Em 1977, muitas crianças ficaram definitivamente com medo de
entrar no mar para dar um mergulho. Também, pudera: não bastasse o Tubarão de
Spielberg, ganhava as telas mais um clássico do gênero, Orca - a baleia
assassina. A produção de baixo orçamento elevou ao status de predador voraz o
mamífero, que passou a ser um animal admirado pelos humanos.
O resultado disso foi a criação de parques temáticos onde o
bicho era exibido, colocando os visitantes diante de uma espécie de experiência
aterrorizante e maravilhosa. Era possível treinar as baleias - vislumbraram
alguns ditos especialistas no assunto. Não demorou muito e, na Califórnia,
surgiu o primeiro parque no qual uma orca era exibida. E não demorou muito,
também, para que o primeiro ataque ao treinador acontecesse - uma vez que as
consequências do cativeiro foram ignoradas.
Anos após o acidente, mesmo sob avisos, o então recém-aberto
Sea World resolveu comprar a "baleia assassina" para ser a pareadora
dos animais de seu parque. Sob a alegação de que o cativeiro é necessário para
preservar a espécie e aproximar o homem do animal, os show continuam até hoje.
No entanto, agora, e há pouco tempo, sem a interação física entre treinador e
baleia.
Blackfish, indicado ao Oscar de Melhor Documentário,
investiga e questiona a necessidade dos shows com baleias, e mostra como é
difícil transpor a barreira cultural que foi solidificada pela indústria do
entretenimento. O material de apoio é bastante rico. Você vai ver cenas reais e angustiantes de treinadores sendo atacados pelas baleias, estressadas pelo cativeiro e por
suas péssimas condições de infraestrutura. Além disso, biólogos e ex-treinadores dão seus testemunhos - a favor e contra o Sea World.
Você vai pensar duas vezes antes de aplaudir uma baleia
pulando numa piscina diante de uma arquibancada cheia.

Um comentário:
Esse documentário é muito pungente, Dudu! Um verdadeiro absurdo o tratamento dispensado às baleias. Um filme de depoimentos contundentes e de argumentos consistentes - tanto que tem causado a reflexão sobre o trabalho de parques como o Sea World. O filme modificou a maneira como as pessoas veem esses negócios. Que bom! Isso é parte da função do cinema!
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