O roteiro, assinado por Greta Gerwig, a protagonista, em parceria com o diretor Noah Baumbach, um cara dado a contos ambientados na Big Apple, conta a história de uma jovem que divide o apartamento com a melhor amiga desde os tempos de faculdade. Seu sonho é entrar para o corpo de uma companhia de dança. Recém-solteira, ela passa por situações inusitadas, tanto cômicas quanto dramáticas, em busca de autoafirmação.
Estão lá os padrões e as referências culturais eruditas típicas dos filmes de Allen. Tem um pouco de Proust, uma pitada de Paris, artistas desfilando em flats modernos e filósofos convidados para jantares informais. Porém, justiça seja feita, Baumbach sabe quebrar os estereótipos, fazendo com que a protagonista nunca leve tão a sério esse mundo novaiorquino que Allen tanto faz questão de enaltecer - e, cabe dizer, o enaltece para o bem e para o mal.
Não há como negar que, apesar de ser um filme debruçado e fechado na cultura novaiorquina, é muito fácil gostar de Frances Ha. Simples, despretensioso e leve. Divertido no ponto certo, sem cair em pedantismo - o que é muito fácil quando se filma Nova York em preto e branco. Gerwig se apoia em uma partitura corporal que dá leveza ao filme. Sua personagem vive um paradoxo curioso. Seus predicados não são bem os que se esperam de uma bailarina: ela é grande, desastrada, verborrágica e meio desligada.
Muito bacana, já nos segundos finais de projeção, a explicação para o título Frances Ha. Uma bela sacada que dá um ar ainda mais simpático ao filme.

Um comentário:
Gostei mais de Frances Ha do que de muitos filmes do Woody.
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