
O filme do diretor Philip Cox explora a dualidade entre o cômico e o dramático. Durante a projeção, são esmiuçadas as investigações de três casos bem distintos: a venda de cosméticos piratas, uma suspeita de infidelidade conjugal e o brutal assassinato de três jovens cujos corpos foram esquartejados e deixados na linha do trem. Em busca de pistas, e com algum resquício de ação policial, o time de detetives passa o dia nas ruas colhendo informações. Alegam que ocupam uma brecha deixada pela morosidade e pela incapacidade da polícia indiana frente ao número crescente de crimes no país.
No entanto, há algumas questões que abrem espaço para o questionamento do valor documental de O detetive indiano. Em primeiro lugar, os cortes são feitos de maneira que o ângulo de enquadramento sempre mude, estático, deixando claro que há uma equipe de filmagem completa no local, com mais de uma câmera posicionada de forma planejada. Além disso, a mesma câmera flagra o momento em que o cliente liga para contratar os serviços de Rajesh, numa espécie de predestinação ou sorte de estar no lugar certo, na hora certa e com a pessoa certa. Alguns diálogos mais descontraídos também soam forçados, como, por exemplo, a conversa sobre tintura de cabelos entre dois detetives enquanto fazem tocaia no caso dos cosméticos piratas.
Valor documental à parte, o filme investe no estranhamento do olhar e dá conta de criar um interessante mosaico da cultura indiana. É preciso se desligar dos preceitos e procedimentos técnicos de um documentário para curtir O detetive indiano. Porém, isso é algo totalmente possível, uma vez que o protagonista tem bastante carisma.

3 comentários:
Adoro filmes que nos tirem da zona de conforto e ao ler seu texto esse longa me passou essa sensação.
Boa opção.
Esse aí é um filme de Bollywood??
Beijos!
Este filme é fantastico adorei quando assisti.
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