Acompanhamos a história de Michael Stone, um homem de meia idade que está em crise: a ele, todas as conversas são as mesmas, todas as pessoas têm o mesmo rosto e até o mesmo tom de voz. Todos os dias são o mesmo. Em viagem de negócios, na qual vai falar sobre novas técnicas para otimizar centrais de atendimento ao cliente, ele conhece uma mulher - ou boneca - que parece ser diferente dos demais, hospedada no mesmo andar que ele. Disposto a abandonar tudo, "carreira, dinheiro, canudo", começa a acreditar que pode novamente ser feliz.
Dado a termos psicanalíticos e desordens mentais, aqui Kaufman explora a Síndrome de Fergoli, uma rara condição na qual o paciente acredita que todas as pessoas que o cercam são a mesma, disfarçada para persegui-lo e espioná-lo. Em Anomalisa, o protagonista não sofre desse mal, mas o hotel em que se hospeda chama-se, justamente, Fergoli, o que acrescenta à trama traços mais profundos da psique humana.
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| Uma cena de amor entre dois bonecos... Tem que se garantir! |
Trata-se de um acerto do início ao fim. Forte, denso, emocionante e, por incrível que pareça, um dos filmes mais humanos da temporada, confirmando o acerto em fazer do argumento uma animação de bonecos. Os desafios que essa linguagem impõem são transpostos com perfeição. Por exemplo, consegue imaginar uma cena de sexo séria, intensa e emocionante entre dois bonecos? Pois é, é disso que estamos falando aqui.
Genial sem ser pedante. Complexo, mas cheio de simplicidade.


Um comentário:
Ainda não assisti "Anomalisa", mas estou bem curiosa em relação ao filme, especialmente por se tratar de algo vindo de Charlie Kaufman!
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