Acabei - agora mesmo - de ver Eu, Daniel Blake, do mestre Ken Loach. É um filme que dói lá dentro da gente. Toda vez que o protagonista passa a mão na cabeça, como que para tentar conter a angústia diante da humilhação que é obrigado a experimentar diante da batalha que trava contra o Estado pelo seguro desemprego, que lhe é de direito, a gente sente uma pontada.
São seres humanos atrás das mesas de negociação. Mas seres humanos são capazes, acreditem, de fazer caretas, ditar regras, se regozijar com a punitividade prevista em lei e são incapazes de ouvir o outro. Quem nunca se viu nessa situação por aqui, agora que somos 12 milhões - e eu me incluo no número - de achacados por um sistema praticamente global, que guarda semelhanças ao redor do planeta e que não deu certo?
Congelam investimentos em saúde, mas empurram goela abaixo planos de saúde. Paralisam investimentos em educação, enquanto conglomerados de especuladores investem dinheiro em escolas particulares. Reformam a previdência social, mas fazem reportagens sobre os benefícios de planos privados. A dura verdade, Daniel, é que por aqui nunca se vendeu tanta lancha.
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| Não tem essa de ficar em cima do muro. É de frente mesmo! |
"I am not a client, a customer, nor a service user. I am not a shirker, a scrounger, a beggar nor a thief. (...) I, Daniel Blake, am a citizen. Nothing more, nothing less."


Um comentário:
Não assisti ainda a este filme, mas li coisas bem interessantes sobre a obra. Tentarei assistir!
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