série de cadáveres de animais mortos e várias execuções sumárias fazem parte da trama. Ainda que o filme tenha despertado ojeriza em muitos espectadores, lá em 1970, o capricho estético foi reconhecido por muita gente influente no meio artístico, como David Lynch, Peter Fonda, Bob Dylan e Peter Gabriel.
Outro que ficou impressionado com El Topo, e que foi indiretamente responsável pela difusão internacional do filme, foi John Lennon. O músico convenceu um amigo da indústria cinematográfica a comprar os direitos do filme e distribuí-lo ao redor do mundo.
Sem dúvida alguma, El Topo é um filme difícil, para poucas plateias. Porém, é uma experiência intensa e enriquecedora.
3 comentários:
Não sou a maior fã de filmes difíceis de se ver, mas se é uma experiência enriquecedora e um divisor de águas no cinema contemporâneo, então merece a conferida mesmo!
Beijos!
A cena da roleta russa é fantástica. Filmaço! E o Lennon ainda ajudou a viabilizar o A Montanha Sagrada (já viu? Tenho este como o melhor Jodorowski), depois de ver El Topo.
Abs!
Kamila, difícil no sentido de densidade. Vale muito a pena conferir, pois o cara é um cineasta de mão cheia.
Pedro, muito bem lembrada a cena da roleta russa. Como ela, existem várias outras. Eu estou com Holy Mountain engatilhado aqui para ver. Fazia tempo que queria conferir o trabalho do Jodorowski!
Bjs e abs!
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