
Vez em quando, diretores consagrados fazem o que costumo chamar de filme de férias. Mais ou menos assim: juntam um punhado de bons atores - na maioria das vezes, amigos pessoais - e resolvem relaxar as rédeas por detrás das câmeras, numa direção mais solta e menos comprometida com o perfeccionismo e o apuro que lhes concederam o status de grandes realizadores. Ainda assim, são produções muito acima da média.
Pois Potiche - Esposa troféu é o filme de férias de François Ozon, o cara cujo apelo estético rendeu respeito no métier cinematográfico. Para contar a história de uma dona de casa rica, que precisa assumir o controle da fábrica de guarda-chuvas da família diante de uma greve dos operários, Ozon tem ninguém menos que Catherine Deneuve e Gérard Depardieu no elenco.
Apesar do argumento simples, Ozon não abandona seu estilo cuidadoso de filmar. Monta uma comédia divertida, mas que é também um mero passatempo, longe do deleite visual de suas obras anteriores. O bacana mesmo de Potiche é ver Deneuve, a eterna bela da tarde, envelhecendo com charme e dignidade, preenchendo a tela com a postura de diva que lhe é nata. A direção de arte também cumpre sua tarefa de situar a ação na década de 70.
No fim das contas, é divertido como os filmes de férias dos grandes diretores devem ser.
2 comentários:
Adoro Ozon e não me perdoo por ter perdido a chance de assistir a este filme quando ele passou aqui no Festival de Cinema Francês Varilux... :(
Me interessa muito no Ozon a diversidade de gêneros e estilos que ele realiza a cada novo filme. Potiche é uma delícia porque o cineasta assume de cara o tom pastiche retrô e feminista, com suas doses de politização.
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