Filmes catárticos costumam fazer sucesso com um determinado segmento social. A saber, daqueles que gostariam de cometer certas atrocidades, mas que são instantaneamente bloqueados pela condição moral e ética que lhes é peculiar - e que têm em seus aguçados sensos cívicos os culpados por esse sentimento nada nobre, uma vez que os mesmos deixam transbordar a incompatibilidade social com seu meio, selvagem, próximo à barbárie. Ou seja, porra, a gente faz tudo certo e aí vem um escroto que não tá nem aí para o bom convívio e estraga tudo.
Quem nunca quis zunir um daqueles celulares que tocam funk no ônibus? Ou quebrar a perna de quem para na vaga de deficiente físico sem o ser? Ou de defecar na porta do vizinho que faz obra domingo de manhã? Joel Murray, personagem principal de God bless America, vai um pouco mais longe: ele mata quem é escroto. Tudo começa quando ele percebe como as pessoas ao seu redor são estúpidas, indelicadas e mal educadas. Sem emprego, sem mulher e sem o carinho da filha adolescente, ele vai percebendo como a sociedade estadunidense é oca - o que é aplicável à sociedade contemporânea como um todo. Em meio a reality shows, propagandas mentirosas e bizarrices internéticas, ele decide fazer justiça com as próprias mãos. Une-se a ele uma adolescente problemática, porém bastante entusiasmada, que o ajuda na função de eliminar a escrotidão das ruas dos Estados Unidos.
O filme começa com bastante violência. É intenso, forte e até ofensivo, sem perder o tom de comédia. O sarcasmo está nos diálogos e na forma como a dupla elimina os escrotos. É catártico, divertido, inusitado. Porém, lá pelos minutos finais, a maionese dá uma desandada. O que era para ser uma brincadeira, acaba ganhando um contorno dramático estranho. A segunda metade do filme é enfadonha. E o desfecho é patético!
O roteiro de God bless America começa a 220 km por hora, avançando sinal e barbarizando pardais eletrônicos. No entanto, acaba a 60 km por hora, respeitando toda as leis de trânsito. Se o intuito era a catarse pelo viés do exagero, isso é um erro crasso.
Pelo menos os 30 minutos iniciais de projeção são bem bacanas, o que faz valer o confere.
terça-feira, julho 10, 2012
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4 comentários:
acho meio perigoso eu assitir essa filme!!
jovem
Poxa, Dudu, como sempre, você descobrindo esses filmes legais. Adorei o texto e anotei mais essa dica sua!
Beijos!
Fiquei com vontade de conferir este filme desde o instante que ele entrou em circuito restrito na nos States. Pena saber desse bola fora que há no ato final da história, mas ainda assim desejo vê-lo em algum momento.
A muito mais nesse filme para se interpretar do que o que você foi capaz...
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