Stephen Frears é macaco velho, calejado, experiente. E querido também - dirigiu Alta Fidelidade! Mas parece que ele não soube escapar da armadilha que os filmes baseados em histórias reais escondem em seus promissores roteiros. Já comentei anteriormente aqui, reitero > é preciso muito cuidado e talento para que o argumento não dê mais peso ao protagonista do que ao fato em si, sob pena de tornar o filme uma mera biografia.
O argumento de Philomena é tenebroso, macabro, lúgubre. Porra, é uma denúncia e tanto. Freiras de um orfanato negociavam a adoção dos bebês de suas internas sem o consentimento das mesmas. Temos aí um assunto cabeludo para ser desenvolvido. No entanto, por conta do tratamento do roteiro - e, obviamente, o talento indiscutível da protagonista - o filme é só Judi Dench. Seu companheiro de cenas, convenhamos, não ajuda muito. Trata-se de um estereótipo ridículo de jornalista interpretado pelo respeitável Steve Coogan. Seu personagem é arrogante e vaidoso, daqueles que põem o pé na porta para não tê-la batida na cara, achacam as pessoas com ironias e exercitam um pretensioso faro jornalístico do tipo detetive particular de pulp fiction.
Está lá a denúncia, sim. Rasa, meio amedrontada de seguir adiante e com os holofotes completamente voltados para a tal Philomena que dá nome ao filme. Uma opção de Frears, é verdade. Porém, e justamente por isso, o que faz valer o ingresso é somente Judi Dench.
Sessão da tarde. Dado o diretor, podia ter sido um filmão.
quinta-feira, março 13, 2014
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2 comentários:
Lamento, lamento, lamento profundamente ter perdido a chance de ter conferido "Philomena" no cinema. Tenho certeza de que iria amar esse filme.
Long time no see!
Caí certinho no conto 'sessão da tarde' do Frears: embalei no passeio da Judi Dench de tal forma que ao sair da sala de cinema eu mal lembrava de todo o argumento das freiras mercantilistas.
Grande abraço!
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